Monday, November 29, 2010

Carlos Gardel - El dia que me quieras - Tango



Um miminho proveniente da minha mais recente paixao: El TANGO!

O sub-mundo. A seducao pura entre homem e mulher.
Uma conversa entre dois corpos regidos por um so coracao.
As almas fundem-se uma na outra e as palavras deixam de existir ou ser necessarias.
Entra-se numa dimensao a parte, para la do chao e da vida a que chamamos real.

Shakespeare dizia que a " vida e' sonho" e agora eu posso sentir que o sonho pode ser a unica vida
REAL
que existe. O tango indica-me esse caminho.
Aqui fica uma conhecida musica de Carlos Gardel para dancarem ao sabor da emocao e do vermelho que povoa a vossa alma.

P.S. Estou viciada.
Alguem conhece alguma clinica de reabilitacao para viciados em tango argentino?!
Cairo, dia 29 de Novembro, 2010


O Poder deste e de outros prazeres tao simples...


Comentava
Cairo, dia 29 de Novembro, 2010

Democracia " a la egipciana"!

Estamos em altura de eleicoes no Egipto e as fotos fantasmagoricas dos candidatos eleitorais povoam toda a cidade, deixando-nos com paisagens deprimentes de homens com calos na testa (para atestar a sua devocao religiosa - calo na cabeca indica alguem que reza pia e frequentemente, batendo com a dita cuja no chao, dai o respeitoso calo!) e um mais feio que o outro.

Juro que parecem fotografias de obituarios ou pior...em vez de dizerem o que deveriam:
VOTE EM MIM porque sou de confianca e honestidade!
Dizem:
VOTE EM MIM senao vou la a sua casa e mato a familia toda a machadada!

Ou entao, em alternativa:
VOTE EM MIM porque eu, coitadinho e desgracadinho tambem, ja faleci e mereco uma boa homenagem. Elejam-me post mortem e ganhem um lugarzinho seguro no ceu (e uma geladeira ai na terra).


Ooohhh.....

Assustador...quem serao os fotografos que produzem estes desastres da imagetica universal?!

Depois chega o fenomeno fantastico dos subornos a descarada.
Consta que, em cada freguesia (e sao muitas no Cairo!), os candidados oferecem dinheiro a quem neles votar. Outros oferecem electrodomesticos (parece que esta cena me e' familiar...afinal Portugal e o Egipto sao mesmo irmaozinhos e nao e' so no passado arabe que partilham) e cheques chorudos de subornos a esta e aquela loja para convencerem os clientes a votar em fulano e sicrano. Ao contrario do que sucede noutros paises em que a corrupcao existe mas ainda nao foi socialmente aceite, no Egipto tudo isto se pratica a luz do dia sem o minimo pudor.

Esta tudo em suspense para saber os resultados das eleicoes. Serao, indubitavelmente, os que deram mais dinheiro ao pessoal ou batedeiras electricas la para casa...

Por mim, desde que tirem o raio das fotografias traumatizantes das paredes da cidade, estou feliz com qualquer um dos candidatos/aparentes psicopatas/fantasmas.
Afinal, sao todos farinha do mesmo saco e seguem a mesma marca sagrada na cabecinha e, alas, a mesma generosidade corrupta que tanto mina o meu querido Egipto.

Seja como for e ganhe quem ganhar, que tirem as fotografias das paredes porque eu ja comecei a ter pesadelos com estes candidatos eleitorais...

Sunday, November 28, 2010


Cairo, dia 28 de Novembro, 2010


Mare de sorte...


Diz-me a experiencia de vida - tenho "alguma"- que aqueles momentos que consideramos de ma sorte ou infelicidade se revelam, frequentemente, rasgos afortunados do Destino.
Em compensacao, existem instantes que consideramos como oferendas dos Deuses que se revelam, mais tarde ou mais cedo, como presentes envenenados da Vida.
Tudo e' como e' e tudo encerra em si o germen da felicidade e da lagrima.
Ver a VIDA - e seus altos e baixos, tao erroneamente definidos -como ma ou boa sera, vejo-o agora, um exercicio de fraca inteligencia.
Na alegria ja reside a tristeza e numa profunda tristeza pode germinar o maior dos sorrisos justificados.
Por isso se tornou, para mim, tao dificil classificar momentos como "bons" ou "maus". Concluo que e' uma perda de tempo tentar classificar acontecimentos como positivos ou negativos.
De tudo se aprende, ate das desilusoes, e o importante sera nao desistir de SER FELIZ e ver nos quartos mais escuros a possibilidade de um novo amanhecer porque ele esta sempre la (disso eu nao tenho duvidas!).
Maus momentos (ou la como nos os apelidamos?!): venham eles para que eu possa crescer e descobrir na sua semente o inicio de um novo RISO.
RISO MAIOR e...atrevo-me a sonhar ...RISO TOTAL!

Saturday, November 27, 2010

Cairo, dia 27 de Novembro, 2010

Momentos sublimes na cidade louca do Cairo (com o "borrar da pintura" que, invariavelmente, se segue)


O lado luminoso e o lado negro da vida parecem estar em maior evidencia no Egipto do que em qualquer outro pais que eu tenha conhecido. Aqui convivem as maiores atrocidades humanas com gestos de extrema beleza...da para por a cabecinha a andar a roda e virar o nosso "boneco" a 180 graus numa base diaria. Tal como ja referi, esta vida do lado de ca do rio Nilo nao e' para insuficientes cardiacos nem tao pouco para gente de pouca garra.

Caracter: PRECISA-SE.
Paciencia: Oh, se se precisa!
Flexibilidade mental para encaixar porcos a andarem de bicicleta e eventos que tais: ESSENCIAL.
Tolerancia as mudancas e surpresas constantes: Arma de sobrevivencia.
Loucura: Um "MUST"!

Eis que aguardava a chegada de uns amigos na Opera do Cairo (fomos ver a obra de ballet " Zorba el Greco") quando vejo aproximar-se de mim uma rapariga egipcia ("mohagaba"= coberta com o veu/"hijab") de ar simpatico e inquisitivo.
Comecou por meter conversa perguntando onde era a entrada do auditorio mas eu senti, imediatamente, que aquele era apenas um pretexto para se aproximar e saber quem eu era.

Perguntou-me:
-Es bailarina? Chamas-te Joana???
Eu respondi que sim e descobri que ela me conhecia do "NILE MAXIM", onde actuo regularmente.

Perguntou se se podia sentar ao meu lado enquanto os meus amigos nao chegassem.
Eu acedi ao pedido porque ela me pareceu inofensiva e muito simpatica ("Porque nao, pensei eu? Fazer um amigo nunca e' demais!").

Conversamos sobre muita coisa, ficando a saber que ela e' cantora da Opera do Cairo (informacao nao confirmada, uma vez que os egipcios sao peritos a engendrar historias mirabolantes que nem sequer passam perto da verdade!) e que adorava cantar Om Kolthoum.

- Ai, sim? Om Kolthoum e' a minha cantora preferida. - Acrescentei eu.
-Queres que eu cante para ti? - Lancou ela, sem hesitar.
-Se nao te importares, claro que sim. Canta-me "Enta Omri". - Conclui eu.

E assim teve inicio a um mini-concerto improvisado no jardim da Opera do Cairo. A rapariga - Zizi de seu nome - cantou a bendita "Enta Omri" e ganhou uma ovacao geral de todos quantos se encontravam ao redor do jardim.
Eu fiquei encantada, suspensa nesse momento magico em que as estrelas brilham no ceu da Opera do Cairo e eu estou sentada no marmore frio do jardim, escutando uma Om Kolthoum privada, cantando para mim ate quando eu lhe dissesse para parar.


Logo em seguida pediu-me para eu dancar para ela. Eu disse-lhe que nao dancava em publico, a menos que estivesse a trabalhar. Ofereci-me para retribuir a generosidade dela cantando-lhe um FADO da minha terra e assim a deixei a chorar, literalmente, e jurando a pes juntos que eu devia deixar a Danca e dedicar-me a carreira de cantora ("sim, vou pensar nisso...").


Momento maravilhoso, sem duvida.
E depois?
Bem...depois...azedou. Deu para o torto. "Pifou"!
Pois claro. Estamos do Cairo.
Facto incontornavel e desconcertante.

Foi entao que a Zizi, rouxinol da Opera do Cairo, se convidou a si mesma para se juntar a mim e a minha orquestra no dia que se seguiria (hoje).

- Quero ser tua amiga. E tu, queres?! - Perguntou ela, deixando-me confusa por ja nao saber se tinha uma rapariga de 20 e tal anos a minha frente ou uma criancinha de 5 anos.

- Sim, eu tambem quero ser tua amiga. - Que mais poderia eu responder?!

Entao da-me o teu numero de telefone (eu dei :( e eu ligo-te assim que puder.
-Combinado?
-Combinado (tremulo e ja prevendo o que iria acontecer).

Despedimo-nos e eu fui ao encontro dos meus amigos que, entretanto, tinha chegado a recepcao da "Opera House".
Assim que entrei para o auditorio e os primeiros acordes do "Zorba" se fizeram ouvir, ainda os cantores nao tinham atinado com os cantos gregos da obra e ja la estava a Zizi a telefonar-me insistentemente. O meu telemovel estava silenciado mas eu podia sentir a sua vibracao vinda da minha mala. Foi o Zorba a saltar no palco e o meu telemovel a saltar na mala, "non stop".


Enviou-me uma mensagem perguntando-me se eu estava chateada com ela e se queria mesmo ser sua amiga e porque raio nao atendia o telefone.
-Nao, nao estou chateada (acabei de te conhecer!!!) e quero mesmo ser tua amiga, o.k?! - Respondi eu, ja assustada com o comportamento obsessivo da Zizi.

Isto passou-se ontem a noite.
Durante o dia de hoje, contabilizei dezenas de chamadas da minha querida amiga Zizi.
As chamadas juntam-se duas mensagens desesperadas tentando confirmar o meu interesse na nossa amizade e jurando adoracao eterna para com a minha pessoa. (???)

Quando cheguei ao "Nile Maxim" para actuar, tinha um bilhete dela a entrada com um queixume emocional de fazer chorar as pedras da calcada e uma declaracao de amor inusitada a qual ainda adicionou um expressivo: " Mas porque nao atendes sempre as minhas chamadas? Liguei-te tantas vezes e tu nao respondeste! Porque???"


Huummmm...onde e' que ja vi este filme?
Espera...agora lembro-me. Era um dos meus ex-namorados ciumentos. Pois era... mas esta e' apenas uma rapariga egipcia que eu conheci ontem na Opera do Cairo. Como conseguirei fazer a ligacao entre "namorado ciumento" e "conhecida ciumenta"?!
Uau, ate para uma cabecinha como a minha, versada no encaixe das maiores aberracoes humanas, esta da-me a volta ao miolo. Ainda nao a encaixei mas hei-de la chegar.

Entao agora so me faltava esta. Tenho a Zizi a pega numa versao egipcia da "Atraccao Fatal" onde a Glenn Close usa "hijab" e eu me transformo em Michael Douglas, a vitima da mulher obcecada.

Bem que ela me chegou a perguntar onde eu moro. Gracas a Deus, nao lho disse, senao tinha-a agora a bater-me a porta afirmando de pes juntos que morre de saudades minhas e colando-me bilhetes de amor a porta!

Eu e a Zizi, um caso de amor inusitado...Oh, meu Deus! Dai-me paciencia e ternura para levar na boa estas loucuras que so aqui me parecem existir.

Friday, November 26, 2010


Cairo, dia 26 de Novembro, 2010


EVENTOS se seguir:


Entre as surpresas que ainda nao revelarei, existem os seguintes eventos que aqui anuncio, com ENORME prazer para o inicio do milagroso ano de 2011:


1. Espectaculos do Cairo elevados a outro nivel. Aguardem O ESPECTACULO que sempre quis apresentar no Egipto. Sera para o inicio de 2011 e rebentara com tudo, TUDO!:)


2. Artista e professora convidada do
FESTIVAL DE DANCA ORIENTAL de VENEZA em Marco.

Que casualidade (sera?) ter sido convidada para colaborar num evento que tera lugar na cidade italiana que mais queria conhecer! Estou ansiosa por ir para Veneza e, nao so fazer o trabalho que me compete da forma mais fantastica possivel, mas tambem conhecer a cidade magica (sem mascaras, please!).



3. WORKSHOP DE BALADI E TABLA EM PORTUGAL - DIA 30 DE ABRIL (SABADO)
O workshop que eu sonhava fazer ha tanto tempo e uma materia que me e', particularmente, querida! Mais detalhes brevemente neste blogue e no meu Facebook.


4. Artista convidada do EAST FEST (Portugal).
Ensinarei e actuarei neste evento nacional com uma alegria acrescida por ter sido um convite de PORTUGAL e organizado por PORTUGUESES.
Workshop no EAST FEST no dia 1 de Maio, Domingo.
Espectaculo e outras surpresas deste maravilhoso evento brevemente neste blogue.
E mais, muito mais..............................................................................

Thursday, November 25, 2010

CARLOS GARDEL ''MADRESELVA'' TANGO.wmv



Cairo, dia 25 de Novembro, 2010

Entre o Oriente e a Argentina...

Sera disto que falamos quando nos referimos a explorar TUDO - ou uma aproximacao a esse TODO - do que somos?
Nunca temo explorar talentos, potencialidades escondidas, caminhos nao trilhados...uma peregrina da vida real.

Divido-me entre paixoes, tentando nao me dispersar ao ponto de perder qualidade no que vou fazendo.
Entre a Danca Oriental - em forma de espectaculos, workshops pelo mundo fora e descobertas diarias com a minha orquestra egipcia - e a escrita (para quando, QUANDO, a conclusao do meu tao aguardado livro?!), ainda me meti nuns estudos especiais que me alimentam a alma e no Tango.

Uma coisa alimenta a outra.
Complementa-se.
Melhora-se.
Coloram-se umas as outras, estas minhas paixoes. Sentem ciumes umas das outras mas convivem amorosamente, penso que por cortesia a mim que as acarinho.

Escuto "Madreselva" (tango de Gardel) e busco um novo musico para a minha orquestra (K'anun). Flutuo de Om Kolthoum para Gardel, de Gardel para um novo solo de tabla que estique - ainda mais- as cordas gastas das convencoes vigentes na Danca Oriental.

Criando, entre mundos. Com um prazer multiplo, como estas minhas paixoes.
Cairo, dia 25 de Novembro, 2010

Eu, egipcia?!

E eis que apanhei, uma vez mais, os gerentes do NILE MAXIM vendendo-me ao publico com uma autentica bailarina egipcia. Produto nacional. Coisinha linda ca da terra, pois claro!

Termino os meus espectaculos da matina (oh, tortura...e muita, muita camera fotografia apontada aos meus olhos sonolentos) e saio do "NILE MAXIM" onde me misturei com parte do publico que ainda estava a evacuar o local.
Eu de oculos escuros e roupas "normais" devo parecer outra pessoa completamente diferente porque a maioria das pessoas nao me reconhece e, assim, escuto os comentarios espontaneos sobre o meu espectaculo e sobre mim.

Espia, bailarina "under cover" por momentos de pura delicia (adoro escutar os comentarios quando ninguem sabe que e' de mim que estao a falar!).
Um grupo comentava com o gerente como o espectaculo tinha sido maravilhoso e como eu era isto e aquilo (coisas extremamente simpaticas e de apreco ao meu talento :) ) e perguntava-lhe se eu era brasileira, cubana, entre outras nacionalidades que atirou ao ar.

O gerente nao teve meias medidas e respondeu:
-Nao, nao...a Joana e' EGIPCIA!

Ohhh...nao foi a primeira vez que me "venderam" como produto nacional mas , ao contrario do que sucedeu em ocasioes passadas, nao me contive e intercedi:

- Nao, desculpe. Parece haver um engano.Eu nao sou egipcia, sou portuguesa!

O gerente ficou petrificado e o rapaz que o estava a questionar pasmado mas eu senti-me, subitamente, orgulhosa de poder dizer "SOU PORTUGUESA".
Nao e' que seja especialmente nacionalista ou apegada a patria. A minha terra e' o Universo, nem sequer me restrinjo ao planeta Terra mas - por alguma razao que a Razao desconhece - senti um orgulho e gozo especial em nao me deixar "vender" por egipcia.

Portuguesa, sim senhor. Com um aroma a Espanha porque la passei belos tempos de infancia e a ela sempre estive ligada mas...PORTUGUESA.
De egipcio terei...hhhmmmm..... o amor a esta danca, talvez... uma tendencia para o prazer ludico da vida, uma ansia de CELEBRAR tudo e nada mas...ainda assim, PORTUGUESA!

Com muito orgulho.



Cairo, dia 25 de Novembro, 2010







Se Einstein fosse vivo (e vivesse no Egipto!)








Esta e' uma daquelas suposicoes que me da um gozo enorme fazer.

Digamos que seja um prazer ironico, um pouco perverso, daqueles gozos de ver o "circo pegar fogo", a inundacao total, o desastre...


Se Einstein fosse vivo e residisse na fascinante cidade do Cairo o decurso da Ciencia mundial teria sido outro, completamente diferente do sucedido. E' que um genio ja nasce com essa semente mas o ambiente em que cresce conta muito, molda muito, incomoda, educa ou deseduca muito, desenvolve ou atrofia (MUITO) o cerebro desse genio potencial.

E eis que me chega uma dessas conviccoes estranhas e, no entanto, tao lucidas :
o genio de Einstein nao sobreviveria ao Egipto.
Imaginem que ele assistia a seguinte cena que eu presenciei ao regressar do ginasio.

Um policia (um desses rapazes do Alto Egipto, analfabetos e explorados pelo poder politico ate a ultima gota) lancou-se para o meio do transito (no qual eu me encontrava) para atravessar a estrada com uma velhinha.
Ora bem. Ate aqui, este gesto parece meritorio, certo?
ERRADO.

Ao lancar-se para o meio da estrada com uma velhota debaixo do braco, o policia/heroi do dia/genio saiidi causou duas colisoes de veiculos e varios travoes esticados ate ao limite para evitar acidentes. O carro de tras bateu no taxi onde eu me encontrava e o caos instalou-se perante o olhar aprovador dos outros policias que lhe deram palmadinhas nas costas (ao heroi do dia) e o elogiaram pelo gesto meritorio.
Vejamos: a velhota queria lancar-se para o meio da estrada para a atravessar a tempo de ver a novela egipcia que passa aquela hora. Como o genio do policia nao queria que ela fosse atropelada sozinha, decidiu juntar-se a ela e assim, muito provavelmente, serem os dois atropelados ou causarem uma serie de acidentes eventualmente fatais para varias pessoas.



Equacao simples e, no entanto, genial:
Velhinha atropelada a sos = isso nao tem jeito nenhum, pa! :(
Velhinha + Policia atropelados + acidentes colaterais= EXCELENTE! :))

Mas como e' que ninguem no meio daquele transito todo pensou nisto?!

Qual Einstein, qual Darwin, qual Leonardo Da Vinci, qual que?!

O que esta a dar e' este genio egipcio, condignamente apoiado pelos outros genios egipcios (os policias que esperaram o par velhinha/policia no outro lado da estrada com palmadinhas nas costas e sorrisos aprovadores).



Factos curiosos mas de menor importancia:
Para que o par improvavel pudesse atravessar a estrada a tempo para a novela e arriscar-se a um duplo suicidio, varios acidentes ocorridos ficaram pelo caminho. So what?!
Calculo - com uma intuicao certeira - que o policia benfeitor ganhou a condecoracao de
" FUNCIONARIO do MES".
E imagino-os na estacao de policia celebrando a condecoracao, elevando o heroi aos ceus de onde ele veio, tomando-o em bracos e fazendo-o pular, gritando "urra, urra" e comendo sanduiches de "ful" e "tameya" sob o aroma de uma boa "shisha".
Tudo em honra do "heroi do mes".



E eu, como fiquei no meio da historia e do toque nas traseiras do taxi onde eu me encontrava?
Pois...estupefacta. Ainda me surpreendo, isso e' que e' VERDADEIRAMENTE genial.

Querido Einstein, que o TEMPO e suas ilusoes jamais te permitam regressar ao planeta Terra e aterrar no Egipto. Os resultados dessa existencia seriam inusitados e, potencialmente, PERIGOSOS.

(Welcome to Egypt!)

Wednesday, November 24, 2010


Cairo, dia 24 de Novembro, 2010


O dia em que me dividi...


Sera que um amante me pode desviar do caminho do meu grande AMOR?!


Explico:

O Tango, recentemente descoberto " a serio" por mim, parece estar-me nas entranhas e o meu coracao oscila entre o AMOR da MINHA VIDA (esposa, va la...para ser consensual e socialmente encaixada apenas por um momento) que e' a DANCA ORIENTAL e este novo amante que e' o TANGO.


Talvez seja da novidade (que nao o e' porque eu ja conhecia algo de TANGO) ou de uma nova fase pessoal e profissional pelas quais estou a passar...hhmmmm....sinto-me a deslizar, a oscilar para terrenos sedutores fora da minha arena amorosa habitual...

Ai, estas minhas paixoes multiplas e sempre assolapadas ainda me levam a desgraca!


Porque sera que nao consigo ser fiel a uma so coisa, uma so nacao, um so ponto de vista, um so vestido, uma so casa, uma so danca e mil eteceteras?!


A vida seria tao mais simples...e tao mais aborrecida.:)









Cairo, dia 24 de Novembro, 2010








Egipcios-meus incognitos mestres Zen...





Os nossos verdadeiros mestres - geralmente, nao assumidos - sao os incognitos.
Curioso reparar que aqueles que se assumem como mestres sao os que mais longe se encontram dessa condicao.
Os VERDADEIROS sao os INCOGNITOS!!!
Aqueles que passam por nos, quase distraidos e com a estranha missao de nos rebentarem com as limitacoes cerebrais, niveis de paciencia e ideias que temos sobre a nossa capacidade de lidar -construtivamente - com a realidade.



Os Mestres Zen do passado tinham formas bem humoradas e ate, aparentemente, bizarras de "iniciar" um estudante da vida que a eles recorresse. Os seus metodos nao eram premeditados e, ainda assim, geniais!




Vejo no comum dos egipcios que encontro diariamente um potencial Mestre Zen da mais alta estirpe.


Sem quaisquer explicacoes ou avisos, eles testam-me a paciencia, a minha capacidade de aceitacao e compreensao muito mas MUITO para alem da logica das coisas (como eu a entendo).




Teorias sao lindissimas, costumo eu dizer. Mas so a pratica, cara a cara, com outros seres humanos e suas contradicoes nos colocam, verdadeiramente, a prova.


Alem do treino ZEN que estes meus queridos egipcios operam, subrepticiamente, sobre mim existe ainda um plus que nao sera de menosprezar:

Quantas vezes, para evitar apertar o garganete de muito bom egipcio que me passa pela frente, eu nao exercito a famosa respiracao yoguica?! Ah, pois ... a tal respiracao abdominal e profunda que tantos yoguis praticam na paz e sossego do seu lar ou "ashram", essa mesma que possui efeitos ainda mais beneficos quando se visualiza cores bonitinhas e fios dourados de amor e harmonia...que lindo...ate posso escutar os passarinhos cantando!


Mas venham de la os yoguis de todo o mundo praticar os fios dourados de amor e harmonia e o "OM" expelido com ternura quando se encontram no meio de mais um bravo "bate-boca" com egipcios que sao, na sua assustadora maioria, mentirosos, ladroes, incompetentes, tarados sexuais e mentalmente lentos (para nao dizer pior!).


Sei que esta afirmacao podera chocar o pessoal mas, hey!, nunca disse ou fiz nada que nao chocasse uns e outros e nao tenho pretensoes de agradar a gregos e a troianos.

Para colocarem a prova esta minha afirmacao chocante referente a maioria dos egipcios (com honrosas excepcoes) ou testarem - de verdade! - o nivel de evolucao espiritual em que se encontram, pois pulem ate ca e vivam o VERDADEIRO CAMINHO ZEN.


OM.......................................................................

Monday, November 22, 2010


Cairo, dia 22 de Novembro, 2010


Rindo-me dos desastres, das pedras, das lagrimas...


So um louco se ri de lagrimas...ou alguem como eu!

Porque da extrema fragilidade pode nascer uma FORTALEZA imbativel (disso percebo eu!).
Mais um espectaculo para um VIP da Arabia
Saudita: rio-me do termo VIP!
Mais um pedido " estranho" de um principe da mesma terra "sagrada" da Arabia Saudita: rio-me.
Mais um pedregulho e um peso: Rio-me.
Mais um obstaculo: E sigo rindo-me.
Porque so loucos (tao lucidos) deste mundo transformam a lagrima em riso e dele constroem uma e mais uma montanha improvavel de belezas multiplas.
E sigo rindo-me.
Chamem-me louca ou o que o valha. Os caes ladram (mordendo, frequentes vezes) e a minha caravana passa, nao de mansinho mas com a paixao LOUCA que tenho em mim.
Rindo.
Sempre.
Demais.
(Louca e ligeiramente lucida).


Cairo, dia 22 de Novembro, 2010





BAUBO - descricao desta Deusa (uma das minhas recentes descobertas)






Para todas as Mulheres que GOSTAM de si mesmas e se celebram em todas as suas dimensoes (fisica, emocional, espiritual,etc,etc porque de tantas dimensoes somos compostas).
Sendo uma "gozona" nata e uma tola risonha que estala em gargalhadas por tudo e por nada, aqui esta uma DEUSA com a qual me identifico totalmente.
Sera o um dos meus alter-egos?!

Estou "in lobe" com este lado meu...recem-descoberto.






"…quem tem a coragem de rir é senhor dos outros… "
G. LEOPARDI (1798-1837)



BAUBO A DEUSA DO RISO (texto lindamente escrito por Mariana Inverno que, cortesmente, mo cedeu para aqui o partilhar convosco)


Sou por natureza muito séria, atenta ao lado mais profundo das coisas. Em consequência e por compensação, tocam-me sempre de forma especial as pessoas que me fazem rir pelo efeito refrescante e regenerador que o riso espontâneo exerce sobre quem o experimenta. Guardo assim um carinho muito especial pelo mito de Baubo, essa deusa menor da Antiguidade Clássica, hoje praticamente desaparecida.

Não será alheio a isso o facto de os patriarcas desconfiaram sistematicamente de quem se ri, principalmente se for mulher.

É aliás conhecido o efeito inquietante que, em geral, um grupo de mulheres à conversa e em risota entre si, tem sobre os homens.

Estudiosos do rir têm vindo a sugerir a relação entre o mesmo, a sexualidade feminina e a recuperação do equilíbrio, pois o rir entre mulheres representaria o lado oculto da sua sexualidade.

O mito de Baubo tem paralelo com o de Uzume, a deusa japonesa da alegria e da dança, presente em primeiro plano no mito mais antigo do Japão.


Essencialmente, o elo entre ambas as divindades resulta de as duas causarem, através do riso, um efeito balsâmico sobre situações desesperadas.

Na sequência do rapto de sua filha Perséfone por Hades com a conivência de Zeus, seu pai, Demeter abandonou desesperada o Olimpo.


Disfarçada de anciã, percorreu a Terra em busca da filha desaparecida e, nesse processo, apresentou-se a Metamira como candidata a ama do filho que esta acabara de dar à luz. A deusa estava possuída, porém, de uma dor sem fim e nem a visão do bebé conseguiu retirá-la do seu mundo de tristeza e silêncio.

Limitou-se a aceitar a cadeira que a criada Baubo lhe ofereceu mas recusou-se a aceitar qualquer alimento. Foi justamente Baubo quem, com as suas brincadeiras e graças aparentemente obscenas, conseguiu arrancar Demeter do pesar profundo em que se afundara. Ao dançar comicamente diante da deusa, Baubo levantou a certo ponto as saias e mostrou-lhe a vulva num gesto brincalhão. A enlutada Demeter quebrou o silêncio e começou a rir. Riram muito, riram juntas e assim começou o processo curativo da frustrada mãe.


O gesto de Baubo, indecente na aparência, reporta-nos a uma era matriarcal remota em que a zona púbica da deusa simbolizava a porta sagrada e a origem da vida, sendo o triângulo invertido um símbolo sagrado, como se sabe. Ao recordar a Demeter de forma brincalhona o seu poder como mulher, Baubo estimulou-a à recuperação de forças para prosseguir em busca da filha que eventualmente recuperou.

Este comportamento ancestral e perdido na memória dos tempos foi incluído em muitas representações artísticas desde tempos imemoriais até à Idade Média e e era parte integrante dos Mistérios que se celebravam em Eleusis, durante dois mil anos e até à destruição do santuário, no século IV da era Cristã. Num tempo decadente e automatizado como o nosso e em face do uso e abuso obsceno da imagem feminina, torna-se especialmente importante resgatar e difundir este mito que, nas palavras de Jean Shinoda Bolen, representa “a recordação vaga e subvalorizada de que as imagens da sexualidade e da fertilidade da mulher são sagradas e não lascivas.”

MARIANA INVERNO

Cairo, dia 22 de Novembro, 2010


Ainda sobre a descida as nossas cavernas mais escuras (nao ha como escapar!):


Texto LUMINOSO enviado pela minha querida Rosa Leonor Pedro:




"Cuando entramos en una fase de espesura de nuestra vida, entramos en un período de vagar sin rumbo y en una época de crecimiento potencial del alma.”


Descender…el descenso nos visita de cuando en vez, es como un viaje a un mundo subterráneo, al lado oscuro de nuestra alma, el vientre de la ballena, o simplemente como una depresión pero hay siempre algo que lo desencadena, algo que se nos presenta como un desafío emocional importante y que siempre abre camino a un desmembramiento y después al descenso…


Confusión

Desorientación

Sufrimiento repentino


Pérdida

Dolor inexplicable

Irritabilidad

Sin fuerza

Alejamiento

Desilusión…


Y de alguna manera comenzamos a culpar a los demás de nuestro dolor (casi sin darnos cuenta).


Acabamos llegando a la ira, la rabia, al dolor y al desprecio.Cuando nuestro corpo, nuestras emociones, nuestra racionalidad, nuestra alma descienden nos invade una sensación de No Tiempo, no hay horas porque todo en nosotras es demasiado denso, oscuro, inhóspito.


Húmedo, frío…no hay atajos, ni respuestas fáciles… nos sentimos desnudas y se nos hielan los huesos.¿Pero para que descendemos?


Quizás una desciende a sus profundidades para reclamar las partes de si misma que fueron desgajadas.Sin duda es una tarea dolorosa pero estoy segura que invariablemente nos fortalece como mujeres y puede incluso aclararnos muchas cosas, si estamos dispuestas a ello.


Por mi camino me di cuenta que las mujeres (al menos las cercanas a mi) llegan a ese estado de ira, de rabia, de dolor y de desprecio a través de su familia originaria, de la cultura que la rodea, de adiciones y, a veces, de un trauma sufrido en la edad adulta.


En mi familia, de extenso linaje femenino, identifico mujeres doloridas que desarrollaron una capacidad de percepción impresiónate. Son mujeres que caminaron por el bosque con un intenso saco de dolor y que por el camino han ahondado exhaustivamente en el.


Pero miro su mapa y veo lo difícil que fue cada paso y como llegaron al momento en que tuvieron de tomar una decisión, quizás la más importante de su vida y es la de sentirse amargadas o no.Están hasta la coronilla de todo (y de todos), ya no pueden más, todo esta roto. Se sienten como un cuerpo que ha acumulado, durante demasiado tiempo, demasiados escombros.¿Pero llegadas a este punto que ocurre?



Pues un poco de todo: Huidas, culpabilizar a los demás, negaciones, amargura, malas palabras, mentiras, falsos escapes y en algunos casos el regreso a la naturaleza instintiva que las ayuda a no hundirse en la amargura, revivir y renacer.


Pero no es fácil enfrentarse a una misma ¿verdad? No es fácil mirarnos con los ojos de la verdad en el espejo.



No es fácil aceptar nuestra fragilidad, nuestro miedo, no es fácil sanar las pequeñas muertes que vamos experimentando a lo largo del camino, no es fácil… por eso nos escondemos de tras de…


Tu, ¿detrás de que te escondes? ¿De que huyes?Se que en la primera mitad de nuestra vida hemos ido en miles de direcciones y acabamos aisladas, hemos visto como sueños y esperanzas se han truncado… ¿


pero será que vale la pena seguir escondidas?,


¿Será que vale la pena seguir mintiéndonos a nosotras y a los demás?,


¿Será que vale la pena seguir sufriendo?


¿Será que nos sirve para algo estar constantemente mirando, juzgando la vida de las demás (y de los demás), evitando así mirar para la nuestra?


Lo que quiero decir es que por mucho que duela quizás vale la pena echar un vistazo a la PROPRIA vida y marcar los lugares donde se han producido esas muertes cotidianas y esas muertes del alma.


Porque todos, mujeres y hombres, tenemos que dar por terminados los acontecimientos pasados, no quiere decir que tenemos que perdonar (las cicatrices son para siempre) pero si que tenemos que sanar.


No es fácil la tarea, no es fácil echar toda la cólera para fuera, quizás porque hacerlo nos puede obligar a revivir lo que deseamos no recordar… pero he aprendido que la cólera puede ser constructiva si la utilizamos como motivación para la búsqueda de apoyo, de ayuda… si no la usamos a nuestro favor se transformara nuevamente en obstáculo, para nuestro pensamientos, muestra acción.


Se que todo esto es difícil cuando nos sentimos olvidadas, cuando sentimos la falta de respeto, la temeridad, la arrogancia o la ignorancia hacia nosotras mismas.


Cuando nos damos cuenta de lo que estamos haciendo con nuestra propia vida y no queremos aceptarlo y enfrentarlo.


No tengas miedo siéntete, enfréntate deja que la cólera arda hasta que lo contamine todo con su humo y poco a poco (muy, muy lentamente) se apague (aunque no se extingue para siempre).Enfrenten vuestras adiciones,vuestros miedos,vuestras ansias,vuestros fantasmas,vuestros “fallos”.



Miremos aquellas partes de nosotras mismas que no queremos ver: nuestra pasividad, la decepción o la culpa que proyectamos en otros, nuestra avaricia, etc.Es el lugar de la muerte tanto como el da la nueva vida que espera dormida, el momento de la necesaria destrucción y de la sanación.



Durante el descenso atravesamos un periodo de introversión o de depresión, un lento y doloroso autoembarazo en el que desechamos identificaciones. Donde experimentamos un sentimiento de vacío, de exclusión y desvalorización.


Nos sentimos huérfanas, sin hogar, como si todos nos volvieran la espalda, nos dejaran de lado. Nos podemos sentir desnudas y en evidencia, áridas y crudas.


Experimentamos la ruptura.


Solo debemos una cosa a nosotras mismas durante el descenso, concedernos el tiempo necesario y realizar un esfuerzo para renovarnos, para cambiar de piel como la serpiente y transformarnos. No tengan miedo del dolor, no se distancie de el.


Identifiquen las perdidas físicas y emocionales que han experimentado a lo largo de vuestra vida, vuestras decepciones y sueños no realizados, los papeles que habéis jugado y las relaciones que han cambiado o terminado.¿


Como les habéis hecho frente?«El espíritu, podría volar hasta el cielo, pero el alma, ella tiene que ir a sus profundidades, al fondo de sí misma. Lo profundo del ser a lo más profundo de sí.»


Rhoda Lerman

Cairo, dia 22 de Novembro, 2010
O que se segue (do que pode ser conhecido):
1. Revolucao nos meus espectaculos-carreira no Egipto.
Por vezes, sao necessarios os mais graves ataques desleais para nos obrigar a ir mais alem...a injustica e a maldade deixam-me de rastos, em primeira instancia, mas depois transformam-se em combustivel para a bomba atomica que sou.
E assim se aprende a celebrar os nossos inimigos e o poder construtivo que eles podem ter na nossa vida.
Gracas a crapulas e cobras, subo em direccao a sonhos que eu nem suspeitava ter.
2. Proximos workshops em Inglaterra (Londres), Italia (Veneza) e Portugal (Lisboa).
Mais detalhes seguirao brevemente.
3. Outros sonhos e projectos que prefiro ficarem inconfessaveis, pelo menos para ja...deixando as sementes germinar antes de mencionar as belas flores que virao.
4. Tentarei ser a melhor bailarina de Tango que me for possivel. Embora aprenda apenas por prazer, da-me gozo fazer algo - o que quer que seja! - BEM FEITO.
Muito prazer, evasao, alegria ao aprender esta danca sensual e tao humana...



Cairo, dia 22 de Novembro, 2010







Tango e Oriental - que mistura improvavel!











Este meu Gemeos deixa-me tonta (para quem nao apanhou a dica astrologica, explico que o meu signo solar e' Gemeos). Vejo interesse aqui e ali, a sul e a norte, a quente e a frio...o dia tem 24 horas para todos e tenho de dormir...(certo?).







Ja nao me bastava este AMOR da minha Vida - Danca Oriental - para me por a cabecinha a andar a roda mas agora chega tambem o TANGO, em forma de paixao assolapada, arrastando com ele toda a tristeza e nostalgia que possam existir em mim.





E assim comecei as minhas aulas de Tango, depois de o ter experimentado em Buenos Aires (melhor sitio nao havera!).

"El Senor Tango" (maior casa de Tango de Buenos Aires) e a sua orquestra de bandoneones que me fez chorar que nem um bebe sedento do leite da mae.
As minhas duas primeiras aulas com bailarinos conhecidos do mercado e logo ali voando, voando!
Quando me apaixono, e' assim...sem travoes.

Rendi-me a esse desejo antigo de aprender a dancar o TANGO e aqui estou eu, rendida aos seus encantos.
Se falarmos em sensualidade, entao falamos de TANGO.
Danca Oriental e' uma Arte mais de mim para mim. Tango e' uma conversa entre dois coracoes humanos com todas as suas paixoes, instintos basicos, possessividade, amor, erros e acertos.

Mais uma vez e fazendo justica a minha fama de Dona Juana de Marco, aqui esta oficializada a minha mais recente PAIXAO assolapadissima:

EL TANGO!
Para entrar mais a fundo nos porques desta paixao, vao ate ao blog a minha tia Hedone e deliciem-se com o Al Pacino, sentindo o seu perfume de mulher:

Cairo, dia 22 de Novembro, 2010
Vivendo de coracao para coracao...
E procurando as respostas nesse coracao, por mais exausto que ele esteja.
Dancando a partir do coracao.
Pensando e falando, o mais possivel, a partir do coracao.
Agindo a partir do coracao entre transito e gentes desalmados para quem o coracao deixou de existir ou nunca chegou a nascer.
Hhmmmm... desafios...(do coracao).

Saturday, November 20, 2010






























Cairo, dia 20 de Novembro, 2010

Simples prazeres...


Por um par de dias, fui apenas eu...nada de maquilhagens, dores de cabeca e adrenalinas de palco, ensaios, haxixe e copos de cha acucarados da parte dos musicos, a cascata de agua quente dos aplausos, os trajes brilhantes e a correria do costume...



Apenas eu respirando fundo, alguns amigos de qualidade, uma quinta juntinha a Fayoum (oasis que fica a cerca de 1.30h do Cairo), cavalos, deserto (com muita areia comida com gosto!) e uma leoa bebe que fez as minhas delicias e me teve no seu encalco o tempo todo. Irresistivel...




Os prazeres mais simples enchem-me de energia, esperanca, calor, renovada fe na VIDA!




Ver o por-do-sol no deserto enquanto tomo cha com uma querida amiga (com os cavalos correndo, desenfreados, no nosso horizonte), rirmos a beira da fogueira pela noite dentro sentindo essa aragem inconfundivel do deserto, brincar com uma leoa bebe e dar-lhe beijos (sendo, gentilmente, "atacada" pelas suas garras almofadadas), fitar a beleza incomensuravel dos cavalos e ali estar com eles nos estabulos, recebendo o impacto bendito das suas caricias e olhar profundo, ouvir o som de criancas a brincar e tomar o pequeno-almoco de cha com leite e panquecas egipcias feitas no forno da quinta...ahhhh......




Ja nao me apetecia regressar ao Cairo mas novos espectaculos me esperam, novas metas e uma lista de afazeres que se torna, cada vez mais, longa mas tambem aliciante.




Grata pelos ultimos dias de Paz e Beleza.


(Os meus olhos e coracao voltaram renovados e limpos - deve ter sido da areia do deserto e dos escorpioes que por ali andam!).



Wednesday, November 17, 2010

Baladi extravaganza by Joana Saahirah of Cairo

Cairo, dia 17 de Novembro, 2010

Extravaganca baladi...

E e' isto que eu vou fazendo, dancando e vivendo...eu mesma, doa a quem doer ( e doi a muita gente!:)


Cairo, dia 17 de Novembro, 2010


A caminho de Fayoum (oasis perto do Cairo)


Mais uma paisagem, ar, energia novas.

Um par de dias para renovar a alma rodeada de cavalos, silencio (espero eu!) e montanhas acolhedoras.
Escapar ao Cairo, de vez em quando, nao sera apenas um prazer mas uma necessidade basica.
Feliz por ir...como sempre.










Cairo, dia 17 de Novembro, 2010








Cairo, dia 17 de Novembro , 2010




Para Gulosos (pela delicia da VIDA e pelo doce que existe em tudo...)



Agua na boca, tortura lenta que se derrete como o chocolate debaixo do sol, lentamente queimando as nossas absurdas resistencias face ao DOCE que pode ser esta VIDA, se nos a deixarmos ser e a soubermos saborear por esse lado (tudo uma questao de lados).


Aqui esta um blogue para enlouquecer o pessoal do meu clube secreto (proibido mencionar o nome do clube, it's very strict, VIP and SECRET!).


Deliciem-se:
(E que saudades da docaria portuguesa, a melhor do mundo! Os doces egipcios sao, por norma, demasiado embebidos em oleo, com acucar a mais e um sabor a artificial pelo qual nao morro de amores).


Christina Aguilera - Something's Got a Hold On Me (Burlesque)

Cairo, dia 17 de Novembro, 2010

Amor como eu gosto...

Com ALMA, sentimento RELIGIOSO sincero e intenso.....

Love gospel, te quiero!

Tuesday, November 16, 2010

Cairo, dia 16 de Novembro, 2010


E o que eles nao me ensinaram...


Depois de render a merecida homenagem aos meus queridos mestres seleccionados
(porque existiram muitos outros como o genial Yoursy Sheriff que me inspiraram mas que, de certa forma, nao foram tao marcantes na minha vida de Bailarina), aqui vao apenas algumas das coisas que eu tive de aprender por mim propria, a custa de experiencia de vida e alguma - relativa - perspicacia inteligente!

Ninguem me ensinou a interpretar a musica...esse sentido foi encontrado por mim.

Ninguem me ensinou que os contactos sociais e a diplomacia (para nao dizer pior...) conseguem ser mais importantes que talento e profissionalismo.

Ninguem me ensinou que quantidade nao significa qualidade.

Ninguem me ensinou a diferenca clara entre estilos, cores e nuances contidas na Danca Oriental Classica e Folclore egipcio.

Ninguem me ensinou como dar ALMA e ORIGINALIDADE a minha DANCA.

Ninguem me ensinou como dirigir, ensaiar e gerir uma orquestra diariamente e, muito menos, como criar espectaculos novos semanalmente, durante anos, ininterruptamente...


Ninguem me ensinou a escutar a musica com o coracao ou com a alma.

Ninguem me ensinou a SER EU enquanto danco.

Ninguem me ensinou ou mencionou ao de leve o dificil -e espiritualmente compensador - que e' este caminho...

Ninguem me ensinou a brilhar em palco nem o que significa CARISMA (ambos essenciais a um artista).

Ninguem me ensinou a honrar e amar o meu corpo como instrumento de trabalho/arte/vida que ele e'.

E por tudo o que ninguem me ensinou tambem estou grata porque foram estas - e outras - descobertas que tornaram o caminho suportavel, ainda desejavel e FANTASTICO!


Cairo, dia 16 de Novembro, 2010




Honrando os meus mestres




Na Danca Classica Indiana existe uma reverencia merecida aos Mestres que passam o conhecimento desta arte milenar geracao a geracao.


Quando em palco, a bailarina bendiz e agradece o chao que pisa, o Mestre que lhe passou aquele conhecimento e habilidade e Deus.


No meio da Danca Oriental, tende a fazer-se o contrario.


Ja perdi a conta aos muitos alunos a quem ensinei (e que de mim colheram ensinamentos que usam ate hoje como base de tudo o que fazem ou ate tentativas de copiar-me) e que ignoram o meu nome, jamais mencionando que aprenderam comigo.


Triste e revelador do dominante nivel humano em que esta Danca Magica se encontra embora tambem existam muitos outros alunos que, ate hoje, me acarinham e reconhecem pelo que lhes ensinei e com eles partilhei. Uns compensam pelos outros.:)




Eu agradeco os ensinamentos de muitos professores e de tudo e toda a gente que me deu LUZES importantes para aprender a DANCAR e crescer.


Entre os muitos que me ensinaram, eis os que destaco por diferentes razoes:




1. Prisca Diedrich


A pessoa que me deu a primeira aula de Danca Oriental quando eu nem sabia do que se tratava (ter chegado como uma folha em branco, pelo menos naquilo que estava consciente em mim, foi uma bencao).


Com ela fiz a primeira aula e workshop.Com ela aprendi a simplicidade, o aroma original, a leveza e poder curativo desta arte ancestral.


Gostava de poder reve-la, agradecer-lhe pessoalmente e abraca-la.




2. Shokry Mohamed


Outro grande marco na minha vida. Foi o professor com quem eu estudei continuamente enquanto vivi em Madrid (preparando-me para ser actriz!).


Foi ele quem me suspirou ao ouvido que eu seria uma grande bailarina. Eu nao acreditei e ri-me...quanto sabia o Shokry!


Foi tambem com ele que eu viagei ate ao Egipto pela primeira vez. Conhecer o Cairo atraves dos olhos do meu querido professor revelou-se um irresistivel iman que, pouco mais tarde, me levaria a mudar-me para o Egipto...and the rest is history! :)




3. Mahmoud Reda


Pouquissimos comentarios em relacao ao meu amigo, professor, companheiro de sessoes
Gene Keelyanas (o termo foi agora inventado para os amantes inveterados de Gene Kelly) e tanto mais.


Ensinou-me todo o folclore egipcio, coreografia, tecnicas de palco, humildade e generosidade totais. Que mais pedir?


Alem de tudo e acima de TUDO, rimos juntos como ninguem e dancamos pelas ruas de Inglaterra de braco e sorriso infantil nos labios.


O meu marco essencial. Minha inspiracao e carinhoso amigo.




4. Souhair Zaki


Bailarina egipcia (a melhor de sempre, para mim) famosa nos anos 60,70,80s.


Foi com ela que eu me emocionei de verdade ao ver dancar esta misteriosa arte incompreendida.


Com ela aprendi o PODER da delicadeza, da ALMA, do AMOR sincero que se desprende dos movimentos. Aprendi a magia dos olhos fechados em si mesmos quando o silencio dancado diz tudo o que a musica jamais poderia dizer.




5.Md. Raqia Hassan




Criadora do Festival Mundial de Danca Oriental AHLAN WA SAHLAN.


Foi atraves dela que eu conheci os melhores bailarinos e professores do mundo e que tomei contacto com o estilo egipcio moderno. As suas coreografias continuam a fazer avancar aquilo que se faz em termos de Danca Oriental um pouco por todo o mundo.




Foi tambem atraves do seu evento que me chegou esse primeiro impulso de deixar tudo para tras e me lancar ao desafio do EGIPTO.


Mais recentemente, ter recebido o convite para encerrar o ja citado Festival e ensinar na sua proxima edicao constitui tambem o coroar de esforcos, talento e vitorias alcancadas para mim.




Cairo, dia 17 de Novembro, 2010

Pagando o preco da LIBERDADE!


Comecemos pelo assunto menos agradavel e, sinteticamente, digamos o essencial:

A LIBERDADE, especialmente para as MULHERES, tem um preco altissimo.
Quem aceita paga-lo, sofre as consequencias que muito poucos conseguem suportar.
Se juntarmos a esse sentido de Liberdade (que mais parece crime) um ainda mais agitador sentido de DIGNIDADE... o caldo entorna e de que maneira!

Que fazer para mudar o sistema e a forma como a Mulher ainda e' tratada (na minha profissao e no Egipto, em concreto)?

Rebelar-me? Ja o fiz, continua e diariamente.
Nao deixar que me prendam na jaula de ouro que desejam para mim? Tambem nunca deixei.
Gritar, espernear, partir vidros e fazer um escandalo? Nao penso que leve a lado algum e os gritos de uma mulher sao vistos apenas como um incomodativo ataque histerico.

Que fazer? Ja tentei de tudo e o triste facto e' que nem sempre a Justica, a Limpeza e a Verdade prevalecem. Chego a conclusao que mais vale sermos diabos, mal intencionados e mafiosos... parece que o mundo recompensa essas especies e se ri, ironicamente, de quem tenta ser honesto e bom.

Revolta...alguma...muita!

Sunday, November 14, 2010


Cairo, dia 14 de Novembro, 2010


Em palco...



Em palco...SOU FELIZ!


Feliz de Carnaval, feliz de amar sem fim, feliz de nao pensar na VIDA e, ainda assim ou talvez por isso, VIVE-LA, feliz de gelado de morango no meio do Verao, feliz de abraco de crianca, feliz de colo de mae, feliz de enamoramento profundo, feliz de ver o ceu azul brilhando, feliz de dizer " amo-te" e escutar um outro "amo-te" sincero do outro lado, feliz de noite de Natal, feliz de ser totalmente FELIZ!



Embora a alegria da vida real - como lhe teimam em chamar - nao substitua a que se vive em palco, a verdade e' que existe um outro tipo de vida " real" debaixo das luzes e em frente a um publico.

Um lado alimenta o outro...nao posso dancar a alegria senao a tiver vivido " la fora", na vida quotidiana que partilho com a normalidade (???) das gentes.

Nao poderei dancar a tristeza com verdade senao a tiver experienciado do tal lado dito cujo juntos aos tambem ditos cujos "normais" companheiros de quotidiano.

Como posso dancar o Amor e a Paixao senao os tiver sentido na tal " vida real"?


Existem bailarinos-actores. Estes nao necessitam de VIVER para DANCAR.

Eu sou - ou tento ser - BAILARINA-ARTISTA-BAILARINA e isso requere, a par da tecnica e de tantos outros conhecimentos e preparacao, VIVA vivida.
Alem de tudo e acima de tudo, o mais importante permanece: No palco, sou FELIZ...
Feliz de Amor Eterno...e havera felicidade maior que essa?!

Cairo, dia 14 de Novembro, 2010


Improprio para cardiacos (espectaculo Kamikaze...)


Nao, isto de viver e trabalhar como bailarina independente (e livre de "patrocinadores endinheirados" ou, vulgo, os famosos "pachas" do dinheiro que compram as bailarinas a troco de as protegerem e ajudarem na carreira) nao sera o mais incado para pessoas com problemas cardiacos ou nervosos agudos.


Estava eu em casa preparada para um espectaculo calminho em Heliopolis quando me ligam - aflitos - do
NILE MAXIM para substituir a bailarina egipcia Randa Kamel (que partilha o local comigo).


Este pedido ofegante e desesperado chegou-me a menos de uma hora antes do espectaculo que ela, alegadamente devido a uma febre subita (???), nao podia fazer.

Nao havia tempo de reunir todos os meus musicos e faze-los chegar a tempo ao NILE MAXIM (o transito cairota e' um caos!) e, por isso, eu teria de me preparar numa hora e actuar com a orquestra da Randa sem conhecer os musicos nem ter ideia do que se poderia interpretar no espectaculo.


Ora bem....casa cheia...a Randa, supostamente, com o faniquito febril e eu ali de pijama a uma hora de actuar com uma orquestra que nao conheco e que so me conhece pelo nome.


Improprio para cardiacos...mas...como sou, eu mesma, Kamikaze...aceitei ser a salvadora da patria e corri, corri, corri. Tudo pronto numa hora!


Chego ao NILE MAXIM e reuno-me com a orquestra da Randa que olha para mim com deferencia mas, como ja 'e habitual, como se eu fosse uma extra-terrestre (devo ter uma antena que me sai do setimo chakra mas que so eu nao consigo ver!).

Em 15 minutos, combinamos aquilo que se pode improvizar para uma hora de espectaculo.


E la vou eu, confiante, sem ter ideia de como tudo vai sair...apenas com a certeza que, estando eu no palco, ALGO de MAGICO e VERDADEIRO acontecera e, a bem da mesma VERDADE, o publico nao pede mais que isso...e ja pede tanto!


Resultado do espectaculo kamikaze: M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!

Agradeco a Deus mas continuo a defender, com unhas e dentes, que esta vida do lado de ca do Nilo nao e' propria para cardiacos ou desorientados dos nervos...ai isso nao e'...



Cairo, dia 14 de Novembro, 2010


Improprio para cardiacos (espectaculo Kamikaze...)


Saturday, November 13, 2010











Cairo, dia 13 de Novembro, 2010



E assim descubri eu a Deusa que melhor me personifica e da qual mais necessito neste momento (gracas a ti, Rosita, uma vez mais!!!)



E eu que pensava em mim como uma Venusiana inveterada...aqui me descubro, em mais uma faceta tao clara, como a personificacao da DEUSA BAUBO.

Nunca deviamos classificar-nos minimamente porque, pelo que vejo, surpreendemo-nos sempre com o que descobrimos ser, afinal e apesar dos nossos pressupostos...
Talvez sejamos um pouco de tudo, mesmo dos polos contraditorios que compoem a REALIDADE. E, nesse caso, cabe em nos todas as Deusas e Deuses.

Penso que seja mais isso!

Estou fascinada com ela...Baubo...
Deusa do Riso e da Sexualidade vivida de forma saudavel, natural e profundamente conectada com o Amor, o Prazer, as Sensacoes da pele, a ALEGRIA de se estar vivo e assim o manifestarmos...sou EU!!!!!!
O sentir-se bem no proprio corpo e celebra-lo sem vergonhas...sim! Sou eu, definitivamente.
E gosto de me rever neste espelho.:)

Feliz...subitamente, feliz com o que a Deusa diz de mim e de tudo o que se pode fazer a partir da tristeza e do aparente abandono da alma (por cansaco, nao por conviccao!).

Mais informacoes seguirao...
Cairo, dia 13 de Novembro, 2010


"Falemos sempre de qualquer pessoa como se ela estivesse presente."
Fernando Pessoa



Sim, sim, sim.
Mexeriqueiros e mal-dizentos de todo o mundo que nao possuem uma vida rica com que se ocupar, aqui esta uma frase tao simples mas IMPORTANTISSIMA para nela reflectirem e a aplicarem.
O mundo seria tao mais bonito se todos se ocupassem da sua propria vida - e falhas - e deixassem de criticar e mal-dizer os outros pelas costas! Pura cobardia e desperdicio de tempo.

Wake up, people!

Cairo, dia 13 de Novembro, 2010


Dedicado a Rosa Leonor Pedro, companheira de Viagens:)


Sei que te tinha dito que nao diria: Obrigada
uma vez mais mas aqui me contradigo, falto a palavra dada sem envergonhar-me dessa traicao das minhas proprias intencoes.
Eis que te encontro, companheira de Viagens e quem resgata, finalmente, a minha fe e renovado interesse nesse assunto fascinante que sao as MULHERES e suas potencialidades.
Como ja havia comentado, a maioria das mulheres nao morrem de amores por mim. Sempre foi assim...por razoes que prefiro nao destrincar...existem raras - e maravilhosas - excepcoes a regra mas, por norma, o mulherio gostaria de me trincar, aniquilar, cortar as fatias bem pequeninas e servir-me aos corvos.
Os homens, curiosamente, quando se conformam com o meu desinteresse sexual, tornam-se os meus melhores amigos, companheiros de profissao, co-criadores...sempre me dei melhor com o lado masculino da Humanidade e aqui me chegas tu, revertendo a situacao nao pela quantidade mas pela (TUA) qualidade.
E assim me vejo, subitamente, fitando as Mulheres com outros olhos (e a mim, claro esta!) e esperando o melhor delas e nao o pior, como seria usual para mim.
Agradeco-te por isso (contradigo-me, sim...deixa la!).
P.S.
A Beleza que persiste aos anos esta dentro de nos e nao na aparencia fisica.
Estou bem ciente disso, embora me encontre numa profissao que vive, essencialmente, do corpo e daquilo que atraves dele se pode humanamente exprimir.
Nao te preocupes porque alimento a minha mente, o meu coracao e a minha Alma com alimento que vale por todos os espelhos e Narcisos deste mundo.
Nao me perco no veu das Ilusoes... podes ter a certeza disso.

Joana Saahirah of Cairo dancing baladi and tabla improvisation in Egypt

Cairo, dia 13 de Novembro, 2010

E um baladi bem saboreado, como sempre...

Ahhhh....os meus baladis....dizem que sao celebres e eu acho graca a essa "celebridade".

Recebo egipcios e estrangeiros que chegam ao meu espectaculo de proposito para assistir a um dos meus baladis improvisados...se eu mudo o programa e ele nao inclui um dos ditos cujos, o pessoal queixa-se, rebela-se estridentemente e EXIGE-O!

E eu cedo, sem que isso me custe muito. :)

MOV01077

Cairo, dia 13 de Novembro, 2010

Improviso de tabla...

Uma das melhores coisas da vida no Egipto podera ser, para mim, o improviso e as surpresas constantes (boas e menos boas, claro!).

Esse lado surpreendente e imprevisivel da vida por ca esta aqui, nesta improvizacao de tabla, bem expresso atraves da Danca.

Aqui me encontro com a minha tabla/alma gemea, Maradona. Cada espectaculo e' diferente e depende da disposicao e emocao do momento em que eu me encontro, os musicos e o publico. Sempre vivo, em tempo real (so no AGORA) e passional (como eu sempre sou).

Tenho prazer ao rever estas - e outras- loucuras saudaveis!

Joana Saahirah of Cairo dancing Reda Troupe Saiidi

Cairo, dia 13 de Novembro, 2010

E um Saiidi...

Aqui esta um dos temas Saiidi que mais adoro, emprestado do meu querido Mahmoud Reda (o tema foi, originalmente, composto para a Reda Troupe).

A par da Danca Oriental classica (ou moderna), o folclore egipcio enche-me as medidas. Tanta expressao, energia, caracter e um cunho unico que ainda salva a identidade quase perdida deste povo ancestral e, outrora, tao avancado!

A musica e a danca, jamais assumidas pelos proprios egipcios como parte integrante da cultura egipcia, representam o melhor que resta do Egipto que eu amo (apesar de todos os seus defeitos e feridas nao saradas!).

Rihanna - What's My Name? ft. Drake

Cairo, dia 13 de Novembro, 2010

Musica para a jornada...

Rihanna novamente. Adoro a ousadia, as cores, a energia vermelha e passional de todo o video.

Em registo light, aqui fica a musica do dia e da jornada...para que tudo seja mais leve, sensual, natural, colorido a chegar ao garrido...



Cairo, dia 13 de Novembro, 2010





Crescendo na Danca como na VIDA!






Enquanto me encontro no meu sub-mundo, encontro tesouros indescritiveis...isto ca em baixo parece-me fantastico!

Negro, sim.

Lento e denso, sim.

Desagradavel e de cheiro (nao aroma!) pouco apetecivel.

Cheio de esquinas bicudas e precipicios.

Lanco-me no VAZIO, de olhos vendados, nua atirada para o abismo do desconhecido.

La em baixo, tudo sera misterio e possibilidades.

Tenho fe que cairei no melhor chao, o mais profundo e tao mas TAO negro que se tornara BRANCO.

LUZ.

E em mim muda tudo.

Eu.

A minha forma de respirar.

O meu movimento.

A forma como escuto a escuridao possivel no SILENCIO.

A minha danca.

A forma como sinto a comida na boca, como amo e desejo,

como suspiro no ouvido do meu amor...

Vestida de negro, saboreio a morte com a certeza do RENASCIMENTO.

Celebro este Sub-Mundo como a guerreira algo petulante que sempre fui.

Aaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!



Cairo, dia 13 de Novembro, 2010




Olhar egipcio...


Como sera possivel que o olhar fixo da mulher egipcia consiga ser pior e mais prejudicial do que o olhar fixo do homem egipcio?!
Os homens fixam o olhar com desrespeito, assedio sexual e curiosidade mas as mulheres egipcias fixam-no com inveja, pensamentos negativos de cobica e odio. Para mim que nao costumo olhar para o jardim do vizinho do lado, tudo isto me parece terrivelmente perturbador.
A reaccao das mulheres egipcias mais velhas e' um pouco mais benevola, regra geral. Elas ja nao se consideram em competicao comigo pela atencao dos machos
(machos, machos...hhuuummmm....ma non troppo...macho e' um termo muito discutivel, tanto por ca como pelo Ocidente...onde andam eles, os verdadeiros MACHOS??? Talvez vestindo saias e pintando os labios de vermelho!).
As mulheres egipcias da minha geracao ou ate mais novas lancam olhares mortiferos, fixos, sem timidez de serem apanhadas no processo mesquinho da inveja. Parece que, culturamente, querer aquilo que a OUTRA possui de belo e bom e' tao natural e comum como o desejo de casar e ter flihos (objectivo prioritario para a maioria das mulheres egipcias e arabes).
No Ocidente, a inveja existe (se existe!) mas nao e' culturalmente aceite como algo normal. No Egipto, tudo de negativo na psique humana parece ser normal.
Quero aquilo que tu es, tens, amas... como um jogo perverso de criancas que lutam pelo mesmo boneco sem sequer gostar muito dele. E' so porque a OUTRA o tem...
Esta manha fugi de mais um desses olhares fixos de uma mulher que treinava no ginasio ao meu lado. Ela parou e ficou ali a olhar para mim durante o que me pareceu uma eternidade com uma intensidade e uma maldade que os homens nao possuem. Senti-me mais incomodada do que se tivesse sido um homem a assediar-me...bizarro, deveras bizarro!
Considero seriamente virar-me para o lado da Brigitte Bardot e adoptar a companhia amorosa dos animais, renunciando a este lado humano da existencia que mais me parece - na maioria dos casos - uma camara dos horrores.



Cairo, dia 13 de Novembro, 2010














Vou la a baixo (a minha cave)

e ja volto!











Para alguem SOLAR, por excelencia, como eu ter de descer ate as suas proprias aguas profundas (com todo o lodo, lama e escuridao que por la se encontram) e lidar com o lado menos agradavel da Vida nao sera, com certeza, a coisa mais apetecivel do mundo mas...como fugir a realidade?!



Entre os defeitos que tambem terei (teimosia, volatilidade, etc e etc com toda a certeza!!!:), nao se encontra a COBARDIA.

Por essa razao e, fazendo justica a minha legendaria coragem (a la Joana D'Arc!), mergulho bem fundo no sub-mundo das emocoes e da REALIDADE humana.



Sera que consigo ir e voltar ilesa? Ou melhor...sera que consigo ir e regressar ai a cima mais forte e sabia?! Espero que sim. Peco a todas as Deusas que me acompanhem na viagem descendente, no despojamento dos adornos (so assim se atinge a completa e necessaria vulnerabilidade) e que me abrace com sabedoria e amor no regresso ao mundo de LUZ onde teimo em viver.



A Danca tambem sera inserida nesta viagem...imagino-me assim, pronta para uma pererinacao a um profundo subterraneo cheio de sombras e monstros. Vou avancar sobre eles, como sempre fiz, sorrir-lhes e dar-lhes a mao com a coragem dos loucos (a minha!) e descobrir que, afinal, estes monstros de sete cabecas sao apenas o lado fragil de toda a BELEZA. A face pobrezinha (mas existente) da mesma moeda que eu empunho sempre com POSITIVIDADE e AMOR.



Quando enfrentamos os nossos medos, eles desaparecem.

Lugar comum.:)

Vou la a baixo confirmar este pressentimento e depois conto como foi a viagem. Nao prometo fotografias mas um relato sincero que resulte em mais um renascimento. Mais um...o melhor de todos, so far...






" DESCIDA AO SUB-MUNDO


Inanna era a Rainha do Céu e da Terra, mas não sabe nada do submundo e sua missão agora é desvendar seus segredos.



Ela descerá para presenciar os rituais de sepultamento de Gugalana (grande touro do céu), marido de sua irmã-avó Ninlil-Ereshkigal, Rainha do Submundo que reinava sobre os sete infernos dos submundos médio-orientais. Inanna deveria testemunhar de modo presente a sombra reprimida do Deus celeste, o fato dele ter sido um estuprador e por isso mandado para o mundo subterrâneo como castigo.


Mas Inanna prepara uma estratégia de resgate, caso ela não retornasse da jornada em três dias.



A Deusa já pressentia que precisaria de ajuda e confia o seu salvamento à Ninshubur, sua executiva de confiança.

Inanna havia pedido para pedir ajuda ao deus celeste Enlil, o pai supremo universal, depois a Nanna-Sin, seu pai pessoal e deus lunar e, finalmente, até Enki.




Haviam sete portais que Inanna deveria cruzar rumo ao seu objetivo final. Em cada uma destas portas se vê despojada de seus instrumentos de poder, desde sua coroa até suas vestes. No sétimo e último portal, totalmente nua encontra-se com Ereshkigal, sua irmã e rival. A retirada de todos seus pertences se faziam necessário, porque o "ego" tentaria se defender com todos os seus poderes conscientes.




A coroa de Inanna, por exemplo, significava o seu poder intelectual.

Suas jóias e adornos, simbolizavam seu poder de agir e a sua habilidade crítica de julgar.



As suas vestes reais, seriam as defesas de seu psique e uma das formas de proteção contra tudo e todos.



Totalmente nua, seria a única forma com que Inanna poderia se relacionar com sua sombra.





Neste estado vulnerável, Inanna enfrenta sua irmã (sua sombra), é presa e crucificada num poste do mundo inferior, constituindo-se numa imagem de divindade feminina agonizante. Como qualquer iniciada, ela se rende corajosamente ao próprio sacrifício, para ganhar nova força e conhecimento. Como a semente que morre para renascer, a Deusa se submete.


Sozinha e na escuridão, Inanna decompõe-se.



Mas nem tudo está perdido, esta experiência e a aceitação de sua vulnerabilidade, a descoberta da necessidade do sacrifício e da morte para que os ciclos da vida se perpetuem, aumentam o poder de Inanna, assim como sua compreensão e beleza.



Inanna oferece-se em sacrifício, testemunha a morte das forças férteis e traz a si mesma como semente. E de sua imolação voluntária depende a continuidade da criação.



A idéia fundamental é de que a vida só pode nascer do sacrifício de outra vida.


É Ninshubur que dá o alarme depois que Inanna se ausenta por mais de três dias, conclamando mulheres e homens e pedindo a intercessão dos deuses celestes em favor da Deusa. Ambos os deuses, o celeste e o lunar, recusam-se ou não ousam resgatar Inanna do local de estagnação do Mundo Inferior.


É somente de Enki que receberá ajuda. Ele é o deus da sabedoria, que mora no fundo do abismo.



Em vários mitos ele aparece ao lado de Inanna. Da sujeira que estava embaixo das suas unhas pintadas de vermelho de uma de suas mãos ele cria Kurgarra e da sujeira da outra, Kulatur. Eles são descritos como "devotos assexuados" ou criaturas nem macho nem fêmea. Estas criaturas, representam a atitude fundamental para atrair as bênçãos da Deusa Escura.
Quando tais criaturas chegam ao Submundo para resgatar Inanna encontram Ereshkigal com dores de parto sofrendo terrivelmente. Os carpidores de Enki aproximam-se da Deusa, vendo e sentindo o seu sofrimento, lamentando com Ereshkigal.
Quando ela diz:
-"Ai, está doendo dentro de mim!"
Eles respondem:
-"Ai! Tu que gemes, nossa Rainha. Ai! Está doendo dentro de ti!"Quando ela diz:
-"Ai, está doendo fora de mim."
Eles ecoam:
-"Ai! tu que gemes, nossa Rainha. Ai! Está doendo fora de ti".
O eco compõe uma litania, transforma a dor em oração e poesia.
A miséria escura da vida se transforma em canção da Deusa. Estabelece a arte como uma resposta solidária, reverente e criativa às paixões e dores da vida. O que agora jorra de Ereshkigal não é mais destruição, mas generosidade.
Ereshkigal, grata pela ajuda das criaturas, resolve recompensá-los. Eles pedem o corpo de Inanna que está pendurado e ela entrega-o. Inanna está transformada, generosa e benéfica. Deu-se um milagre pelo seu sacrifício e por Enki ter tomado a atitude adequada. A fertilidade do touro do céu que havia morrido renasce no útero sombrio. Inanna é reintegrada na vida ativa entretanto, ela volta dentro de uma atmosfera demoníaca, pois está rodeada pelos pequenos demônios impiedosos de Ereshkigal, cuja tarefa é reivindicar os mortos. Eles devem exigir um substituto para levarem ao mundo subterrâneo e Inanna retorna com seus próprios "olhos de morte" para escolher o bode expiatória
Descobre então, que Damuzzi (seu marido), em sua ausência usurpara-lhe o lugar no trono do céu. Ficou colérica e permitindo que os demônios lhe prendessem e o levassem. Depois sentiu pena dele e apelou a Ereshkigal para que o liberassem. Entretanto, lhe foi permitido tão somente uma troca e Geshtinana (Deusa dos caniços de papiro), a irmã de Damuzzi se oferece para alternar com ele a permanência no reino de baixo. Ela atuará como um apoio para a dimensão do sofrimento do irmão.
Assim, durante o outono e inverno, Damuzzi permanece no inferno e as colheitas não se reproduzem, enquanto que na primavera e verão, ele sai da terra para participar do reino de cima e a colheita é farta.
Esta é a origem da celebração do ano sumeriano.
O mito da descida e retorno de Inanna está centrado no arquétipo do intercâmbio de energia através do sacrifício. Ele revela uma complexidade: o touro celeste é morto e a terra perde então seu princípio fecundador, mas é recompensada pela amolação da Deusa Inanna, que torna-se a carne do submundo, seu alimento e fertilizante apodrecido que, em troca, é resgatado a partir das origens de Enki.
A ascensão da Deusa deve ser paga pelo nascimento de alguma coisa monstruosa das entranhas de Ereshkigal, pelo sofrimento e, finalmente, pela descida de uma oferenda substitutiva.
Em seu aspecto benéfico, Ereshkigal podia permitir aos humanos a retirada de riquezas de seu reino como: pedras preciosas, metais e petróleo, mas não antes de ser devidamente honrada. Como aspecto de Anciã da deusa e irmã de Inanna, Ereshkigal regia a magia negra, a vingança, a retribuição, as Luas Minguante e Nova, a morte, a destruição e a regeneração.Inanna marcha com determinação para o mundo inferior, indo de maneira ativa e consciente para o auto-sacrifício. É assim que a mulher moderna tem que aquiescer e cooperar na introversão e regressão necessárias ao mundo subterrâneo, o mundo dos níveis arcaicos e mágicos da consciência.

Deve descer para encontrar seus começos instintivos e encarar a face da Grande Deusa, e a sua própria antes de ter despertado para a consciência. Deve ir até a matriz das energias transpessoais antes de elas terem sido liberadas e tornadas aceitáveis. É o sacrifício do que está em cima em favor do que está embaixo.A Terra e o Mundo Subterrâneo vistos como uma descida, e também como um processo de transformação, não apenas correspondem à experiência de muitos indivíduos em processo de individualização, mas ainda, pode demonstrar que se trata de um evento coletivo da cultura moderna como um todo."



TEXTO gentilmente cedido pela minha querida Rosa Leonor Pedro (obrigada, Rosinha!)