Tuesday, January 7, 2014

Amor sincero é...

Amor sincero é conseguir apaixonar-me continuamente pela Dança Oriental depois de 11 anos de carreira intensa que já passou por mais de meio mundo e viu (e viveu na pele) o pão que o diabo amassou. A sério...apaixonar-se por esta dança é fácil e compreende-se mas manter a chama acesa e a mente (hiperactiva e exigente, no meu caso) entusiasmada com o tema depois de o conhecermos de trás para a a frente, do avesso e do direito, por cima e por baixo (muito lá por CIMA e muuuuiiittoooo lá por baixo) é OBRA*.


Às vezes sinto o perigo do desinteresse e do aborrecimento a preparar o ataque; eles têm cheiro a cinzas e a vinagre. Depois de ter remado contra a corrente - em quase oito anos de carreira no Egipto - que dita que a Dança Oriental é coisa reles e de prostitutas baratas e após ter corrido um bom bocado de mundo e visto o que se faz por aí fora (embora existam algumas excepções o nível geral ainda é bastante baixo) a verdade é que me sinto saturada e apetece-me arrumar os "sagats" a um canto e desbravar terrenos novos. Depois reacende-se a chama, os contratos para dançar e ensinar em vários países multiplicam-se, o interesse do público anima-me em todo o lado onde vou e a CHAMA volta a brilhar.


ISTO sim é amor: ter visto o lado mais negro desta dança (vezes sem conta) e ainda assim amá-la, servi-la e viver por/para ela sacrificando - frequentemente - a minha vida pessoal, a minha saúde e bem-estar. Será que valerá a pena? Será que AMAR vale a pena? Foi um poeta que disse: que seja eterno enquanto dure. O amor. A dança oriental.
Assim seja.

"Tarab" - essa incompreendida Senhora

O "TARAB" é um tema recorrente e o centro de tantos enganos quantas as delícias que proporciona a quem a ela* tem acesso. Uso o feminino (ela*) porque, para mim, o fenómeno humano-divino do "TARAB" é essencialmente feminino ou nasce no seu ventre.


Já ouvi de tudo: que se trata de um estilo de dança, um estilo de música, um estilo de tretas e coisa e tal. Na verdade, é mais um estilo de VIDA e SENSIBILIDADE do que qualquer uma das historietas que se inventam por aí. Os músicos egípcios já falam nesta senhora há séculos - literalmente. Eles sabiam da qualidade que certa música possui de levar-nos até ao outro Lado* da Existência e dos efeitos embriagantes da mesma. A música, o amor, a dança e outras jóias têm sido - não por acaso - condenadas, suprimidas, arrastadas pela lama e quase aniquiladas pelos poderes (políticos) religiosos (que de religiosos nada têm). Existe uma razão clara para tal. Quando acedemos directamente à nossa dimensão divina* sem necessidade de intermediários, proibições, Bíblias, Toras e Alcorões, o perigo de sermos TOTALMENTE LIVRES e Humanos bate à porta dos senhores/as que se iludem na pretensão de um bem-estar ganho à custa do mal-estar e opressão alheios.


É aqui que entra o TARAB. Não, ladies and gentlemen, não é um estilo de roupa, música, dança, teatrada de mau gosto (punhos cerrados sobre o peito e cara de quem sofre de cólicas agudas); TARAB é tão somente a capacidade de ser RECEPTIVO (à vida, ao momento presente, ao nosso coração e alma, à música e aos Caminhos para os quais ela nos transporta). Trata-se de uma SENSIBILIDADE e ABERTURA que podem ser desenvolvidas e não de uma coreografia de vão de escadas para mostrar aos amigos.


Sei que o pessoal quer soluções fáceis e o "estrelato" (seja lá o que isso for) na palma da mão mas as REALIDADES são outras, bem diferentes e bem mais interessantes.
TARAB* é AMOR; é humildade; é entregar-se à loucura de SENTIR tão totalmente que nos acabamos por confundir com o AMOR. Menos que isso são batatas fritas de quinta categoria (escorrendo óleo e químicos homicidas).


Espero que tenha sido clara - por agora. ;)

Monday, January 6, 2014

O próximo menino a sair do ventre* (próximo LIVRO*********************)

O próximo menino a sair do ventre*:
 
 
"Era uma vez uma princesa que vivia num lindo palácio rasgado – encarando ao grandioso e enigmático Mar. Certo dia, sem que alguém o pudesse prever ou compreender, a princesa fez justiça à sua natureza de cigana faminta de mundo fora, deixa...ndo para trás o conforto do seu belo palácio, família e tudo o que lhe era conhecido para correr face ao vazio selvagem, em busca de sonhos que a levariam até paragens distantes, exóticas, brutais, surpreendentes, transformadoras. Nessas viagens ela ganharia raízes com sandálias de Hermes; nas presilhas dessas sandálias ela viria a prender cada uma das terras por onde passava, asas que se espraiam para lá dos limites dos mapas; no seu coração aberto se fizeram malas de viagens constantes de onde se dependuravam gotas de sangue-amora silvestre e amor: além da bendita pertença a todo o lado - e a lado nenhum (desterrada senhora de todas as terras do Universo e vizinhos ainda incógnitos).
No escorrer das suas des-aventuras, a princesa aprendeu que o Mundo não é feio, nem bonito - mas aquilo que quisermos que ele seja. São os Olhos –e sua grandiosidade ou pequenez - que constroem a realidade (não as mãos dos construtores de catedrais facilmente reduzidas a ruínas quando a terra se enraivece em danças frenéticas de êxtase e solidão).
Esta não é a história dessa princesa - mas a Peregrinação que a princesa dela fez."

Excerto do meu LIVRO "Diário do Egipto - Shérazade virada do avesso"
 
Livro já escrito e editado há cerca de um ano e, entretanto, guardado na Arca do Tesouro enquanto outros compromissos profissionais e outro LIVRO ("The Secrets of Egypt - Dance, Life & Beyond") me desviaram dele. Como a massa de um bolo que precisa de descansar até estar pronta para ir para o forno, assim é este livro. Por alguma razão que desconheço mas respeito (!) ele tinha de ficar em repouso e só agora começar a ver a luz do dia. A Vida dir-me-á o porquê destes "timings" divinos.
 

"Mulheres que Escrevem Vivem Perigosamente"

Poderia substituir-se a palavra "Escrevem" por qualquer outra que expressasse CRIATIVIDADE e BRILHO PRÓPRIO. Infelizmente, as Mulheres ainda pagam preços altos pela "ousadia" de quererem ser LIVRES, DIGNAS e SOLARES no sentido de brilharem por si próprias em vez de servirem de eternas mãezinhas sombra dos homens.
O tema está mais que gasto mas, infelizmente, vivíssimo da Silva (e eu que o diga). A maioria dos homens ainda procura uma segunda mãe-mártir que abdique de si mesma e da sua vida para servir a sua. Não contem comigo para estas esparrelas!
Para lerem mais sobre o assunto (que me tem amarela de raiva e indignação antiga) basta lerem o maravilhoso livro que tenho agora em mãos:


Desde a Antiguidade clássica até aos nossos dias, o papel da mulher que escreve tem permanecido na sombra de um cânone intelectual, marcado por padrões masculinos. Se olharmos para o percurso das mulheres que procuraram a liberdade na escrita, depressa nos apercebemos das dificuldades que tiveram de enfrentar e do dilaceramento provocado pelas expectativas da família e da sociedade, em oposição à necessidade de independência intelectual delas. O preço a pagar foi muitas vezes o ostracismo intelectual e social. Neste livro, Stefan Bollmann, autor do best-seller "Mulheres que Leem são Perigosas", debruça-se sobre um conjunto de autoras invulgares e de forte personalidade que apresentam uma característica comum: a crença perseverante na importância existencial da escrita. Não basta querer ser escritora, é preciso sê-lo sem medo de transpor os limites.

Este livrinho e um cappuccino num café à beira chuva: perfeição imediata!

Wednesday, January 1, 2014

Próximas paragens (pelo mundo fora)

 
O menino a chegar (o meu primeiro LIVRO publicado) e viagens pelo mundo (ensinando e actuando). Próximas paragens: Eslovénia, Ucrânia, Israel, França (Paris, baby!), Rússia, Espanha. Muitos outros países no meu mapa pessoal durante o ano de 2014.
Muito* trabalho, crescimento, surpresas, AMOR e PAIXÃO pelo Caminho. Yallah! Vamos a isso. Aqui estou (vou) eu, MUNDO!*********************
 

O menino está quase, quase aí à venda para todo o mundo. Sou uma mamã MUITO babada.

Fazendo tudo a partir do coração mais aberta e selvagem. Porque a RAZÃO pela qual nos movemos é mais importante do que o movimento em si.

Carinho enviado pelo meu irmão Wail Abdel*



Tão egípcio, tão engraçado e cheio de contradições (como os Egípcios).
Grata ao meu irmão Wail Abdel pelo envio deste miminho que, mais uma vez, me liga ao país de onde eu nunca saí.

Balanço + a matéria de que são feitos os sonhos (gratidão face aos que nos tentam deter)

 
Este mês (e ano) que começam hoje serão tempo* de inúmeras viagens de trabalho por esse mundo fora, de muita criatividade, desafios felizes e projectos que florescem a partir de sementes amorosas que tenho deitado à terra nos últimos 11 anos de carreira.
A escalada tem sido fantástica e ninguém - excepto eu - acreditou que seria possível: uma miúda dos subúrbios de Lisboa, nesse pequeno país à beira mar plantado chamado Portugal, SONHOU que construiria uma carreira de sucesso no Egipto e pelo mundo fora e ASSIM foi, assim é, assim será. Os que me viraram as costas, os que me desencorajaram e juraram a pés juntos que eu jamais realizaria os meus sonhos tendem a calar-se (é o melhor que fazem), lançar a cabeça ao chão e fingir que nunca me tentaram deter mas eu que até tenho uma boa memória não me esqueço de quem é quem.
 
De certa forma, tenho a agradecer a esses "desencorajadores" pelo enorme empurrão que sempre me deram. Ao contrário do que poderiam pensar, a sua descrença em mim (ou será descrença neles mesmos?!) e as suas tentativas de deitar-me ao chão foram precisamente as alavancas que me impulsionaram. Digam-me que não posso/não sou capaz de fazer aquilo* e é meio caminho andado para que o faça*.
Espero que tu, leitor que agora bebes estas palavras de vida feitas, tenhas em ti toda a fé do universo e acredites que TUDO está ao teu (nosso) alcance se ACREDITARES que és capaz e estiveres disposto a pagar o preço pelo sonho que carregas no peito. Jamais permitas que alguém - ou algo - te faça perder a fé em ti mesmo e na vida pois esse é o mais frio dos crimes e a morte antecipada.
 
Agora - como sempre - agradeço aos meus "inimigos" que tão sensatamente* me tentaram dissuadir de seguir Caminho e realizar os meus sonhos. É - em grande parte - graças a vocês que eu cheguei onde cheguei.
A ti, leitor, SONHA, VAI, FAZ, ERRA e CRESCE, pois o mérito (e, provavelmente, a realização de um sonho) reside no Caminho palmilhado com coragem e integridade e não propriamente na chegada ao cume da montanha a partir do qual avistaremos outros cumes e outros (e ainda outros). Quando chegamos ao cume de uma montanha já avistamos outro (mais alto) e assim continuamos a subir, a subir, provavelmente sem chegar. É nessa SUBIDA que reside o mérito e a realização do SONHADOR.
Boas escaladas e que mais inimigos e amigos se juntem para nos ajudar na subida.