Saturday, November 13, 2010

Joana Saahirah of Cairo dancing Reda Troupe Saiidi

Cairo, dia 13 de Novembro, 2010

E um Saiidi...

Aqui esta um dos temas Saiidi que mais adoro, emprestado do meu querido Mahmoud Reda (o tema foi, originalmente, composto para a Reda Troupe).

A par da Danca Oriental classica (ou moderna), o folclore egipcio enche-me as medidas. Tanta expressao, energia, caracter e um cunho unico que ainda salva a identidade quase perdida deste povo ancestral e, outrora, tao avancado!

A musica e a danca, jamais assumidas pelos proprios egipcios como parte integrante da cultura egipcia, representam o melhor que resta do Egipto que eu amo (apesar de todos os seus defeitos e feridas nao saradas!).

Rihanna - What's My Name? ft. Drake

Cairo, dia 13 de Novembro, 2010

Musica para a jornada...

Rihanna novamente. Adoro a ousadia, as cores, a energia vermelha e passional de todo o video.

Em registo light, aqui fica a musica do dia e da jornada...para que tudo seja mais leve, sensual, natural, colorido a chegar ao garrido...



Cairo, dia 13 de Novembro, 2010





Crescendo na Danca como na VIDA!






Enquanto me encontro no meu sub-mundo, encontro tesouros indescritiveis...isto ca em baixo parece-me fantastico!

Negro, sim.

Lento e denso, sim.

Desagradavel e de cheiro (nao aroma!) pouco apetecivel.

Cheio de esquinas bicudas e precipicios.

Lanco-me no VAZIO, de olhos vendados, nua atirada para o abismo do desconhecido.

La em baixo, tudo sera misterio e possibilidades.

Tenho fe que cairei no melhor chao, o mais profundo e tao mas TAO negro que se tornara BRANCO.

LUZ.

E em mim muda tudo.

Eu.

A minha forma de respirar.

O meu movimento.

A forma como escuto a escuridao possivel no SILENCIO.

A minha danca.

A forma como sinto a comida na boca, como amo e desejo,

como suspiro no ouvido do meu amor...

Vestida de negro, saboreio a morte com a certeza do RENASCIMENTO.

Celebro este Sub-Mundo como a guerreira algo petulante que sempre fui.

Aaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!



Cairo, dia 13 de Novembro, 2010




Olhar egipcio...


Como sera possivel que o olhar fixo da mulher egipcia consiga ser pior e mais prejudicial do que o olhar fixo do homem egipcio?!
Os homens fixam o olhar com desrespeito, assedio sexual e curiosidade mas as mulheres egipcias fixam-no com inveja, pensamentos negativos de cobica e odio. Para mim que nao costumo olhar para o jardim do vizinho do lado, tudo isto me parece terrivelmente perturbador.
A reaccao das mulheres egipcias mais velhas e' um pouco mais benevola, regra geral. Elas ja nao se consideram em competicao comigo pela atencao dos machos
(machos, machos...hhuuummmm....ma non troppo...macho e' um termo muito discutivel, tanto por ca como pelo Ocidente...onde andam eles, os verdadeiros MACHOS??? Talvez vestindo saias e pintando os labios de vermelho!).
As mulheres egipcias da minha geracao ou ate mais novas lancam olhares mortiferos, fixos, sem timidez de serem apanhadas no processo mesquinho da inveja. Parece que, culturamente, querer aquilo que a OUTRA possui de belo e bom e' tao natural e comum como o desejo de casar e ter flihos (objectivo prioritario para a maioria das mulheres egipcias e arabes).
No Ocidente, a inveja existe (se existe!) mas nao e' culturalmente aceite como algo normal. No Egipto, tudo de negativo na psique humana parece ser normal.
Quero aquilo que tu es, tens, amas... como um jogo perverso de criancas que lutam pelo mesmo boneco sem sequer gostar muito dele. E' so porque a OUTRA o tem...
Esta manha fugi de mais um desses olhares fixos de uma mulher que treinava no ginasio ao meu lado. Ela parou e ficou ali a olhar para mim durante o que me pareceu uma eternidade com uma intensidade e uma maldade que os homens nao possuem. Senti-me mais incomodada do que se tivesse sido um homem a assediar-me...bizarro, deveras bizarro!
Considero seriamente virar-me para o lado da Brigitte Bardot e adoptar a companhia amorosa dos animais, renunciando a este lado humano da existencia que mais me parece - na maioria dos casos - uma camara dos horrores.



Cairo, dia 13 de Novembro, 2010














Vou la a baixo (a minha cave)

e ja volto!











Para alguem SOLAR, por excelencia, como eu ter de descer ate as suas proprias aguas profundas (com todo o lodo, lama e escuridao que por la se encontram) e lidar com o lado menos agradavel da Vida nao sera, com certeza, a coisa mais apetecivel do mundo mas...como fugir a realidade?!



Entre os defeitos que tambem terei (teimosia, volatilidade, etc e etc com toda a certeza!!!:), nao se encontra a COBARDIA.

Por essa razao e, fazendo justica a minha legendaria coragem (a la Joana D'Arc!), mergulho bem fundo no sub-mundo das emocoes e da REALIDADE humana.



Sera que consigo ir e voltar ilesa? Ou melhor...sera que consigo ir e regressar ai a cima mais forte e sabia?! Espero que sim. Peco a todas as Deusas que me acompanhem na viagem descendente, no despojamento dos adornos (so assim se atinge a completa e necessaria vulnerabilidade) e que me abrace com sabedoria e amor no regresso ao mundo de LUZ onde teimo em viver.



A Danca tambem sera inserida nesta viagem...imagino-me assim, pronta para uma pererinacao a um profundo subterraneo cheio de sombras e monstros. Vou avancar sobre eles, como sempre fiz, sorrir-lhes e dar-lhes a mao com a coragem dos loucos (a minha!) e descobrir que, afinal, estes monstros de sete cabecas sao apenas o lado fragil de toda a BELEZA. A face pobrezinha (mas existente) da mesma moeda que eu empunho sempre com POSITIVIDADE e AMOR.



Quando enfrentamos os nossos medos, eles desaparecem.

Lugar comum.:)

Vou la a baixo confirmar este pressentimento e depois conto como foi a viagem. Nao prometo fotografias mas um relato sincero que resulte em mais um renascimento. Mais um...o melhor de todos, so far...






" DESCIDA AO SUB-MUNDO


Inanna era a Rainha do Céu e da Terra, mas não sabe nada do submundo e sua missão agora é desvendar seus segredos.



Ela descerá para presenciar os rituais de sepultamento de Gugalana (grande touro do céu), marido de sua irmã-avó Ninlil-Ereshkigal, Rainha do Submundo que reinava sobre os sete infernos dos submundos médio-orientais. Inanna deveria testemunhar de modo presente a sombra reprimida do Deus celeste, o fato dele ter sido um estuprador e por isso mandado para o mundo subterrâneo como castigo.


Mas Inanna prepara uma estratégia de resgate, caso ela não retornasse da jornada em três dias.



A Deusa já pressentia que precisaria de ajuda e confia o seu salvamento à Ninshubur, sua executiva de confiança.

Inanna havia pedido para pedir ajuda ao deus celeste Enlil, o pai supremo universal, depois a Nanna-Sin, seu pai pessoal e deus lunar e, finalmente, até Enki.




Haviam sete portais que Inanna deveria cruzar rumo ao seu objetivo final. Em cada uma destas portas se vê despojada de seus instrumentos de poder, desde sua coroa até suas vestes. No sétimo e último portal, totalmente nua encontra-se com Ereshkigal, sua irmã e rival. A retirada de todos seus pertences se faziam necessário, porque o "ego" tentaria se defender com todos os seus poderes conscientes.




A coroa de Inanna, por exemplo, significava o seu poder intelectual.

Suas jóias e adornos, simbolizavam seu poder de agir e a sua habilidade crítica de julgar.



As suas vestes reais, seriam as defesas de seu psique e uma das formas de proteção contra tudo e todos.



Totalmente nua, seria a única forma com que Inanna poderia se relacionar com sua sombra.





Neste estado vulnerável, Inanna enfrenta sua irmã (sua sombra), é presa e crucificada num poste do mundo inferior, constituindo-se numa imagem de divindade feminina agonizante. Como qualquer iniciada, ela se rende corajosamente ao próprio sacrifício, para ganhar nova força e conhecimento. Como a semente que morre para renascer, a Deusa se submete.


Sozinha e na escuridão, Inanna decompõe-se.



Mas nem tudo está perdido, esta experiência e a aceitação de sua vulnerabilidade, a descoberta da necessidade do sacrifício e da morte para que os ciclos da vida se perpetuem, aumentam o poder de Inanna, assim como sua compreensão e beleza.



Inanna oferece-se em sacrifício, testemunha a morte das forças férteis e traz a si mesma como semente. E de sua imolação voluntária depende a continuidade da criação.



A idéia fundamental é de que a vida só pode nascer do sacrifício de outra vida.


É Ninshubur que dá o alarme depois que Inanna se ausenta por mais de três dias, conclamando mulheres e homens e pedindo a intercessão dos deuses celestes em favor da Deusa. Ambos os deuses, o celeste e o lunar, recusam-se ou não ousam resgatar Inanna do local de estagnação do Mundo Inferior.


É somente de Enki que receberá ajuda. Ele é o deus da sabedoria, que mora no fundo do abismo.



Em vários mitos ele aparece ao lado de Inanna. Da sujeira que estava embaixo das suas unhas pintadas de vermelho de uma de suas mãos ele cria Kurgarra e da sujeira da outra, Kulatur. Eles são descritos como "devotos assexuados" ou criaturas nem macho nem fêmea. Estas criaturas, representam a atitude fundamental para atrair as bênçãos da Deusa Escura.
Quando tais criaturas chegam ao Submundo para resgatar Inanna encontram Ereshkigal com dores de parto sofrendo terrivelmente. Os carpidores de Enki aproximam-se da Deusa, vendo e sentindo o seu sofrimento, lamentando com Ereshkigal.
Quando ela diz:
-"Ai, está doendo dentro de mim!"
Eles respondem:
-"Ai! Tu que gemes, nossa Rainha. Ai! Está doendo dentro de ti!"Quando ela diz:
-"Ai, está doendo fora de mim."
Eles ecoam:
-"Ai! tu que gemes, nossa Rainha. Ai! Está doendo fora de ti".
O eco compõe uma litania, transforma a dor em oração e poesia.
A miséria escura da vida se transforma em canção da Deusa. Estabelece a arte como uma resposta solidária, reverente e criativa às paixões e dores da vida. O que agora jorra de Ereshkigal não é mais destruição, mas generosidade.
Ereshkigal, grata pela ajuda das criaturas, resolve recompensá-los. Eles pedem o corpo de Inanna que está pendurado e ela entrega-o. Inanna está transformada, generosa e benéfica. Deu-se um milagre pelo seu sacrifício e por Enki ter tomado a atitude adequada. A fertilidade do touro do céu que havia morrido renasce no útero sombrio. Inanna é reintegrada na vida ativa entretanto, ela volta dentro de uma atmosfera demoníaca, pois está rodeada pelos pequenos demônios impiedosos de Ereshkigal, cuja tarefa é reivindicar os mortos. Eles devem exigir um substituto para levarem ao mundo subterrâneo e Inanna retorna com seus próprios "olhos de morte" para escolher o bode expiatória
Descobre então, que Damuzzi (seu marido), em sua ausência usurpara-lhe o lugar no trono do céu. Ficou colérica e permitindo que os demônios lhe prendessem e o levassem. Depois sentiu pena dele e apelou a Ereshkigal para que o liberassem. Entretanto, lhe foi permitido tão somente uma troca e Geshtinana (Deusa dos caniços de papiro), a irmã de Damuzzi se oferece para alternar com ele a permanência no reino de baixo. Ela atuará como um apoio para a dimensão do sofrimento do irmão.
Assim, durante o outono e inverno, Damuzzi permanece no inferno e as colheitas não se reproduzem, enquanto que na primavera e verão, ele sai da terra para participar do reino de cima e a colheita é farta.
Esta é a origem da celebração do ano sumeriano.
O mito da descida e retorno de Inanna está centrado no arquétipo do intercâmbio de energia através do sacrifício. Ele revela uma complexidade: o touro celeste é morto e a terra perde então seu princípio fecundador, mas é recompensada pela amolação da Deusa Inanna, que torna-se a carne do submundo, seu alimento e fertilizante apodrecido que, em troca, é resgatado a partir das origens de Enki.
A ascensão da Deusa deve ser paga pelo nascimento de alguma coisa monstruosa das entranhas de Ereshkigal, pelo sofrimento e, finalmente, pela descida de uma oferenda substitutiva.
Em seu aspecto benéfico, Ereshkigal podia permitir aos humanos a retirada de riquezas de seu reino como: pedras preciosas, metais e petróleo, mas não antes de ser devidamente honrada. Como aspecto de Anciã da deusa e irmã de Inanna, Ereshkigal regia a magia negra, a vingança, a retribuição, as Luas Minguante e Nova, a morte, a destruição e a regeneração.Inanna marcha com determinação para o mundo inferior, indo de maneira ativa e consciente para o auto-sacrifício. É assim que a mulher moderna tem que aquiescer e cooperar na introversão e regressão necessárias ao mundo subterrâneo, o mundo dos níveis arcaicos e mágicos da consciência.

Deve descer para encontrar seus começos instintivos e encarar a face da Grande Deusa, e a sua própria antes de ter despertado para a consciência. Deve ir até a matriz das energias transpessoais antes de elas terem sido liberadas e tornadas aceitáveis. É o sacrifício do que está em cima em favor do que está embaixo.A Terra e o Mundo Subterrâneo vistos como uma descida, e também como um processo de transformação, não apenas correspondem à experiência de muitos indivíduos em processo de individualização, mas ainda, pode demonstrar que se trata de um evento coletivo da cultura moderna como um todo."



TEXTO gentilmente cedido pela minha querida Rosa Leonor Pedro (obrigada, Rosinha!)

Friday, November 12, 2010



Cairo, dia 12 de Novembro, 2010





Contra a Escuridao, so a LUZ da CRIACAO e do AMOR!








Quando me encontro no meio da mais profunda escuridao, recorro a esse Eremita interno que me tem salvo em tantas caminhadas solitarias e CRIO.


Ha quem reaja a maldade alheia com a vinganca fria e crua. Ha quem responda na mesma moeda mas eu primo por ser ... EU.





Jamais respondo a maldade com maldade porque isso seria perder-me de mim e da imagem que fiz por merecer de mim mesma. Falta de estilo, eu diria...a maldade nao tem gracinha nem elegancia nenhuma aos meus olhos... nao tem ponta por onde se lhe pegue.
Tao pequenina...esteticamente desagradavel e insignificante. A maldade cheira mal.
E mais nada!


(Estou aqui armada em Coco Chanel mas e' mesmo o que sinto).





Face a um ataque de maldade, eu AMO MAIS, CRIO MAIS, procuro a LUZ nas suas varias manifestacoes, tenho vontade de aprender coisas novas, ouvir um passaro futurista!


Nao existe maior chapada na cara do inimigo do que a nossa FELICIDADE e ABUNDANCIA. Nada agride tanto quem nos quer e faz mal do que estarmos FORTES, PRENHES de criatividade e sorrisos multiplos.





Eu so dou chapadas de luva branca. My particular style... Uma questao de elegancia.





Trabalho mais arduamente,
coreografo,
interpreto novos temas nos meus espectaculos aqui no Egipto,
olho para os meus musicos com um olhar de renovada curiosidade,
escrevo mais,
tenho ideias para novos sonhos (a eterna guerreira precisa de desafios, campos de batalha amorosos onde ser desafiada e crescer),
planeio uma nova viagem de trabalho ou apenas prazer,
saio com os poucos amigos verdadeiros que me querem BEM,
vejo um filme,
durmo muito (vontade de hibernar e so acordar quando a tormenta tiver passado)
e pesquiso musicas novas que me ampliem o movimento e a expressao na minha forma de
ARTE predilecta: a DANCA.





Por isso, do fundo do mais profundo desalento, chega-me uma urgencia de FAZER COISAS BONITAS, plantar lindas flores e ve-las crescer...


E que a BONDADE e o AMOR prevalecam sobre tudo o que e' negro e sem qualidade.
Amen.
Cairo, dia 12 de Novembro, 2010


Mohamed Abdul Wahab e outras delicias musicais (improvaveis)!