Saturday, December 22, 2012

Workshop & Conferência em Lisboa (26 de Janeiro, 2013)



Workshop de Dança Oriental e Folclore Egípcio
  por Joana Saahirah do Cairo e  Conferência-Tertúlia que contará com a valiosa presença de alguns dos nomes - da área da Dança Oriental - que mais aprecio e acarinho em Portugal  (Sara Naadirah, Yolanda Rebelo, AdiraGram, Américo Cardoso).


O Evento decorrerá em Lisboa (Escola Inimpetus) no dia 26 de Janeiro (Sábado) e dividir-se-á em duas partes:


*** Workshop ministrado por mim das 14.30h às 17.30h ( Oriental moderno e Dança Núbia ); 

Treino intensivo (técnica e excertos coreográficos típicos de cada estilo) de Dança Oriental Moderna e Dança Núbia.
Dois mundos paralelos e complementares: o passado e futuro da Dança Oriental e as tradições imutáveis da Dança Núbia, um dos estilos mais ricos e expressivos do Folclore egípcio.


***Indicado para : Bailarinos/as (amadores ou profissionais) de Nível Intermédio-Avançado.
***Preço: 35 euros para inscrições até dia 15 de Janeiro de 2013; 45 euros para inscrições posteriores a 15 de Janeiro de 2013.


***Forma de Inscrição:

Para inscrever-se no evento basta efectuar a transferência inter-bancária do valor relativo ao mesmo para o nosso NIB: 0007 0075 0001 1250 0053 6 .
Depois de ter efectuado a transferência, pedimos o favor que nos avise da mesma através do email: dancemagica@gmail.com ou do telemóvel: 96 642 7997.
Só depois deste aviso poderá considerar-se inscrito/a. Além do aviso da data da transferência e nome em que foi feita, pedimos o favor que apresente o talão da mesma no dia do evento.

***Contactos para informações adicionais: dancemagica@gmail.com & Tm: 96 642 7997

***Local: Escola “Ininpetus” – Lisboa (Rua de Campolide, 27 A - Lisboa)
Telf: 213 157 815


*** Conferência-Tertúlia sobre Cultura, Dança e Música Egípcia (passado, presente e futuro) - GRATUITA e ABERTA ao PÚBLICO - na cafetaria/terraço do mesmo local do Workshop - escola Inimpetus.
Este será um espaço de DISCUSSÃO ABERTA que se pretende interactivo, divertido e enriquecedor para todos os participantes.

Venha tomar um chá e aprender sobre a VERDADEIRA dança oriental de forma dinâmica, estimulante e surpreendente.


Com a colaboração de alguns dos profissionais mais conceituados da área da Dança Oriental em Portugal:


*Sara Naadirah (tema: "O meu percurso pela dignificação da Dança Oriental em Portugal")
*Yolanda Rebelo ( “Desenvolvimento pessoal através da Dança Oriental”)
*AdiraGram (tema: " A Dança Oriental e a sua Sensualidade")
* Américo Cardoso (tema: "Os Novos Valores da Música Árabe")


***Mais detalhes sobre a Conferência-Tertúlia e seus colaboradores em “post” à parte.



***
Organização:
Joana Saahirah do Cairo
www.joanamagica.blogspot.com

Videos da Irlanda e Eilat FESTIVAL (próxima Aventura):)*

Como o Apocalipse não levou esta bolinha fascinante que é o mundo pelos ares - como previam os mais cáusticos pessimistas e os derrotistas/preguiçosos para quem o desastre é a Salvação - e, por isso, ainda cá estamos na CAMINHADA-JORNADA, há que focar o olho do Coração no AGORA e no que se seguirá (jamais no que já foi e que, portanto, não existe).

Para aceder a uns vídeos caseiros de excertos das minhas últimas actuações no sarau natalício do castelo encantado de Charleville (em Tullamore, Irlanda), basta seguirem os links:

http://www.youtube.com/watch?v=1OIgfEJS-x0&feature=youtu.be

http://www.youtube.com/watch?v=DJ9cJ39Q_Cg&feature=youtu.be

http://www.youtube.com/watch?v=qzNugjlXeno&feature=youtu.be

A estação que se segue: 



FESTIVAL EILAT, em ISRAEL (evento do qual tenho a honra de fazer parte como Artista e Professora convidada (4 workshops temáticos e um espectáculo com orquestra ao vivo: oh, yeah,. baby!) - já em Janeiro. Numa só palavra: MILAGROSAMENTE FELIZ com o que está por vir e ansiosa por estender as minhas asas por territórios desconhecidos - dando e recebendo mais do que os meus próprios SONHOS poderiam ter delineado. 


Agenda Natalícia (mais que merecida)

Ora bem: desligar-me do trabalho por completo é coisa impossível (e notem que a palavra "impossível" raramente me passa pela boca daí aqui revestir-se de tamanha seriedade) mas o ritmo terá de abrandar - a bem da minha saúde física e mental.
Se terei de recomeçar preparativos para os próximos eventos (Israel já está aí à porta com o magnífico Festival EILAT - um dos mais importantes pontos de encontro dos amantes da Dança Oriental de todo o mundo) e mergulhar (num último fôlego) na conclusão da edição finalíssima do meu LIVRO, também juro a pés juntos que abrandarei o ritmo da carruagem, pelo menos durante os dias 23,24 e 25 de Dezembro.


Entre as coisas boas marcadas na minha agenda natalícia encontram-se os filmes "Anna Karenina" e "A Vida de Pi"; o desembrulhar das prendas junto à família chegada (coisa que não acontecia desde que me mudei para o Egipto e lá comecei a trabalhar que nem uma louca varrida); o cozinhar dos doces natalícios com a minha mãe; as corridas com os cães (rituais sagrados); um bom banho de imersão com "aqueles" sais que trouxe de uma casa de produtos naturais irlandeses; jantar íntimo à luz das velas com "quem cá eu sei";); algumas horas despreocupadas (relativamente despreocupadas, vá lá...) de leituras não obrigatórias; RESPIRAR FUNDO, AGRADECER a DEUS pela VIDA que tenho e DELINEAR OUTROS e sempre MAIORES SONHOS para 2013. 

 Porque sou menina de poucas ambições materialistas, as prendas pedidas ao Pai Natal foram humildes e de porte jeitosinho:

1. Um roupão e respectivo pijama da Oysho - com aquele pelinho que insiste que fiquemos de pijama o dia todo (hhmmm, tão bom...): ideais para as horas que passarei a escrever, escrever, escrever;

2. Mais uns quantos livros a juntar-se às torres babilónicas que de volumes acumulados que tenho para ler;

3. Um perfume exótico que ainda não tenha experimentado (pensado para os meus espectáculos pois bailarina que é BAILARINA só se lança ao palco com a pele divinamente perfumada).

Que o Pai e a Mãe Natal nos tragem a renovada FÉ da realização de TODOS os nossos SONHOS e que a desistência permaneça Lá* - bem longe, onde Judas se esqueceu de onde perdeu as botas.

Aqui fica o meu presente cibernético para todos os seguidores deste BLOGUE: um excerto do espectáculo de Música e Dança irlandesas a que assisti em Dublin:


Livros (na bagagem de Londres e de Dublin)

E como não encher as malas de livros? Como não pecorrer livrarias, alfarrabistas, lojas recônditas de achados em segunda, terceira e milésima mão na esperança de encontrar mais uma gota*: mais perto: mais luzes sobre a Dança, a Música, o Teatro, os pequenos Amores e os grandes desamores: todas as coisas que me interessam: a VIDA?!

Entre as palestras, os workshops ministrados e os espectáculos que dou - dos magníficos teatros russos aos palcos enigmáticos de um castelo assombrado no coração da Irlanda - existe tempo para procurar SABER além da ignorância que já conquistei a punho de ferro e fogo.

***Eis a lista singela dos objectos que me fizeram perder a cabeça e - mais tarde - reconquistá-la um pouco Além. Mar.
Para serem regados a cappuccinos, chás e uma manta que me acaricie um solstício MIRACULOSO (amo o Inverno - pela primeiríssima vez!):

* Margot Fonteyn, Meredith Daneman

*Oscar Wilde´s last stand, Philip Hoare

*Different drummer - The Life of Keneth MacMillan, Jann Parry

*A Dancer in war time, Gillian Lynne

*Vagina, Naomi Wolf
(não propriamente o livro que eu ofereceria a avó ou à tia prendada e, muito provavelmente, o menos ortodoxo de todos os presentes de Natal mas - ainda assim - um LIVRO APETITOSO que todas as Mulheres deveriam ler e transformar em Acção).




Regresso a um Velho Amor: Irlanda.

Depois do Espectáculo no Mágico Castelo de Charleville (Tullamore, Irlanda)


Regressar à Irlanda foi muito mais do que mais uma fantástica viagem de trabalho. Sei que digo isto sobre todos os países que visito mas aqui vai a verdade comesinha: AMO a IRLANDA e os IRLANDESES. Sinto-me ligada a este país de formas que não posso - nem quereria - explicar. O Intelecto encontra-se arrogante, sobre-estimado. A maior Inteligência é assumir - talvez, presumo, intuo...- que existem realidades para se SENTIREM, VIVEREM mas jamais compreenderem. Porquê querermos ser todos uns "Prometeus" e assim roubarmos - estupidamente - o FOGO do Conhecimento aos Deuses quando a nós, HUMANOS, nos foi dada a MISSÃO tão mais desafiante que é, simples e complexamente, APRENDER a VIVER?!

Eu e o castelo de Charleville (com seus fantasmas amorosos e fonte Divina de Inspiração por baixo dos seus pés).

Tullamore (castelo encantado de Charleville) e Dublin no itinerário - com passagens por Athlone para uma entrevista de rádio divertida e in-usualmente interessane e uma entrevista num canal de televisão local (onde encontrei uma equipa hilariante, de ressaca de um jantar -pouco- natalício e ORIGINAL, como é comum nos irlandeses). 

Workshops e espectáculo e, claro está, as minhas costumeiras incursões sobre as rodas da minha eterna e insaciável CURIOSIDADE geminiana. 
Viajar em trabalho é - também - APRENDER, EDUCAR-ME, EVOLUIR, INSPIRAR-ME noutras pessoas, culturas, mentalidades, tradições, MUNDOS. 
Português que é PORTUGUÊS de gema pertence ao MUNDO (foi Fernando Pessoa que o disse?!): tento não fugir à minha alma lusa.

No meu quarto - torre encantada - onde tive o meu primeiro encontro de 3ª grau com a alguns dos "habitantes" mais antigos do castelo.

Poder regressar a um dos meus sítios predilectos - castelo de Charleville, Tullamore - e lá dançar para um público  MUITO especial (entre os vivos e os que já desencarnaram mas que continuam mais vivos do que nós - vide link:
 http://www.youtube.com/watch?v=RCQxl4Ae84w ), ensinar e ainda partilhar refeições quentinhas com voluntários, gatos, a cadela "Shadow" ("Sombra"), os espíritos amorosos que por ali nos protegem e observam - tudo iluminado pelas várias lareiras crepitantes que decoram as avessas do castelo: BENÇÃO.
Há prazeres estranhos: únicos: inesperados - até para mim mesma.

Gozando do ar matinal irlandês, antes ministrar o primeiro Workshop do fim-de-semana.

Biografia de Margot Fonteyn à cabeceira da minha cama na torre de vigília do castelo de Charleville.


Depois DUBLIN com os seus escritores (a tradição oral, a História sofrida, a nostalgia das constantes emigrações e um costume antigo que preserva os contos de fadas e outras criaturas eleitas contribuem para um país que é mais jardim de escritores do que território marcado num mapa qualquer). Museus ("The National Gallery" é absolutamente EMOCIONANTE e provou-me que se pode chorar por causa de uma pintura), livrarias onde encontrei pechinchas e preciosidades (biografias de coreógrafos basilares da Dança mundial incluídas), exposiões e teatro. Os irlandeses adoram CULTURA e ENTRETENIMENTO - e sabem que ambas são parte essencial de quem eles são.

A minha boca aberta - pendurada num cabide do meu próprio espanto infantil - ao assistir a um espectáculo de Música e Dança Irlandesa e as inspirações que dali colhi para o meu próprio trabalho. Quantos mundos expressos naqueles pés que bordam histórias no ar e no chão sagrado que pisam: esmagam: amam a lume nada brando. 
-Quero saber dançar AQUILO! - exclamei, para não variar.:)
Vi Flamenco, Oriental, "tap dancing", danças africanas, alegria e dor emaranhadas uma na outra (essa Sabedoria Antiga dos Celtas: dor = a outra face da moeda da alegria): embora a dança tradicional irlandesa se centre no trabalho de pernas e pés, a verdade é que não precisa mais do que isso para DIZER TUDO o que é IMPORTANTE.
O "Titanic" veio-me à cabeça - com Leonardo Dicapprio e Kate Winslet a dançarem - que nem loucos apaixonados - no porão do navio, juntos aos irlandeses que emigravam em direcção ao "sonho americano", fugindo da fome, da desesperança e do vazio.


Num pub de Dublin - preparada para deliciar-me com a FANTÁSTICA dança tradicional irlandesa.

Os Workshops em Dublin foram "interessantes: para dizer o mínimo. Como se pode aprender de tudo e todos, não deixei escapar esta oportunidade de ouro para exercitar os punhos da minha Vontade de quebrar paredes, limitações e a maior ignorância de todas: a de não querer aprender.
O trabalho foi duro, desafiante e totalmente fora da zona de conforto das bailarinas que participaram no evento. Creio que o vácuo entre o que se "julga" ser a Dança Oriental e o que ela REALMENTE É se revela maior nalguns países do que noutros. O que a mim me choca não é o desconhecimento da Dança mas a mentalidade/atitude que prefere permanecer na ignorância (celebrando-a através de um ego inseguro e sedento de atenção e coroas vazias) em vez de ESFORÇAR-SE por aprender, admitir que não se sabe e, portanto, EVOLUIR.
O ciclo é vicioso: os melhores bailarinos estão sempre dispostos a APRENDER, a ENCONTRAR pontos por desenvolver e a EXPANDIR-SE - mesmo quando isso significa colocarem os seus egos de lado e admitirem a sua ignorância neste, naquele, nos pontos que forem necessários. Como consequência dessa ABERTURA para a aprendizagem: CRESCEM continuamente.
Os piores bailarinos são "os reis que vão nus" - "em terra de cegos quem tem um olho é rei" - que se negam a admitir as suas falhas, ignorância, necessidade de crescimento. Por isso fecham-se, protegem-se nas suas carapaças fossilizadas, negam-se a APRENDER: e lá vão eles: em queda livre: imparável: auto-destrutiva: inútil.

No meio das pedras sedimentadas encontram-se, ainda assim, imensas pedrinhas preciosas e foram essas que tornaram estes workshops em Dublin tão especiais. Muito grata às alunas que persistiram em deitar a baixo as suas inseguranças e se entregaram à APRENDIZAGEM - sem preconceitos, reservas, inseguranças, arrogâncias inúteis. Vocês tornaram estes workshops inesquecíveis*.

Sem PAIXÃO, VONTADE, CARÁCTER, TENACIDADE e ESPINHA DORSAL não se aprende a DANÇAR - e muito menos se alcança a EXCELÊNCIA que eu sonho para a Dança Oriental e seus praticantes (amadores e profissionais) em todo o Mundo.
Traze e Steve - dois dos lindos corações que tive o privilégio de conhecer na Irlanda.
Da Irlanda ficam: SAUDADES; Oscar Wilde; AMOR; lágrimas e muitos risos; dança irlandesa; novas paixões e conclusões a serem postas à prova e, provalmente, refutadas; CURIOSIDADES MAIORES; desafios; ironias; AMOR, novamente - e SEMPRE.
Até breve, minha querida Irlanda.


Antes do espectáculo no castelo de Charleville - quentinha, no meu quarto assombrado.

Há amores que não se explicam: ou melhor: o AMOR não se explica.

Dança irlandesa em Dublin (e eu boquiaberta na rectaguarda, encantada com cada segundo  vivido).

Friday, December 21, 2012

As Visões de Clarice.


  • Clarice era Filósofa e Visionária: via mais além do que a mera Literatura ingeniosa.
    Imagem de Luigi Ciuffreda








    " O que te estou escrevendo não é para se ler - é para se ser.
    A trombeta dos anjos-seres ecoa no sem tempo. Nasce no ar a primeira flor. Forma-se o chão que é a terra. O resto é ar e o resto é lento fogo em perpétua mutação. A palavra "perpétua" não existe porque não existe o tempo?
     Mas existe o ribombo. E a existência minha começa a existir. Começa então o tempo?"
    (...)

    in Água Viva

    Via: Rosa Leonor Pedro

Inglaterra (mergulhando mais, melhor e mais alto).

Pelo mundo adentro, afora - e acima - eu vou.
Londres foi mais um marco (como todas as viagens de trabalho em que me vejo lançada, cada vez mais) em mim, na minha forma de ver da Vida, a Dança e a mim mesma.

Cada lugar ensina-me mais do que poderia imaginar. Se é certo que sou contratada para ensinar e dançar - bençãos em si mesmas - a verdade é que também é TANTO aquilo que aprendo com as pessoas, lugares, culturas e mentalidades que encontro pelos Caminhos.

Londres parece-me uma velha senhora - conservadora e, no entanto, extravagante - com um gosto refinado pelo Mundo e tudo o que possa parecer exótico.

Um concerto poliglota desfila pelas cidades antigas e torturadas da cidade onde Sweeney Todd decidiu vingar a maldade - também - existente na Humanidade. Ele é português, espanhol, japonês, russo, francês e outros etcs linguísticos com parcos e tímidos laivos de inglês. Londres é o Mundo, do Mundo, para o Mundo (gosto disso).


Tendo eu uma Vénus em gémeos (os meus amigos da astrologia sabem o que isto indicia), sei que me apaixono facilmente e pelas mais diversas pessoas, sítios e sonhos. Londres caiu-me no colo da Emoção prontamente: sem reservas, explicações (como deve ser o Amor).



Comecei a minha expedição com o Musical Billy Elliot (um êxito em exibição no "West End" há vários anos) e chorei rios e mares do início ao fim do Musical. Não soubesse eu melhor que isso, teria dito que se tratava de noite de lua cheia (a lua cheia deixa-me sempre redonda, alterada, explosiva, hiper criativa e exageradamente emocional). Mas não: não era da lua. Era de mim mesma ou da emoção de ver o magnífico teatro "Victoria" a abarrotar pelas costuras e um monte Everest de Talentos em palco - cantando, dançando e actuando ("triple threat-triple dream").
A Dança como Salvação-Resgate da própria Vida - Ampliação de Sonhos: POSSÍVEL em vez dos mesquinhos impossíveis que insistem em cair-nos em cima: Billy Elliot sou eu ou a criança que fui e sempre serei: ávida de voos, de MAIS, de ALÉM.


Depois vieram as inevitáveis aventuras pela cidade (perder-me e achar-me em países desconhecidos é dos maiores prazeres da minha Vida), mais um Musical no bucho (desta feita, "Top Hat" - a recriação do clássico cinematográfico de Fred Astaire e Ginger Rodgers) a convite da doce Melanie Norman e o começo do trabalho (árduo, excitante, divertido e sério, simultaneamente - "comme il faut").

Tal como aconteceu na Rússia, fui feliz ao encontrar tanto talento e vontade genuína de aprender e MAIS ALÉM da corrente de clones aborrecida e pobre que tantos insistem em perpetuar no âmbito da Dança Oriental.


Reparei como é o CARÁCTER e a TENACIDADE que constituem a coluna vertebral de um bom/a bailarino/a. Tende-se a subestimar estas qualidades em prole da técnica ou até da vaidade (inimiga de toda a Arte) mas, no fim das contas, vejo que é deste tijolo que se fazem os vencedores - muito mais do que meros "wanna be´s". 



O prazer de passar um pouco dos Tesouros que tenho colhido nestes últimos anos de carreira e Vida no Egipto não tem preço. Sei - instintivamente - que é ESTA a minha Missão: ter resgatado a Origem e Essência da Dança Oriental no Egipto e depois plantá-la e fazê-la florescer em todo o MUNDO.


Ser jurada na competição "The BellyDance Trophies" doeu - como me dói sempre que tenho de julgar a dança de alguém - mas também teve os seus efeitos construtivos. Pude comentar os pontos fortes e mais fracos de cada bailarino da competição e aconselhar direcções a seguir. O enfoque da Competição era - para meu deleite - a melhoria da qualidade da dança de cada um e isso permeou todo o evento de um certo ar quente de amor.

Workshops de Dança Oriental moderna e Folclore egípcio (núbio) e um espectáculo com uma pequena orquestra árabe de Londres. Não sendo os meus músicos egípcios, ainda assim são melhores do que um cd. 
Cada orquestra é única (em estilo, nível técnico e artístico e maturidade pessoal e profissional); cada público é uma tela na qual tenho de pintar de forma diferente, única, adaptada aos seus olhos - ainda que sem comprometer a minha visão da Dança.

Curioso: o público londrino é FANTÁSTICO e CALOROSO - contrariando o que ouvira dizer sobre o mesmo- e creio que todos (eu, músicos e público) nos divertimos à brava, nos emocionámos e  surpreendemos mutuamente.
Dos palcos cairotas para os palcos do Mundo inteiro; dos sumptuosos teatros de Barcelona e da Rússia para um clube "Bollywood" de Londres : deliciosas transições: desvelo-me/revelo-me em muitas Joanas (de cada lugar, de todos os lugares). Através da diversidade de lugares, contextos culturais e seus públicos vou limando as arestas da ESSÊNCIA da Dança Oriental - chegando mais e mais perto ao seu âmago imutável, intocável e eterno (o âmago que toca todas as audiências, da África à Antártica através da linha condutora de que os Antigos Egípcios falavam tão eloquentemente: o CORAÇÃO, a ALMA).

Como Viajar é Educar-me, não pude deixar de percorrer museus, pessoas, exposições e ruas em busca de mais Luzes. Como as procurei: encontrei-as.


Um até já - recheado de Amor 
e Luzes de Natal - para Londres.
"See u soon".:)