Monday, June 29, 2009


Cairo, dia 2 de Julho, 2009

“WORKSHOPS DE JOANA S. EM PORTUGAL, ITÁLIA E EGIPTO – INSCRIÇÕES PROMOCIONAIS, AGORA!

*** EGIPTO – Curso intensivo – Julho e Agosto – no CSA Maadi (infos através do email: dancemagica@gmail.com)

*** ITÁLIA – Cursos intensivos dias 26 e 27 de Setembro (programa brevemente disponível)

*** PORTUGAL:

Joana Saahirah do Cairo em
Portugal (Lisboa) - Dias 19 e 20 de Setembro de 2009
Workshops de Dança Oriental estilo do Cairo- “NEW CRAZY TABLA SOLO” e Saiidi moderno (Folclore do Alto Egipto)
Com DVD das coreografias disponível no evento!

Programação:

Sábado, dia 19 de Setembro:
Das 10.30h às 13.30h - Bloco I do Workshop de Dança Oriental estilo do Cairo - “NEW CRAZY TABLA SOLO“- Técnica, interpretação e linguagem moderna nascida na vida nocturna do Cairo, mescla do mais puro e tradicional “baladi” com uma abordagem moderna da dança apta a comunicar com todos os tipos de público: estrangeiro, egípcio e árabe.
Nova forma de escutar, dançar e interpretar a percussão egípcia.
Nova abordagem ao trabalho de danca com percussao unindo o tradicional estilo egipcio a uma criatividade individual e pioneira. Revolucao na forma como se danca o ritmo e a percussao com coreografia bombastica acompanhada com DVD da coreografia ensinada!
Preparação para o “NEW CRAZY TABLA SOLO”

Das 15.30h às 18.30h - Bloco I do Workshop de Saiidi moderno- Folclore do Alto Egipto
Técnica, ritmo e estilo/postura/atitude próprias de Saiidi.
Coordenação com bastão, movimentos “saiidi” e “tahtib” e descoberta de uma feminilidade e sensibilidade árabes.
Uniao do vocabulario mais genuino de Saiidi a uma musica, combinacoes e interpretacao modernas. Coreografia para palco!


Domingo, dia 20 de Setembro:
Das 10.30h às 13.30h - Coreografia completa utilizando a técnica e ensinamentos transmitidos no 1º bloco do Workshop.
Das 15.30h às 18.30h - Coreografia completa utilizando a técnica e ensinamentos transmitidos no 1º bloco do Workshop.


BAZAR ORIENTAL:
Exposição e venda de artigos relativos à Dança Oriental em local adjacente à sala onde decorrem os workshops.
Os últimos cds do Egipto, novos trajes e lenços de alta qualidade para bailarinas, sagats, véus , dvds de Dança Oriental e muito mais... aberto das 11.00h às 17.30h a participantes dos workshops e não participantes.

***
Preços:


*** 1 Workshop(6 horas de formação divididas entre Sábado e Domingo)
Inscrição promocional até dia 20 de Julho (65 euros)
Inscrição promocional até dia 20 de Agosto (75 euros)
Inscrição “standard” desde dia 21 de Agosto até à data do Workshop (90 euros)

*** 2 Workshops (12 horas de formação)
Inscrição promocional até dia 20 de Julho (110 euros)
Inscrição promocional até dia 20 de Agosto (130 euros)
Inscrição “standard” desde dia 21 de Agosto até à data dos Workshops (150 euros)


***
Formas de pagamento:

Para inscrever-se e garantir a sua participação no Curso ou nalgum dos blocos de formação, terá de efectuar o pagamento do mesmo através de transferência multibanco para a conta com o NIB: 0007 0075 000 1125 000536
ou envio de cheque ( no caso de preferir enviar-nos o cheque por correio, peça-nos a morada da Dança Mágica )
Após ter efectuado a transferência ou enviado o pagamento, terá de informa-nos a data em que fez a transferência e o nome em que fica efectuada a inscrição através dos seguintes contactos:
joanabellydance@sapo.pt / dancemagica@gmail.com
TM: 00351 - 96 642 7997 (Portugal) /


NOTA: Possibilidade de alojamento na Pousada da Juventude do local do evento (IPJ do Parque Das Nações ).

Organização:
Joana Saahirah e Dança Mágica
http://www.joanabellydance.com/
FaceBook (Joana Saahirah)

Cairo, dia 30 de Junho, 2009

“Ternura...”

*** Entre a correria dos dias imparáveis de compromissos e objectivos, a loucura da vida do lado de cá –e do lado de lá, o vosso...presumo... – tendo a esquecer o valor da ternura. Por vezes, a ternura e gestos de amor surgem de onde menos se espera.

*** Hoje de manhã, enquanto observava as minhas duas meninas (gatinhas Sweetie e Kenzi), não pude deixar de notar como são lindas e, cada uma à sua maneira, ternurentas e doces.

*** Sweetie: Mais conhecida pelos que com ela alguma vez privaram como “a Rainha” ou “a Princesa”. Apesar de ser muito dona do seu nariz (cor-de-rosa, doce, doce, doce...), tem acessos de ternura agudos, correndo para a minha cama e cobrindo-me de beijos, colando-se à minha cara de tal forma que posso
sentir-lhe o hálito quente de amêndoas doces.
Vive tórridos e, não obstante, românticos e líricos casos de amor com pássaros que vêm cantar para ela na varanda da minha casa.
Fala comigo pedindo mimos e cuida da nova “irmã” adoptada, aceitando enfadonhas brincadeiras de “miúdos” que a mais nova lhe impõe e partilhando a minha cama com ela (antigo domínio da Sweetie) criando autênticos duetos de ronrronice pegada que fazem o meu colchão vibrar.
O olhar mais doce que já vi na minha vida!

*** Kenzi ( “meu tesouro”, em árabe): A bebé da casa rapidamente se habituou às minhas beijoquices e abraços constantes.
Come e bebe deitada no chão, como um imperador romano prostrado na sua “chaise longue” enquanto um servo lhe deixa caír uvas frescas na boca.
Já pede mimos e dorme com a barriga virada para cima, coxas abertas e relaxadas (todos os meus gatos dormem assim...será que esta tendência vem de “moi”?!)...mais doce, difícil!

Campeã da Ronrronice. Assim que eu me aproximo dela, desata a ronrronar (é assim que isto se escreve?!) de uma forma tal que eu temo que de desintegre devido às fortes vibrações que dela emanam.
Dá-me patadinhas na cara quando a pego ao colo e beijos nas mãos sempre que a acaricio. Senta-se em frente à Sweetie e fixa-se nela, satisfeita apenas com a sua presença.

*** As lições de ternura e amor chegam-nos de onde menos as esperamos. É preciso estar-se atento.
Cairo, dia 29 de Junho, 2009

“Quando a Arte e o Comércio desmedido andam de mãos dadas...
Festival Ahlan Wa Sahlan e Dina no seu pior


*** Ainda estou em choque com a noite de ontem.
Assisti a mais uma gala do Festival “Ahlan Wa Sahlan” no hotel Mena House e, apesar de reconhecer o mérito da senhora Raqia Hassan que teve a coragem, a força e a inteligência para erguer um império e espalhar a Dança Oriental pelo mundo, não posso deixar de me entristecer com o caminho exageradamente mercantilista que o evento está a tomar.

*** As actuações e até muitos dos workshops ministrados no Festival são pagos à organização do mesmo que, em troca de dinheiro e serviços gratuitos, promove “professores” e “bailarinos” que de profissionais têm pouco. Marketing que se vende bem caro e ausência de critério na escolha de quem ensina ou se apresenta em espectáculo num dos Festivais Mundiais do Cairo!
Em troca de um palco com o nome “Ahlan Wa Sahlan Festival” no fundo do mesmo, muito dinheiro rola por baixo da ponte e assim se destrói muito do trabalho já feito pela própria Raqia Hassan que tanto contribuíu para dignificar a Dança Oriental no mundo. Existem contradições que não entendo.

*** Espectáculo da Dina e de um dos seus clones (Dalila):
Nem sequer me vou alongar neste comentário porque a minha opinião é tão negra que talvez manche toda esta página que agora escrevo.
Primeiro “espectáculo” da noite (Gala de Professores e Alunos, não entendi bem de quem...) com Dalila. Autêntico clone de Dina totalmente desprovido de técnica, originalidade, talento ou alma. Sem mais comentários.

Dina!
Mais uma vez, sem grandes comentários. Como resumir o que penso?!
Dina caminhando no palco, mãos na boca, expressões pseudo-sexys e muito, muito pouca dança. Plus, nenhum sentimento.

*** Assisti à Gala na esperança de ver e gravar as actuações de dois amigos meus mas, devido à aparição repentina de Dina, estes não actuaram.

*** Noite muito confusa (deixou-me atordoada) e triste para mim.
Onde está a ARTE? Para onde caminha a Dança Oriental se o maior Festival Mundial de Dança Oriental do Cairo se digna a apresentar uma gala assim, funcionando mais como uma máquina de marketing do que como um evento de divulgação e evolução desta arte que tanto amamos?!


Cairo, dia 24 de Junho, 2009

“As várias noites do Cairo – Nilo e Show de Derviches seguido do polémico “Moulid” de Sayeda Zeinab...”

*** Continuo nas minhas peregrinações nocturnas pelo Cairo, tirando o máximo proveito das minhas raras noites livres...jantares com amigos e outros artistas na baixa da cidade e em casa de egípcios generosos que me empanturram com os meus pratos preferidos, passeios no Nilo em barcos iluminados de forma “kitch” e com musiquinhas irritantes dos tops populares do Egipto, concertos e uma visita ao famoso “Moulid” de Sayeda Zeinab, numa das zonas mais fascinantes e perigosas do Cairo (Cidade dos Mortos).

*** Como um pássaro – livre, sempre livre! – movo-me de um extremo ao outro, de um universo ao seu oposto e sempre com o mesmo respeito e interesse porque a riqueza do que se observa está, em grande parte, da capacidade do olho que se lhe dirige.

*** Noite 1 : Jantar com amigos e passeio no Nilo com direito a bebidas alcoólicas das quais não usufruí, uma vez mais...o apelo do proíbido é irresistível. Apesar de ser proíbido o consumo de bebidas alcoólicas no Cairo, existem vários estabelcimentos com “licenças” (leia-se “subornos chorudos”) para vender o bem proíbido. O egípcio comum evade-se com a música, o sexo ilícito e o haxixe. O estrangeiro ou o egípcio “estrangeirado” procura as suas crevejas e o seu bom vinho e sempre o encontra.
Os meus amigos levam cervejas para o barquinho que nos leva por um passeio “naif” no Nilo onde, depois das 1.30h da manhã, estes barcos não podem circular.
Bancos de madeira cobertos de tecidos berrantes e sujos e um rádio de carro fazendo as vezes de uma aparelhagem de som que projecta músicas tontas e anima o pessoal, “baladi style”!
Depois de dançar e rir muito em pleno Nilo – sendo olhados de lado por egípcios que passam noutros barcos e que vêm a dança em locais públicos como algo de mau tom e próprio de bárbaros sem educação.

Procuramos um “night-club” na baixa da cidade que nos mostre uma paleta suficientemente interessante de personagens que nos encha a imaginação nos próximos dez anos. Entramos em dois locais nocturnos tão mauzinhos, tão mauzinhos que nem a bailarina de peruca cor-de-laranja e tacões “Drag Queen Tânia Vanessa” nos convence a ficar, suportando o mofo, mau cheiro, chá amargo e clientela para lá de rasca que povoa aqueles espaços. Mais vale ver um filme do Pedro Almodóvar (e poupamo-nos o embaraço de ter de partilhar o night-club com os habituais exércitos de baratas que dão côr à casa).

Detalhe comovente e revoltante da noite: Enquanto nos dirigíamos para um restaurante na baixa da cidade, fui abordada por uma menina que devia rondar os 7 anos de idade. Ela pediu-me dinheiro e ofereceu-me beijos e bajulações, até que eu me ajoelhei e calmamente lhe perguntei, olhos nos olhos:
- Não devias estar em casa com os teus pais?! O que faz uma menina tão pequena a esta hora na rua?
- Tenho de levar 35 libras ao senhor senão ele fica zangado. – Respondeu ela sem hesitar e com um óbvio terror nas faces queimadas pelas ruas cruas do Cairo.
- Que senhor? O teu pai? A quem tens de levar dinheiro?! – Lancei eu, antes que tivesse tempo de pensar e recear responder ao meu súbito inquérito.
- O senhor. Ele zanga-se se eu não levar o dinheiro. – continuou ela como que em piloto automático e fixando o chão.
A esta altura, um dos meus amigos perguntou-lhe se podia tirar uma fotografia minha com ela mas a menina gritou com terror e disse, categoricamente, NÃO!
- Porquê?! – Perguntei eu.
-Vocês vendem estas fotografias aos jornais e depois o senhor zanga-se comigo.” Persistiu ela, decidida a não se deixar fotografar e, imeditamente, mudando de ideias quando o meu amigo lhe mostrou uma nota de 5 libras egípcias e lhe assegurou que as fotos não eram para jornais.

O que mais me impressionou foi o medo que esta criança alimentava em relação àquele que é o seu proxeneta (existem máfias de tráfico e exploração de crianças por todo o Cairo), a sua consciência do que é certo e errado (tendo noção de que a imprensa internacional condena aquilo que lhe estão a fazer e temendo represálias por se expôr a uma câmara) e a forma como ela me propôs em casamento quando eu a abracei e lhe fiz uma festa na cabeça.

- Caso contigo. Leva-me para tua casa. – Disse-me ela, embevecida como um cordeiro bebé depois de a ter acariciado.
- Casas-te comigo?! Mas tu és menina e eu sou menina! Como vamos casar?!” – Respondi eu, indo ao encontro do tom e de cócoras, de forma a me sentisse em sintonia com o seu mundo.
- Não importa. Eu não preciso de ser teu marido. Posso dormir aos pés da tua cama! Leva-me contigo...– concluíu ela, nitidamente desejosa de ser levada dali para fora para uma realidade longe daquela que conhece.

Dei-lhe rebuçados e algumas moedas, alguns beijos – que tiveram o efeito que os rebuçados e o dinheiro não tiveram – e despedi-me dela com um aperto no coração. Sei que alimentei um pouco mais um círculo vicioso que contribui para a exploração destas crianças mas também sei que será agredida, caso regresse a casa sem dinheiro. O “senhor”, seja lá quem for o atrasado mental, não perdoará que ela regresse a casa de mãos vazias nem sonha que, por momentos, aquela menina a quem trata como uma máquina sabe Deus de quê, se sentiu humana porque houve alguém que ousou dar-lhe um abraço e passar-lhe a mão pela cabeça.


Terminamos a noite dançando em casa do Mohamed. O porteiro tem uma noite em cheio com o pessoal que chega ao prédio e com a música que sai do apartamento do meu amigo.

*** Noite 2 : Show de Derviches e Moulid Sayeda Zeinab

*** Pergunto-me como é possível que eu nunca tenha visto este espectáculo?!
Há vários anos a esta parte, o Ministério da Cultura (naquilo que foi um ataque súbito de loucura abençoada) subsidiou e promoveu um espectáculo de Derviches e música sufi egípcia no coração do Hussein (mercado de Khan El Khalili) e no seio quente de um palácio para lá de belo chamado “El Khoury”.
Poucas coisas me tiram o fôlego e já vi tanta porcaria na área da dança e música orientais que penso, à partida, morrer de tédio sempre que vou ver um espectáculo comercial mas esta foi uma excepção total à geral onda de facilitismo e pobreza artísticas do meio em que me movo.

Música sufi do melhor com músicos fantásticos e individualmente talentosos e carismáticos.
“Tannoura” ou dança dos derviches de uma tremenda beleza e carga espiritual, contrariando a minha opinião em relação a todos os espectáculos comerciais do mesmo género que tenho visto no meio ou depois dos meus próprios espectáculos ou no trabalho de outras bailarinas.
Retirada do seu contexto espiritual, a “tannoura” (que significa “saia” ) perde todo o seu significado e transforma-se num simples exercício visual durante o qual um homem – geralmente – gira sobre si mesmo sem parar exibindo uma ou várias saias multicolores e criando efeitos com as mesmas. Qual o interesse? Qual o significado?! Sempre me escapou...excepto quando vi este espectáculo no palácio já de si mágico e me apercebi que o giro sufi pode ser usado como uma forma de meditação – libertação do ego-mente - e símbolo do movimento perpétuo da Terra e do próprio sistema solar.
Lindo, luminoso e extremamente bem coordenado.
Existem duas ocasiões opostas durante as quais me poderão ver de boca aberta (sem que eu mesma me dê conta disso!): quando vejo algo absurdo de tão mau que é ou quando me deixo deslumbrar por algo maravilhoso (como acontece às crianças, habituadas a perder o pio face a emoções fortes).
Permaneci boquiaberta pelas melhores razões possíveis.

Todas as 4ª feiras e Sábados, pelos 20.00h no Palácio “El Khoury”, Hussein.
A não perder!

*** “Moulid” de Sayeda Zeinab

Entrando numa das zonhas mais pobres e perigosas do Cairo – cidade dos Mortos- não pude deixar de notar como, cada vez mais, este povo necessita algo a que se agarrar e em que ter fé para fazer face às incertezas do Futuro e terríveis dificuldades do Presente.
A religião oficial – muçulmana – e prevalecente sempre esteve contra outras manifestações religiosas ou espirituais mas o Egipto gaba-se de ser uma nação multi-racial-religiosa-cultural e, devido a isso e ao desejo do povo que não permite que apaguem certas tradições milenares, os “Mawalid” (plural de “Moulid” continuam a existir, acesos no coração dos crentes no mundo do lado de lá...).

Os “Mawalid” são aniversários de figuras centrais da religião muçulmana mas a forma tendencialmente profana como são festejados dá-lhes uma conotação negativa, sendo considerados pela maioria dos egípcios como manifestações populares dos mais pobres e ignorantes.
Existem vários “Mawalid” mas um dos mais conhecidos do Cairo é este, onde venho parar pela terceira vez, dedicado a Sayeda Zeinab (filha do profeta Mohamed) e celebra-se com música de transe e dança repetitiva (balançando o corpo inerte de um lado para o outro com a cabeça pendurada e já perdida como uma pêndulo que perdeu o norte e o sul).

Existe nestas celebrações uma componente sufi bastante forte e é ela que justifica a utilização de música e dança catárticas como forma de comunicação com Deus.
A religião muçulmana praticada pela maioria dos crentes opõe-se a qualquer actividade que permita ao ser humano evadir-se e perder-se da sua própria mente (como a música, dança, bebidas alcoólicas e drogas, paixões de todos os géneros, amor pelo sexo oposto). As facções sufis que saem da ordem geral desta religião permitem e encorajam o uso destas artes – música e dança – como forma de ligação ao Divino e, por isso, são olhadas de lado pelas autoridades religiosas e poder instituído.

Detalhe escabroso: Fui apedrejada duas vezes nas costas porque trazia vestida uma blusa que mostrava os ombros. Resultado da ignorância, pobreza material e de espírito e repressão.

Detalhe apetitoso: Uma personagem que eu reencontrei, pela terceira vez, neste vasto mundo do “Moulid” de Sayeda Zeinab. Um homem com uma cobra de estimação a quem dá de beber como se fosse uma mãe amamentando o seu filho, introduzindo a cobra na boca e assustando os transeuntes mais vulneráveis.

Detalhe amoroso: Crianças que me “descobriram” e a mim se colaram, abraçando-me, beijando-me, observando-me como se eu fosse uma relíquia e com quem tirei fotografias e falei sobre assuntos do “Arco da Velha”. Uma das meninas foi a casa buscar um frasco de perfume para me oferecer (será que estava tão pestilenta que a criança não pôde conter o impulso de me oferecer um perfume?!) e todas ficaram histéricas quando eu me atrevi a fazer um movimento mínima de ancas ao som da música que vinha do interior de uma das casas com janelas escancaradas. Para elas, esta foi noite de Natal (embora, como muçulmanas, elas nunca o festejem).

Detalhe informativo: Dita as regras de cortesia dos “Mawalid” que os transeuntes deverão ser convidados a participar nos rituais de transe e aos mesmos devem ser oferecidas bebidas – chá, água, refrescos – e comida, se disponível.

*** Noite intensa e cheia de observações que usarei directamente no meu trabalho. Toda a movimentação ligada aos rituais de transe se prende com essa necessidade básica de nos evadirmos de nós mesmos e da nossa realidade material, viajando para outras dimensões. Já está incorporado no meu reportório de dança...e assim se evolui e aprende...





Cairo, dia 22 de Junho, 2009

“Il Zaar – “rave parties” caseiras para libertar demónios e outras maleitas...”

*** Hoje acordei pesada e molhada do calor que me derreteu durante a noite para assistir a um espectáculo único: as minhas duas garotas (gatinhas, Sweetie e Kenzi) num estado de rara cumplicidade e entendimento, brincando/torturando uma barata tão grande que mais parecia um pequeno pónei.

*** Aproveitando um período aborrecido de mais burocracia (devido à minha abençoada transferência para o “Nile Maxim” onde partilharei o espaço com Asmahan e Randa Kamel), tento aprofundar os meus conhecimentos de dança e cultura, ler mais, coreografar para os eventos de Setembro ( e o DVD que acompanhará os mesmos!), ensinar o melhor possível nos cursos de Verão que estou a ministrar aqui no Cairo e também rever amigos, observar e assimilar tanta cultura e informação disponíveis nesta cidade louca onde o vulgar se confunde com o espectacular e nada é aborrecido ou previsível...

*** Reúno-me, depois de meses sem o ver, com o meu amigo Mohamed (el Sayed) com quem estudei, lado a lado, apredendo com o nosso querido primeiro mestre, Shokry Mohamed (infelizmente, já falecido).
Dançamos juntos, conversamos na sua casa rústica na famosa rua de Mohamed Ali (outrora conhecida pelas várias agências de artistas e, actualmente, reduzida a pobres lojas de instrumentos musicais e casas das últimas “awalim”), trocamos impressões e discordamos sempre com o respeito e vontade de aprender com que nos conhecemos um ao outro, numa altura em que ninguém poderia ter previsto as voltas fantásticas que a vida deu!

*** Enquanto estou envolta numa rotina constante de espectáculos, raramente tenho tempo ou energia para me lançar em domínios desconhecidos e sair à noite. Aproveitando este irritante – mas útil! – interregno nos meus espectáculos, agradeço ao Mohamed algumas das experiências mais fantásticas que se podem ter no Cairo e com ele entro em mundos que, mais tarde, desejo mostrar às alunas que venham de Portugal numa viagem ao Egipto a organizar para o ano que vem!
Ele relembra-me que o Cairo não é composto apenas de hotéis de 5 estrelas e escritórios. Existe aquilo que a classe alta considera detestável e que poderemos chamar “sub-mundo baladi” onde as surpresas e beleza insuspeita estão sempre ao virar da esquina.

*** “Il zaar” – Rave Parties caseiras para libertar demónios e frustrações várias...


*** O Mohamed levou-me até uma povoação longínqua dentro do Cairo (esqueço-me de quão grande é esta cidade!). Povoações como esta não figuram nos guias de viagens (nem sequer no “Lonely Planet”!) e suspeito que ninguém – excepto loucos como eu – as buscam. Blocos de cimento salpicados de lojas ruidosas e iluminadas a mil cores, gente e mais gente a perder de vista e umas esquinas rafeiras por onde passamos para encontrar, como no fundo de um longo túnel, uma casa perfeitamente vulgar onde se pratica – há mais de 90 anos – um ritual semanal de “Zaar” presidido pela “sheikha” e frequentado por mulheres pobres sem dinheiro para divórcios, férias num SPA ou consultas de psiquiatras.

*** As sessões de Zaar remontam a um passado longínquo e podem encontrar-se, sob outras denominações, em várias culturas (africana, brasileira, marroquina, norte-americana, etc) onde os demónios/energias negativas de cada indivíduo são persuadidos a enfrentar uma música e dança tão catárticas que nem o mais persistente “encosto” consegue aplacar a sua própria extinção.
Independentemente daquilo que se possa chamar a estes encontros (acompanhados por músicos com um reportório específico para a ocasião), o que entendi e senti na pele foi o seguinte:

*** O ser humano precisa de escapes para libertar as suas frustrações, emoções reprimidas, energias-pensamentos- cargas negativas e a música-dança servem de veículo para tal libertação. Até aqui, nada de novo. Eu própria uso a dança e a música – o meu trabalho, no fundo – como catárse.
No entanto, o Zaar possui uma componente espírita muito forte, invocando almas do Bem e do Mal, manejando forças ambíguas que vivem, paralelamente, no Universo e dentro de nós mesmos.

*** A casa está pesada de tantos espíritos que ali repousam e assistem às danças espontâneas das mulheres que chegam e partem sem uma palavra que lhes saia da boca mas com mundos a preto e branco saindo-lhe dos corpos exaustos de uma vida que lhes pesa.
Existem alguns músicos – adufes, tabla e flauta nay – e uma cantora castiça que também toca adufe com as suas mãos rechonchudas, fortalezas calejadas de trabalho e dores constantes.

*** Eu sento-me com os meus amigos e sou persuadida a participar no ritual depois de já ter observado as danças de duas vizinhas que chegaram com os seus filhos ainda bebés a quem amamentam entre uma sessão de dança- espanta espíritos e a outra. Um mundo não incomoda o outro, antes se entrelaçam e completam: o visível e o invisível. O bem e mal. Todos Um, apenas faces distintas da mesma moeda...

*** Cobrem a face com um véu negro que as protege da luz e do olhar dos outros. Cerram os olhos e mergulham nesse poço sem fundo que é a sua alma, chegando onde a mente não lhes permite chegar, viajando através da música e do movimento para outras dimensões onde os que já se foram cumprimentam os que ainda cá estão e lhes limpam os mapas turvos do coração que já viveu e sofreu.

*** Cada mulher tem o seu estilo de movimento, a sua cadência e energia próprias. Frustrações e sonhos são dançados ao som de instrumentos e canções criadas pelo Diabo para servir a Deus ou por Deus para servir o Diabo. O objectivo destes ritmos parece-me óbvio e com muita naturalidade – a naturalidade da bruza que há em mim – me lanço a esse espaço comum de voos e escapes.
Danço ao som da percussão que me leva onde já vou, normalmente, com a minha arte. É esse o privilégio e o perigo de se ser artista: estar sempre em contacto com esse outro lado do Universo, essa dimensão invisível onde os espíritos nos suspiram ao ouvido e lhes podemos tocar com as mãos nuas de preconceitos e medo.

***O que mais me impressionou?!
A forma como as energias de alta e baixa vibração se misturam, pacificamente, num contexto onde ninguém julga ninguém e o conceito de realidade se perde.
Ter visto – através dos corpos em movimento – que o Bem e o Mal são uma e a mesma coisa, apenas degraus diferentes da escalada que todos percorremos em direcção à PAZ total (ou Deus, como se lhe queira chamar).

Saturday, June 27, 2009

Cairo, dia 16 de Junho, 2009


“Festival de Nile Group e Aula com Mahmoud Reda, “one more time”...”

Mahmoud Reda sendo homenageado pelos 50 anos da existencia da "Reda Troupe"
*** A perspectiva de quem conhece um objecto desde o seu interior é sempre diferente da perspectiva obtida à superfície do mesmo. A ponta to iceberg não nos informa da verdadeira dimensão de tudo o que dele está imerso por água.
Sem buscar saber tanto do que sei, acabo por ver e ouvir mais do que gostaria e, assim, compreender a realidade que me rodeia de forma multi-dimensional.
Os podres do meio artístico da Dança Oriental não são novidade para quem lê este “Diário do Egipto”, bem como as maravilhas que o compõem.

*** Não sou adepta de grandes críticas negativas por várias razões. Dizer que não gostei de algo não constrói absolutamente nada e criticar negativamente colegas – artistas ou não - que trabalham no mesmo círculo fechado que eu soa-me bastante mal.
Prefiro apenas referir os pontos positivos quando se trata de criticar bailarinas do meu mercado, por isso, aqui vamos...quando não enfatizar alguém ou o seu trabalho, significa – normalmente – que não me agradou por aí além.

*** Gala de abertura do “Nile Festival”:

Bailarinas: Nancy (egípcia), Nour (russa) e Camelia (egípcia);
Não cheguei a tempo de ver a Nancy que ficou, depois da sua actuação, sentada ao meu lado com um ar de cachorrinho abandonado. Muito simpática e educada mas deslocada do ambiente do Festival.


Nour: bailarina com quase vinte anos de trabalho no Egipto sendo que já não actua regularmente no Cairo há, pelo menos, tres anos. É uma bailarina muito respeitada e inteligente, super séria no que faz e com um amor visível à dança. Respeita-se a si própria e áquilo que faz e isso nota-se. Apenas um “senão” (não consigo resistir...tenho de dizer o que penso!):
Respeitar a Dança Oriental não quer dizer que temos de a ver como uma oportunidade de entrar para o Convento das Irmãs Franciscanas. Quero dizer com isto que lhe falta, a meu ver, a garra e sensualidade que são próprias desta arte. Demasiado pudor, certinha até mais não, mecânica e correcta em todos os movimentos. Nada a ver com o “feeling” verdadeiro, meio louco e visceral que eu gosto de ver numa bailarina. Em defesa da Nour, devo acrescentar que muito desse ar de monja deverá vir da sua educação e personalidade e ela apenas se limita a ser si própria (isso é positivo!) mas, pessoalmente, prefiro criatividade e talento ao certinho e ao púdico.




NOTA: O.k, já entrei em total contradição quando referi que não criticaria negativamente as minhas colegas. Não pude resistir dizer exactamente aquilo que sinto. Foge-me sempre a boca para a verdade...

Camelia :
Ponto polémico da noite – como penso que foi intenção da bailarina criar – porque toda a gente com quem falei me pareceu ter detestado o espectáculo da Camelia e eu gostei. Não me deslumbrei, não fiquei sem ar nem me emocionei mas vi muitíssimos pontos de interesse e usufruí de um espectáculo que me deixou interessada e curiosa pelo que havia de vir do início ao fim. Eis o que me encantou:

Escolha das músicas: Excelente. Bom gosto, originalidade, oposto de todo o facilitismo das bailarinas que escolhem músicas que presumem agradar ao público mas que não lhes agradam a elas e às suas almas. Adorei todas as músicas interpretadas e senti que havia um claro conhecimento da matéria e bom gosto da parte de quem quer que seja que compôs o programa do espectáculo.




Personalidade: Total. A Camelia, goste-se ou não, é ela mesma e não está minimamente interessada no que os outros digam. Por vezes é horrível, vulgar, intensa ou simplesmente despropositada mas sempre ELA MESMA e isso requere coragem e carácter. Para mim, este é o grande ponto forte da Camelia e muito se tem a aprender com a sua ousadia.
Adereços e originalidade nos conceitos de cada dança:
“Shamadan” – candelabro – com “sagats”, pulseiras indianas nos tornozelos com as quais ela criou um efeito percussivo em resposta à “tabla”, “assaya” – bastão – e muita loucura nos passos e movimentos que ela deve ter aprendido numa escola em Plutão (estranho, estranho, estranho...). Houve uma óbvia preocupação por apresentar algo de original, novo e controverso.






Existem várias formas de deixar uma impressão na mente do público... A Dina tem usado escândalos sexuais, roupas totalmente reveladoras e movimentos que não deixam espaço à imaginação para se auto-promover durante toda a sua já longa carreira e a Camélia também parece ter essa noção exacta de “marketing” que se baseia na célebre frase “falem mal ou bem de mim, o importante é que falem!”






. Nada do que vi em palco de estranho foi lá posto ao acaso, disso tenho a certeza...houve quem detestasse, quem abominasse os espasmos, “close-ups” de traseiro e gestos baratuxos e tal mas, o que interessa é que, no fim, toda a gente ficou a falar nela...assim se criam nomes neste meio artístico e a Camelia parece sabê-lo muito bem.




· O que não me agradou tanto (a Nour apanhou, a Camelia também tem de apanhar... L ):
Excesso. Excesso de esforço. Excesso de tentar chocar e inovar dando origem a um estilo que não é oriental nem é estilo nenhum. Tentativa de incluir estilos de dança que ela não domina e que resultam frouxos, amadores e sem beleza estética.
Excesso de insegurança e de ânsia de provar algo diante do público resultando em rasgos de agressividade e ataques nervosos que saiam do contexto, do ritmo, da música, daquilo que ela estava a sentir.
Excesso de vulgaridade – bem diferente de sensualidade - em muitos dos movimentos que fez questão de frisar (traseiro, traseiro, traseiro...virado, espetado, apontado, freneticamente abanado na cara do público).




Sei, por experiência própria, que a necessidade de provar algo ao público e a insegurança criam autênticos desastres. Correndo o risco de me parecer com uma pseudo-analista de quinta categoria, ouso supor que os momentos e aspectos que não me agradaram do espetáculo da Camelia têm a ver com uma enorme insegurança e medo de não ser “suficientemente especial”.
Consigo sentir quem está do lado de lá, em cima do palco, nas luzes da ribalta onde todos nos julgam e pensam saber fazer melhor... (é fácil criticar quando se está sentado a olhar).
Apesar de tudo o que lhe apontaram de negativo – incluindo eu – a Camelia foi a única bailarina que, em muito tempo, me conseguiu despertar o interesse.

Companhia:



O meu querido Mahmoud Reda com quem, mais uma vez, me ri às gargalhadas durante a noite inteira e a quem foi oferecida uma mais que merecida homenagem por ter sido o 50º aniversário da “Reda Troupe” da qual ele é fundador e criador artístico.
Agrada-me, acima de tudo, o amigo e não apenas o artista. Não consegui conter as lágrimas quando o chamaram ao palco e falaram sobre ele, o seu fantástico contributo e o seu bom coração (tradução: “Dei barraca da grossa!”).

Aula com o Mahmoud Reda :



Por mais que conheça o seu estilo e coreografias, nunca deixo de sentir um imenso prazer ao ajudar nestes workshops onde eu aprendo mais do que ensino.
Mais uma vez, muito riso e “private jokes” (o riso é um denominador comum da nossa relação...haverá melhor sinal que esse?!), dança e partilha. O grupo de alunas era maravilhoso e simpático, extremamente concentrado e interessado em aprender (assim dá gosto ensinar!!!).
Saí da aula cheia. Cheia de novas emoções e ensinamentos, cheia de alegria pela oportunidade de aprender com o meu amigo querido e cheia de gratidão por estar aqui, fazendo o que faço e sendo quem sou.
Cairo, dia 13 de Junho, 2009

“Aniversário a actuar e entre amigos- poderia ser melhor?!”

*** O que houve de especial neste dia de aniversário?

Visita da Nagle, senhora egípcia que faz todo o tipo de biscates para ganhar a vida e sustentar uma casa com dois filhos e um marido encamado. Contrariamente ao que é costume ver-se nas sedentárias mulheres egípcias, a Nagle é activa, lutadora e cheia de energia para trabalhar talvez porque precise tanto e também por natureza. Peca por querer fazer mais do que pode e sabe mas compensa pela força de vontade e energia para arregaçar as mangas e pôr mãos à obra.
Desde limpar a casa, a cozinhar iguarias egípcias, cozer, bordar e tricotar, fazer de figurante em séries de televisão, fazer maquilhagens que ela julga serem dignas de Hollywood mas que eu, na minha ignorância, mais vejo aptas para uma “Noite das Bruxas”, trabalhar como minha assistente quando tenho casamentos ou festas privadas (olha mais do que faz mas é um apoio!), fazer manicures e pedicures terríveis (caí na esparrela uma vez), depilações tradicionais egípcias com a “halawa” (feita com mel e limão e semelhança às ceras depilatórias) e massagens improvisadas – uff!!! – a Nagle é um autêntico Da Vinci do brica-a-braque, uma mulher com os valores da Renascença e uma genica invejável.
Visitou-me no meu dia de aniversário para me oferecer uma “djellaba” para os meus espectáculos. No meio de tanta pobreza – que ela combate com trabalho incessante – foi capaz de se preocupar em desencantar uma “djellaba” para os meus espectáculos.

Fui invadida por mensagens, telefonemas e emails de amigos de todo o mundo – literalmente – desejando-me um FELIZ ANIVERSÁRIO.
Nada me deixou mais feliz do que isto.

Manhã na piscina do ginásio onde vou treinar...sol, um bom livro e muita paz para começar o meu dia de anos.


Espectáculo em festa privada com gente eficiente, divertida e muito “boa onda”...não dancei pela arte mas pelo entretenimento. Quero dizer com isto que existem espectáculos em que o público ou a natureza do palco e evento em si pedem uma “entertainer” e não tanto uma artista. O público está animado, vem dançando pela noite fora e bebendo uns copitos. Quando eu chego, o que eles querem é pular, gritar e dançar sendo animados por mim. Nada de sentar-se e assistir a uma sentida canção de Om Kolthoum (isso é para outras ocasiões).
Confesso que me divirto mas, como artista, me sinto frustrada. O ideal é poder combinar a arte com um pouco de “regabofe”...não gosto de sentir que qualquer bom “entertainer” poderia ter feito aquele trabalho. Ser-se único passa por fazermos algo que mais ninguém poderia ter feito com a mesma qualidade e alma. Quando isso falta, eu sinto-me vulgar e facilmente substituível. No entanto, consegui estar “no momento” e celebrar com o público esta noite que era mais minha que deles!

5. Depois do espectáculo, corri para os braços de amigos que fizeram questão de organizar um jantar de aniversário e esperar por mim, apesar de eu só ter podido aparecer à 1.30h da manhã... L O carinho e presença daqueles que nos querem bem é a base de toda o sucesso e felicidade. Estou grata por isso e por tudo o resto que não posso descrever.