Tuesday, July 19, 2011



Usando da magia alheia, (acon)chegadinha do meu blogue favorito...


Obrigada a Renata Lobo por estas sintonias tao bonitas!


"Procuro despir-me do que aprendi
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emocoes verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu."

Alberto Caeiro

Assim me apaixonei, tal Cazanova, por mais esta real beleza posta sob a forma de palavras do heterónimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro.
O homem do campo, o rústico que só percebe e indaga sobre as cerejas e o sol que as faz crescer.
Porque só os simples acedem a pérolas destas!

Obrigada, Daniela, pela partilha desta maravilha...

Tuesday, July 5, 2011







"A palavra impossível foi


inventada por alguém que DESISTIU."



Pedro António de Oliveira


In: www.renataloboventre.blogspot.com

Joana Saahirah of Cairo dancing Om Kolthoum




WORKSHOP OM KOLTHOUM, DIA 27 DE AGOSTO EM PORTUGAL,

POR JOANA SAAHIRAH DO CAIRO!

Eis uma razao para sorrir no meio do caos egípcio: o meu primeiro workshop temático sobre a música, mundo e riqueza da música da DIVA ETERNA OM KOLTHOUM.

Este é o DESAFIO MAIOR para todos os estudantes de Danca Oriental e até para profissionais.

No Egipto, as raras bailarinas que SABEM dancar Om Kolthoum sao vistas como uma espécie de raridade e respeitadas como deusas. Porque será?

A primeira e única bailarina que terá compreendido a subtileza do universo de Om Kolthoum foi Souhair Zaki, com quem tive a honra de estudar.

NESTE WORKSHOP, partilharei com os alunos a técnica, música e compreensao do mundo de
Om Kolthoum ensinando vários excertos coreográficos emblemáticos a mistura com informacoes adicionais que aprofundam e solidificam a forma como a BAILARINA dancara daí em diante.



SÁBADO, DIA 27 DE AGOSTO, NO INSTITUTO PORTUGUES DA JUVENTUDE, PARQUE DAS NACOES (LISBOA)!

Todas as informacoes sobre horário, precos e forma de inscricao no FACEBOOK e através do email: dancemagica@gmail.com


Porque algumas criacoes nao nascem da mente mas do sub-solo do mais fundo de nós.

Em processo de criacao e RE-CRIACAO...quem diria que cavar batatas seria tao árduo e cansativo? Eu devia sabe-lo, sendo proveniente de família de camponeses, pessoal da terra!


Cavando o terreno, esgravatando, indo lá a baixo, onde só as águas mais espessas e essenciais fluem.

Em direccao ao MAR.


Coreografia/improvizacao.



E eu que julgava que escrever o meu próprio livro, alimentado durante anos de experiencias e ensinamentos dos mais desafiantes que existem!, era suficiente para improvizar a uniao de palavras e daí fazer nascer o meu rebento literário...

Quando descubro, a custo, que isto de escrever um livro da minha autoria com a responsabilidade da publicacao e propagacao massiva da minha PALAVRA é, afinal, um trabalho COREOGRÁFICO do mais assustador que há.


Eh, lá...isto de mandar postas de pescada nuns blogs, artigos daqui e dali e revistas passageiras é divertido e muito "light".

Assumir a responsabilidade e o tremendo terror de escrever o meu próprio livro, com tudo o que de TOTAL honestidade isso contém, pode ser comparado a um trabalho coreográfico feroz, sem concessoes, sem muletas, sem desculpas de qualquer espécie.


E coloca-se a questoa: que movimentos usar/que eventos revelar? E quanto de mim dar? E quao vulnerável ser no esparramar da minha vida mais profunda ali em cima de um ecra branco, pronto a colher todos os segredos que tornaram possível ser quem eu SOU hoje.


E tudo isto me custa porque sou uma improvizadora nata. Gosto da palavra rápida, quase inconsequente, daquelas que nos tocam ao de leve e seguem caminho sem deixar cicatrizes na pele de ninguém.


Isto de escrever um livro é tocar na ferida, na minha e na dos outros. Dos muitos outros que compoem as páginas do livro e dos tantos outros que o vao ler, Inshah Allah!:)


Embora seja uma improvizadora nata, aqui estou eu - nesta travessia dura de mais um deserto - entrando no mundo eterno e cristalizado da COREOGRAFIA. Juntando palavras como se juntam passos de danca, escolhendo movimentos como se escolhe o termo mais essencial a uma descricao qualquer.


Redescobrindo a minha natureza. E sabendo, enfim, que ninguém está a salvo da mais total vulnerabilidade e que a COREOGRAFIA, por mais assustador e definitiva que seja, VALE a PENA ver a luz do dia.

Com todas as suas imperfeicoes e com o clássico:" Poderia fazer melhor que isto".


Mergulhando nas minhas próprias limitacoes ou naquilo que eu imagino que elas sao.

Será a isto que se chama INTELIGENCIA?
Sentidos.











De todos os sentidos que os egípcios possuem, eis aquele que mais me encanta:



sentido de humor!



Considero-a uma das qualidades mais subvalorizadas e, de forma contrastante, mais úteis ao instinto de sobrevivencia humano.



No extremo da tristeza, ruína ou choque, só os loucos ou sábios decidem RIR. É que nao passa pela cabecinha de ninguém - ou passa?! - inventar piadolas de quinta categoria e rir de si mesmo e da mais extrema desgraca...mas os egípcios sao peritos nessa arte pouco apreciada de escapar ao precipício escuro da dor de onde já nao se regressa e nisso se tornaram PERITOS.




Observo os meus conterraneos e suas quotidianas dificuldades e crueldades. Parece que, de tanto apanhar, já nao sentem dor. Talvez isso lhes permita a criacao contínua e compulsiva de piadas. Talvez o revés da dor repetida seja o riso repetido. Talvez a tragédia tenha mais de comédia do que a própria comédia. Talvez...

E, apesar das suas escuridoes e incompreensíveis atitudes, é com os egípcios que eu aprendo - dia a dia - a ARTE sublime do riso que nasce da dor. O sorriso que brota de uma lágrima.
O sentido de humor encaixado - atabalhoada ou, simplesmente, HUMANAMENTE - no meio do mais caótico sofrimento.

Ah, e a esperanca renascida do meio das cinzas da maior frustracao e de tantas aparentes "impossibilidades".
Grata aos egípcios, meus mestres.