Cairo, dia 14 de Maio, 2010
“A insustentável leveza do Ser”
Este é um título roubado a um célebre livro do autor Milan Kundera (livro esse que eu nunca li).
A razão pela qual a insustentável leveza do Ser me visitou a meio de uma manhã cheia de insónias e desatinos (tudo o que ainda há por fazer na minha vida e tudo o que de imprevisível pode acontecer e assim, mudar o rumo de tudo o que tinha previamente sonhado) ainda me é desconhecida mas tenho algumas pistas.
Li algures que, para fazer Deus rir, bastava contar-lhe os nossos planos de vida.
Esta verdade cruel – e, simultaneamente, consoladora – deixa-me, cada vez mais, com uma confusão recorrente: até que ponto sou eu que defino, com os meus pensamentos, intenção e acções concretas, o rumo da minha vida?!
É certo que os meus maiores sonhos se estão a realizar, passo a passo, diante dos meus olhos surpreendidos mas, quando se alcançam certos objectivos (por maiores que eles sejam), novos sonhos começam a nascer no nosso horizonte de desejo.
Ser leve e despreocupada, saber deixar-me levar pela corrente da Vida enquanto dou o meu melhor e tento, por tudo, realizar aquilo a que me propuz é uma forma de Arte que vou tentando dominar.
A insustentável leveza do ser! Porque será tão insustentável?
Porque será que existe uma parte de nós que nos prende à terra e nos relembra que o Ser humano – com a sua incrível mente que é anjo e demónio eterno – possui sombras, zonas pequenas do Ser e uma incapacidade quase inata de se manter desequilibrado e em constante busca de equilíbrio.
Cheguei a uma altura crucial da minha vida e é aqui que busco, mais que vitórias e momentos de extâse, a simples capacidade de me sentir LEVE. A sustentável leveza que me é dada quando percebo que nada é, realmente, importante.
Se morresse amanhã e tudo o que realizei e ainda vou realizar não tivesse acontecido, o mundo não se deteria nem uma fracção de segundo. A máquina do Universo continuaria a rolar, a rolar, imparável na sua Sagrada e magnífica matemática.
Homens e mulheres continuariam a procriar, a ir e a vir, a falar e a trabalhar como sempre o fizeram.
Nada do que eu faça é assim tão importante e, no entanto, é urgente e indispensável que o faça.
Esta é a minha própria ideia de como viver com uma pacífica sustentável leveza do Ser.
Wednesday, May 19, 2010
Cairo, dia 13 de Maio, 2010
“Rotundo sucesso na América Latina e mais um regresso à Casa da Loucura”
Peço desculpa aos queridos seguidores do meu blogue (em versão portuguesa), aos assumidos e aos não assumidos (que conheço, um a um, devido a um maravilhoso e diabólico sistema de identificação de todos os que visitam este blogue).
Bem disse que trataria de actualizar apenas a versão inglesa (www.joanabellydance.blogspot.com) por falta de tempo e o prometido é devido.
Desde que saí do Cairo rumo à América Latina, os seguidores portugueses ficaram a chuchar no dedo e por isso as minhas desculpas (sugiro que façam uso do inglês que aprenderam na escola!).
Assim, em modos conclusivos e para não deixar o pessoal totalmente defraudado, aqui vão alguns flashes do que aconteceu de mais importante nestas duas últimas semanas:
1. Dei graças a Deus por ter sido recebida com total amor e admiração por públicos e alunos da Colombia e da Argentina, onde actuei e ensinei com um sucesso estrondoso (graças, graças a Deus!).
2. Não poderia ter previsto as consequências do sucesso na América Latina nem a forma como ali fui atirar mais uma enorme pedra ao charco. Vi que a Dança Oriental se transformou em negócio fácil para muita gente que não percebe minimamente de Arte e que é urgente mostrar a verdadeira BELEZA e RIQUEZA desta Dança e de toda a cultura milenar que está por trás dela.
3. Comecei a ter aulas de Tango em Buenos Aires (melhor sítio não haveria) e apaixonei-me, como era de esperar, por esta danca. Comprei sapatos de tango e já ando à procura de escolas no Cairo onde possa continuar a aprender. Milongas cairotas, aqui vou eu...
4. Aprendi que o marketing e a capacidade de negócio fazem milagres (e muito dinheiro!) mas não alimentam a alma das pessoas. Só a verdadeira ARTE consegue essa proeza.
5. Tenho recebido centenas de mensagens de pessoas (homens e mulheres) que estiveram presentes nalgum dos meus espectáculos e/ou workshops na América Latina e não me surpreende que muitos destes me façam chorar como uma autêntica histérica Maria Madalena.
6. Senti, mais uma vez, que tudo o que semeamos dá frutos. Ao partilhar a minha Arte e Visão da Dança Oriental com centenas de alunos e pessoas por esse mundo fora, entendi que a VERDADE (impessoal e transmissível) se reconhece mutuamente. Quando falamos, agimos e dançamos/criamos a partir desse lugar Sagrado de TOTALIDADE que existe dentro de nós, os Outros (que não são mais do que espelhos de nós próprios) reconhecem a sua própria Sacralidade em nós.
7. O artista é o Espelho límpido de todo o Ser humano.
8. Percebi que sou amante dos aplausos sentidos e que dispenso os protocolos e os elogios que são apenas lambe-botas.
9. Descobri que existe uma loja na Colombia – STUDIO F – que me converte numa maníaca de consumo que sempre me orgulhei de não ser. Roupas desenhados por estilistas colombianos baseadas na influência indígena e colonial que definem aquele país.
10. Aprendi que a Colombia – e Medellin, em particular – é um sítio famoso pelo tráfico de droga (Pablo Escobar e o seu multi-bilionário negócio de cocaína tornaram-se lenda!) e que o dinheiro apaga remorsos e adormece consciências a muito “boa gente”.
11. Descobri que Buenos Aires é uma mistura de tango, esquinas assombradas iluminadas pelos famosos longos candeeiros de rua da cidade e Paris. Dizem que é a cidade mais europeia da América Latina. Acho que concordo.
12. Bebi cappuccinos coloridos e comi gateaus de “creme de leche” (creme de leite típico da Argentina) em cafés chiques de Buenos Aires enquanto lia Jorge Luís Borges (Prémio Nobel da Literatura argentino) e a minha revista Vogue. Isto fazia-me sentir muito bem (não sei bem porquê!?).
13. Apercebi-me que o Tango é mil vezes mais sensual e sexual do que a Dança Oriental mas ninguém parece reparar nisso.
Também me apercebi que no Tango se mostra mais pele e carninha do que na Dança Oriental mas, ainda assim, ninguém parece reparar nisso. A Dança Oriental, por várias razões que o Diabo poderia destrinçar, parece ser o bode espiatório de todas as perversões e fraquezas humanas.
14. Aprendi que adoro Tango (pela sua sensualidade, pela sua sexualidade franca, pela paixão fatal que representa, pela poesia realmente amorosa que se desenha com os pés/pernas, pelo diálogo de fogo que acontece entre dois corpos unidos por um abraço eterno).
15. Senti o calor do reconhecimento do meu trabalho e vi que todo o percurso de vida tem valido a pena . Porque a Alma nunca é pequena (graças ao nosso Luís Vaz de Camões e à sua famosa frase: ” TUDO VALE A PENA QUANDO A ALMA NÃO É PEQUENA”).
“Rotundo sucesso na América Latina e mais um regresso à Casa da Loucura”
Peço desculpa aos queridos seguidores do meu blogue (em versão portuguesa), aos assumidos e aos não assumidos (que conheço, um a um, devido a um maravilhoso e diabólico sistema de identificação de todos os que visitam este blogue).
Bem disse que trataria de actualizar apenas a versão inglesa (www.joanabellydance.blogspot.com) por falta de tempo e o prometido é devido.
Desde que saí do Cairo rumo à América Latina, os seguidores portugueses ficaram a chuchar no dedo e por isso as minhas desculpas (sugiro que façam uso do inglês que aprenderam na escola!).
Assim, em modos conclusivos e para não deixar o pessoal totalmente defraudado, aqui vão alguns flashes do que aconteceu de mais importante nestas duas últimas semanas:
1. Dei graças a Deus por ter sido recebida com total amor e admiração por públicos e alunos da Colombia e da Argentina, onde actuei e ensinei com um sucesso estrondoso (graças, graças a Deus!).
2. Não poderia ter previsto as consequências do sucesso na América Latina nem a forma como ali fui atirar mais uma enorme pedra ao charco. Vi que a Dança Oriental se transformou em negócio fácil para muita gente que não percebe minimamente de Arte e que é urgente mostrar a verdadeira BELEZA e RIQUEZA desta Dança e de toda a cultura milenar que está por trás dela.
3. Comecei a ter aulas de Tango em Buenos Aires (melhor sítio não haveria) e apaixonei-me, como era de esperar, por esta danca. Comprei sapatos de tango e já ando à procura de escolas no Cairo onde possa continuar a aprender. Milongas cairotas, aqui vou eu...
4. Aprendi que o marketing e a capacidade de negócio fazem milagres (e muito dinheiro!) mas não alimentam a alma das pessoas. Só a verdadeira ARTE consegue essa proeza.
5. Tenho recebido centenas de mensagens de pessoas (homens e mulheres) que estiveram presentes nalgum dos meus espectáculos e/ou workshops na América Latina e não me surpreende que muitos destes me façam chorar como uma autêntica histérica Maria Madalena.
6. Senti, mais uma vez, que tudo o que semeamos dá frutos. Ao partilhar a minha Arte e Visão da Dança Oriental com centenas de alunos e pessoas por esse mundo fora, entendi que a VERDADE (impessoal e transmissível) se reconhece mutuamente. Quando falamos, agimos e dançamos/criamos a partir desse lugar Sagrado de TOTALIDADE que existe dentro de nós, os Outros (que não são mais do que espelhos de nós próprios) reconhecem a sua própria Sacralidade em nós.
7. O artista é o Espelho límpido de todo o Ser humano.
8. Percebi que sou amante dos aplausos sentidos e que dispenso os protocolos e os elogios que são apenas lambe-botas.
9. Descobri que existe uma loja na Colombia – STUDIO F – que me converte numa maníaca de consumo que sempre me orgulhei de não ser. Roupas desenhados por estilistas colombianos baseadas na influência indígena e colonial que definem aquele país.
10. Aprendi que a Colombia – e Medellin, em particular – é um sítio famoso pelo tráfico de droga (Pablo Escobar e o seu multi-bilionário negócio de cocaína tornaram-se lenda!) e que o dinheiro apaga remorsos e adormece consciências a muito “boa gente”.
11. Descobri que Buenos Aires é uma mistura de tango, esquinas assombradas iluminadas pelos famosos longos candeeiros de rua da cidade e Paris. Dizem que é a cidade mais europeia da América Latina. Acho que concordo.
12. Bebi cappuccinos coloridos e comi gateaus de “creme de leche” (creme de leite típico da Argentina) em cafés chiques de Buenos Aires enquanto lia Jorge Luís Borges (Prémio Nobel da Literatura argentino) e a minha revista Vogue. Isto fazia-me sentir muito bem (não sei bem porquê!?).
13. Apercebi-me que o Tango é mil vezes mais sensual e sexual do que a Dança Oriental mas ninguém parece reparar nisso.
Também me apercebi que no Tango se mostra mais pele e carninha do que na Dança Oriental mas, ainda assim, ninguém parece reparar nisso. A Dança Oriental, por várias razões que o Diabo poderia destrinçar, parece ser o bode espiatório de todas as perversões e fraquezas humanas.
14. Aprendi que adoro Tango (pela sua sensualidade, pela sua sexualidade franca, pela paixão fatal que representa, pela poesia realmente amorosa que se desenha com os pés/pernas, pelo diálogo de fogo que acontece entre dois corpos unidos por um abraço eterno).
15. Senti o calor do reconhecimento do meu trabalho e vi que todo o percurso de vida tem valido a pena . Porque a Alma nunca é pequena (graças ao nosso Luís Vaz de Camões e à sua famosa frase: ” TUDO VALE A PENA QUANDO A ALMA NÃO É PEQUENA”).
Monday, May 17, 2010
Cairo, dia 17 de Maio, 2010
Imagens da America Latina - PARTE III
1. Colombia em todo o seu esplendor natural. A presenca indigena que os colonos nao puderam apagar totalmente, a vitalidade de uma Natureza selvagem. Lindo, lindo, lindo!
2. Restaurante tipico em Medellin, Colombia. As cores vibrantes da America Latina encantam-me.
3. BANDEJA PAISA, prato tipico de camponeses colombianos, mais especificamente, de Medellin.
Cairo, dia 17 de Maio, 2010
Imagens da America Latina - PARTE II
1. Mate. Bebida tradicional da Argentina campestre e citadina. Ferve-se em agua uma mistura de ervas e madeira de uma arvore especifica e voila...uma bebida estimulante que oferece energia para o trabalho no campo. e muito mais.
2.Encostada a uma parede junto a casa de espectaculos SENOR TANGO. Um musica tocando bandoneon esta pintado nesta parede que me fascinou. Nao sera por acaso que o bandoneon (da familia do acordeao) e um dos meus instrumentos preferidos.
3.A minha primeira aula de Tango.
O professor chama-se David e eu chamo-me Sra. Desajeitada. Mesmo assim, nao me sai mal.
O Tango constitui um novo desafio para mim por varias razoes. A liberdade criativa e de vontade que tenho na Danca Oriental nao existe da mesma forma no Tango e existem dois corpos - nao um - em sintonia, sentindo a musica em plena interaccao. Apresentam-se varias dificuldades, especialmente para quem esta habituado a dominar.
Yeah...that's me!
Cairo, dia 17 de Maio, 2010
Imagens da America Latina - PARTE I
1. Loja de artigos para a pratica do Tango. Aqui comprei os meus dois primeiros pares de sapatos para as aulas que se seguirao no Cairo. Tango, aqui vou eu...
2. Eu e a estatua de Carlos Gardel, o autor/interprete de Tango mais famoso da Argentina.
3. Eu, Mayra e Gena em Buenos Aires. Ternura, ternura, ternura.
Cairo, dia 17 de Maio, 2010
Depois do grandioso sucesso na America Latina, mais uma etapa no Egipto...
Regressar ao Cairo - a um calor abrasador num mes de Maio imprevisivel - depois do sucesso fabuloso que foram os festivais na America Latina foi sentido como um balde de agua fria em pleno Polo Norte.
Por varias razoes, ja nao me apetecia sair daquele sonho maravilhoso de beijos, abracos, aplausos sentidos e um reconhecimento mundial do meu trabalho que sera, obviamente, o resultado de tudo pelo que tenho lutado e sonhado desde que cheguei deixei Portugal, ha cinco anos atras.
Ninguem - excepto eu mesma, que o sonhei - podia prever o rumo que tomaria a minha carreira. Por tudo o que ja vivi e pelas bencaos que ainda estao por vir, agradeco a Deus e vou pedindo saude e inspiracao para dar sempre o meu melhor.
Aqui vao algumas imagens da minha passagem inesquecivel pela America Latina.
Tuesday, May 4, 2010



Buenos Aires (Argentina), dia 3 de Maio, 2010
Primeiros flashes da America Latina...
Queridos seguidores portugueses,
Sera com muita pena que vos informo que nao conseguirei actualizar ambos os blogues (versao portuguesa e inglesa) nos dias que se seguirao e, por isso, coloquem os vossos talentos linguisticos em funcionamento e leiam a versao inglesa.
Entre trabalho nos grandes festivais da Colombia e da Argentina, visitas turisticas, aulas de tango (yes!!!) e aeroportos cada vez mais infernais e burocraticos, nao tenho tempo nem cabeca para escrever e actualizar dois blogues simultaneamente.
Por isso, venha de la o vosso ingles e leiam o que vou conseguindo escrever em:
www.joanabellydance.blogspot.com
NOTICIAS EXPRESS (estilo telegrama):
1. O evento da Colombia foi maravilhoso.
Alem de actuar e dar um workshop cheio de momentos lindos, ainda tive o privilegio de conhecer Medellin (cidade dos PAISAS, camponeses famosos por toda a Colombia)e fazer amizades com outras bailarinas com quem partilhei tantas mas tantas gargalhadas e momentos inesqueciveis.
2. Ja cheguei a Buenos Aires onde darei dois bombasticos workshops e actuarei numa gala cheia de pompa e circunstancia com a orquestra mais famosa da America Latina (pertencente a Mario kirlis).Estou muito feliz e excitada!
Buenos Aires faz-me lembrar Lisboa. Muito.Ando em busca de Tango, Tango, Tango.
Aulas, espectaculos, livros, dvds...o que seja. Sera um crime sair de Buenos Aires sem saber um pouco mais sobre esta danca tao apaixonante.
3. Sinto-me privilegiada e colhendo frutos, cada vez mais, de todo o trabalho e sacrificio que tenho vivido em prole da minha carreira.
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