Monday, December 3, 2012

Com a Rússia no Coração* (ainda e sempre).

Fotografia tirada durante o espectáculo de encerramento do Festival Europa-Ásia (Ekaterimburgo, Rússia).
Memórias de um espectáculo, evento, pedacinho de Vida inesquecíveis.
Amo-te, Rússia.

Sunday, December 2, 2012

A cauda do dragão Versus os Clones.

Quanto mais me re-encontro na Dança Oriental mais claramente VEJO que fui ao Egipto resgatar aquela que chamo " a cauda do dragão" (ou os resquícios de uma Linguagem Antiga que fala de Alma para Alma - a Essência da Dança Oriental Egípcia, minutos antes da sua morte e - presentemente - funeral).


Descubro que esta Dança é uma LINGUAGEM cuja ESSÊNCIA eu fui à procura e sobre a qual criei a minha carreira no Egipto e - mais recentemente - o meu trabalho de espectáculo, coreografia e ensino pelo mundo inteiro.
Observo a máquina de clones que tantos insistem em criar e os Egos monumentais que insistem que os seus alunos sejam as suas cópias (afinal de contas é certo que se diz que a cópia é a mais alta forma de elogio - embora discorde de tal afirmação) e suspiro: esperançada que esta tendência maquinal, uniformizadora e nada artística se possa inverter. 

Entender o ABC, aprender a escrever palavras pequeninas, depois outras mais complicadas até que possamos escrever as nossas próprias frases, os nossos poemas, romances, policiais - o que quer que a Alma nos pida. Em vez de repetir os movimentos vazios mil vezes executados por outrém, há que - a meu ver - estimular quem dança a DOMINAR a LINGUAGEM e as REGRAS para poder QUEBRÁ-LAS de forma pessoal e in-transmissível e a partir dela criar a sua própria DANÇA, TOM, ESTILO, MARCA PESSOAL, TATUAGEM.

Pela cabeça de quem passaria a ideia de copiar o poema de outro artista?! Sim, sei que passa pela cabeça de muitos.
Um professor ensina os passos e combinações que aprendeu de outros; um MESTRE ensina a ir ALÉM do que outros fizeram e a descobrir a forma original de FALAR - de fazer POEMAS - que cada bailarino/a possui dentro de si.  
Um professor conduz-te à carneirada; um MESTRE conduz-te até ti próprio (ao MELHOR de ti próprio).
Não quero cópias de mim - nem de qualquer outra pessoa. 
Quero ORIGINAIS, BAILARINOS-HUMANOS que nos deixam sem fôlego por muitas razões, entre as quais a CORAGEM e INTELIGÊNCIA de serem eles próprios.

"Escrevam o vosso próprio poema, por amor dos Deuses e das Deusas!"

Prenda de Natal: "Malema´s banat" (eu quero!)




  • Conheci Maria Aya no Cairo e, no momento que a vi, SOUBE que a adoraria (embora ainda não soubesse de que maneiras o faria).
    Unimo-nos, uma vez mais, na Rússia e a admiração, carinho, amizade e respeito que tenho por ela cresceu, floresceu, deu frutos e anda por aí a voar com o meu coração.

    Talento, humildade, ternura, humanidade: eis Maria. 
    Aqui fica a sugestão de uma prenda de Natal original e - tenho a certeza - inesquecível:


    *

    Malema's Banat 1st Winter Camp in Athens Greece
    18-20 January 2013.
    Friday 18 January, unique Show by Malema's Banat celebrating the New Year.
    3 Workshops by Maria Aya
    Saturday: Baladi & Drum Fire
    Sunday: Mejance with Fan Veils.
    Full cost of all Camp, 50 euro
    Certificate's will be given, also the CD of the workshops
    For Free the Crazy Fun Loving Oriental Atmosphare of Malema's Banat Group ;)

    This is it, simple and full of dance and love weekend :)


    *


    • Info-subscriptions:
       Maria Aya at Facebook or malemasbanat@hotmail.com

Dos Medos e de outros companheiros de Vitórias-Viagens.

É comum esse engano: que a Coragem elimina, automaticamente, a existência do medo. Sim, é comum pensar que quem abre o peito, o riso e a lágrima face a face com as mais árduas batalhas goza de uma condição rara onde as dúvidas, os fantasmas, os monstros reais e imaginários não existem.
Desenganem-se os crentes: os Medos são companheiros fiéis da Coragem e de seus discípulos, os Corajosos. 
O Medo é tão humano como a fome de Amor; tão presente quanto a nossa sombra; tão essencial como a sede que nos leva a beber água; tão omnipresente que chega a ser querido: bonito: quase, quase desejável.

Sou uma assumidíssima medrosa no que concerne ao meu trabalho na Dança. Sei que isto surpreenderá muita gente, tendo em conta os caminhos que trilhei e continuo a trilhar (impróprios para cardíacos, cobardes, fracos de espírito e desapaixonados) mas eis a verdade:
Sinto terror - SEMPRE - antes de subir a um palco para fazer aquilo que mais amo na Vida (COMUNICAR  A MINHA ALMA através da Dança, da Presença, da Música e - muito especialmente - do Silêncio); sinto terror antes de iniciar uma nova coreografia pois não sei se o resultado será do meu agrado, se me entusiasmará, se me fará orgulhosa de mim mesma (ou não); sinto terror sob a constante possibilidade de falhar na excelência do que faço e que exijo - imparavelmente - de mim mesma.
Sinto terror ao constatar que, quanto mais se sabe, mais difícil tudo se torna. Quando era ignorantezinha e feliz da vida (devido a essa abençoada ignorância) construia uma "belíssima" coreografia num par de horas. Agora que SEI do meu ofício ( o suficiente para saber que pouco SEI ) as coisas complicam-se, é rara a ideia que me parece valer a pena partilhar, multiplicam-se os fantasmas da minha Ópera hiper populada - de tão rica.

O SUCESSO constrói-se de tijolos insuspeitos. Há quem venda a alma ao diabo e assim possa encurtar a escalada. Para quem cospe e se ri na cara do diabo, as montanhas são altas, movediças, pintaroladas de pedregulhos, labirintos, cobras e sabem Deus e os Anjos mais o quê. Por entre estes caminhos tortos, os músculos do corpo, da mente, do coração e da Alma FORTALECEM-SE, CONHECEM-SE A SI MESMO E ROMPEM COM OS SEUS LIMITES. Creio que é nesse exercício que os VENCEDORES se constroem. 
O SUCESSO - sem alma manchada -  é uma combincação comovente entre TALENTO, TRABALHO ÁRDUO e CARÁCTER de cabra-capricórnio-o dos chifres que não deixa de marrar sempre que se cruza com um desses demónios a que chamamos MEDOS.

* Comida para a Alma: o meu querido Mikhail Baryshnikov (era comê-lo com geleia e uma chaveninha de café a acompanhar; ai era, era...):

e



Saturday, December 1, 2012

Londres: Bellydance Trophies - Competição.

Uma vez mais, estarei debaixo da pesada responsabilidade de julgar numa Competição de Dança Oriental do mais alto nível. Primeiro na Rússia, agora em Londres (BellyDance Trophies). 
Aguardo surpresas, aprendizagens (muito se aprende a VER dançar) e PAIXÃO. Nada me dói mais do que  pessoas desapaixonadas ( é como um fogo extinto e encharcado de chuva triste).

Londres: here I come.

Os próximos dias serão cuidados a COREOGRAFAR, COREOGRAFAR, COREOGRAFAR e muito aprender pelos caminhos trilhados. Como sempre, CRIAR uma nova dança é um salto no precipício porque não faço ideia até onde me poderei levar a mim mesma - que muros, pedras, arco-íris, fogueiras e pântanos encontrarei pelo caminho. COREOGRAFAR é APRENDER - para mim. E extrapolar os limites do que já fiz, sair do conforto do que já sei; BUSCAR, BUSCAR, BUSCAR.

Até lá, Dancem e VIVAM muito - e bem.
Para mais informações sobre a Competição, Espectáculo e Workshops em Londres vão até:
www.bellydance-trophies.com

P.S. Mencionei que actuarei com uma orquestra ao vivo?! YESSSSSSSSSSSSS. 
Mesmo não sendo a MINHA orquestra egípcia, sempre é melhor do que dançar ao som de um cd (essa coisa mecânica - gelada - jamais me chega aos tímpanos do coração).


De que é feita A* Dança.

É extraordinário observar como o meu corpo relembra - como que por magia - os movimentos, sensações, aprendizagens, traumas e alegrias agri-doces de toda uma vida enquanto coreografo uma nova peça núbia para ensinar em Londres, daqui a uma semana. 

Este armazém divino* de VIDA(s) que é o nosso Corpo sabe muito mais do que supomos e traz consigo o registo do tanto ou tão pouco que vivemos - daí retirando o sumo de cada bago de uva-vida.

As festas de aniversário na famigerada banda 13 de Vialonga (onde existia - e creio que ainda existe - um bairro de retornados africanos, produto da descolonização de Portugal em relação a África) onde se dançava ao sabor da "moamba", da "catchupa" e do jindungo; as idas às discotecas africanas ("B.Leza" rocks!:); a viagem adolescente a Cuba onde me estreei no amor (os cubanos são lindos e de pele quente) e nas lides da salsa e de outros ritmos afro-latinos; paixões vividas a lume extrapolando de aceso...VIDA:VIDA: mais VIDA.
A Dança Núbia que coreografo revela-se uma soma instintiva de tudo isto - muito mais e além de meros passos repetidos até à exaustão. 
O meu Corpo afirma-se Instintivo e Inteligente - impedindo que caia nessa falácia tão pouco idiota de julgar que a mente está acima do corpo e que a alma vive fora dele. Na verdade, a Alma respira nas minhas ancas, os homens que amei dançam - sem sabê-lo - dentro do meu peito e a minha boca beija cada passo que a Emoção decide tornar inteligente. E ainda há quem diga que a Dança é dos Selvagens quando os Selvagens são aqueles que se recusam ao exercício sofisticado-primitivo e ESSENCIAL* da Dança.

"In Love".

Tenho dito (delícia):


  • Sensivelmente há 100 anos
    A Arte Musical, 15 de Julho de 1906

    (Via Sancha França)