Sunday, May 1, 2011


"Dos tarados e de outros demónios" (nova referência ao livro de "Do amor e de outros demónios" do genial e quente G abriel Garcia Marquez).
E não é que Lisboa está povoada de tarados sexuais que ainda chamam "boazona" e "grossa" (?!) às mulheres transeuntes?
Eh, lá...o tempo da "minha dama que tem uma bela prateleira" e semelhantes pérolas poéticas que povoavam as discotecas africanas da minha adolescência já lá vão...ou não?!
Pensava que Lisboa já tinha evoluído a esse nível e que o reino dos tarados e frustrados sexuais ficava lá para as beiras do Nilo.
Afinal, os sócios do clube dos homens das cavernas não se restringe ao Médio Oriente e Norte de África.
Aquele pessoal tem membros espalhados pela nossa pátria lusitana com o incómodo extra de não possuírem o mínimo sentido de humor (atenuante, geralmente, atribuída aos egípcios)!
Homens lisboetas e portugueses em geral:
Aprumem-se e cresçam. Já nenhuma mulher aprecia piropos acompanhados de cervejolas e tremoços com hálito a bifanas e piadas escatológicas que nos esclarecem sobre os vossos pobres hábitos higiénicos.
Nem se trata de nos respeitarem a nós, mulheres, mas a voces mesmos.
É que vos fica muito mal esses ataques histérios de clara frustração sexual.
Acasalem, amem e floresçam. Multipliquem-se com prazer e "know how".
Procriem como as abelhinhas e tentem compreender que isso também pode ser uma Arte e que as abelhas - tal como as Mulheres - são sempre rainhas e não servas.
Comam bem em casa para não fazerem figuras tristes de esfomeados pelas ruas húmidas de Lisboa.
Ou então tirem notas quando forem ao Egipto. Aprendam com o sentido de humor dos homens de bigode e auto-estima exacerbada e talvez nós vos consigamos achar alguma graça. Pena, sem dúvida. Mas talvez acompanhada de graça.
Vá lá, façam o esforço.
Esta cigana, nómada, mulher cavalgante do mundo, portadora de ouvidos cansados e já experientes nas lides das taradices sexuais alheias agradece-vos.




"Do amor e de outros demónios"... (referência ao fantástico livro homónimo de Gabriel Garcia Marquez).
Ou será, melhor dizendo, do cd e de outros demónios?!
É que me sinto nua, dançando em público sem a máfia irresistível que é a minha orquestra egípcia.
Tenho ataques de nostalgia-saudade portuguesíssimas e assim me agarro, de forma duvidosa, à primeira "darbouka" que vir na minha frente e suspiro, em desespero que roça a doçura: "Ondes estão os meus homens?"
Dançar na Gala de Abertura do Festival EAST FEST, no passado dia 28 de Abril, foi um daqueles desafios que me re-colocam, num segundo, os pés bem assentes na terra e me acrescentam um pouco mais de humildade e coragem.
Apresentar-me em palco sem o pano de fundo (e pano de dentro) dos meus músicos, TENTAR dançar ao som de um cd que apenas emite sons mortos e definitivos foi, para mim, um terror que só se ultrapassou porque "Deus existe" e não me abandona.
Seja em que circunstância for, eu faço TUDO o que aceito FAZER de coração total e aberto. Não conheço os meios termos, os cinzentos, os sim que querem dizer não e os nãos que podem, eventualmente, ser lidos como sim.
Eu sou exagerada, PRESENTE, louca na minha urgência de me dar por inteiro no maior ou mais pequeno que faça. E assim dancei, com todo o meu SER, sob o deserto sonoro e humano da ausência dos meus homens egípcios e suas idiossincracias.
E assim dei, no vazio, aquilo que tinha. Nem que isso fosse apenas silêncio e ausência.
E, porque fui inteira como não podia deixar de ser, do silêncio fez-se música e da ausência nasceu uma orquestra imaginária feita de carne e osso, meus e da audiência que me via e sentia.
E assim vi que até a ausência se dança e que os medos só servem para nos lançar no vazio e descobrir que, ao fundo do precipício, existe só a TOTALIDADE.
E vai mais uma (vitória! Cá das minhas...:)



Beijo ESPECIAL à
Cristina e à Filipa
pela organização do
Festival
EAST FEST Lisboa!
Viver no centro mundial da Dança Oriental, meca e convergência de todos os bailarinos do mundo tem os seus - inéditos! - privilégios.
Tem também os seus espinhos. Muitos.
Alguns deles são a competição desleal, as máfias, os amiguismos e compadrios à descarada, a premiação da prostituíção e a raiva ao talento quando aliado a uma honestidade tão "anti-bailarina", as cunhas, os negócios escusos, as facadinhas nas costas e outras delícias que tais.
Sim, vivo numa bela selva onde o sucesso esconde lágrimas, lutas solitárias e contornos constantes para que, também eu, possa singrar num mundo sujo do qual faço parte mas que não quero - realmente - tocar.
A excepção a esta regra que povoa o meu dia-a-dia no Cairo foi a organização do Festival EAST FEST levada a cabo pela Cristina e pela Filipa.
A elas, mais um beijo especial e a minha admiração e apoio por todo o amor e esforço que depositaram no evento trazendo artistas de proveniências várias unidos num objectivo comum: DANÇAR, DANÇAR, DANÇAR!
Evoluir.
Crescer.
Dar passos sempre em frente.
ABRIR!
Conhecer mais.
Esclarecer.
Acrescentar.
Produzir.
Fazer coisas boas que nos deixam mais leves e cheios de saberes por dentro.
No meu próprio país, eis que surge um evento feito com amor onde ninguém tenta passar por cima de ninguém mas onde senti genuína PAIXÃO pela Dança Oriental.
A minha gratidão vai também para o público que me recebeu na gala de abertura do evento - dia 28 de Abril - e para os alunos que frequentaram o meu workshop de hoje. Partilhar o meu AMOR imenso por esta ARTE é um prazer para mim. Mais que prazer, é puro extase! Desses extases que só as crianças e os loucos podem, alguma vez, sentir.
E ter a vossa vontade de aprender, respeito, carinho e presença enche-me de alegria.
Grata por tudo e a todos os que comigo viveram momentos felizes como este.
Beijão especial ao Khaled Mahmoud, que é uma pessoa absolutamente bonita, e à Leila (da Sérvia) que me deu um daqueles abraços inesquecíveis no final do nosso espectáculo.
Muitas outras pessoas me tocaram o coração de formas diferentes no decorrer do evento.
O meu amor e "obrigada" sentido vai para todos elas.

Friday, April 29, 2011

Os meus Parabéns e total apoio à organização do
EAST FEST Lisboa pelo profissionalismo, delicadeza e doçura com que se lançam neste projecto arriscado, visando dignificar a Dança Oriental e fazê-la EVOLUÍR.

A minha gratidão às bailarinas que também dançaram na Gala de ontem à noite e que tiveram a amabilidade de me abraçar e manifestar a sua emoção ao ver-me dançar.
O vosso carinho e reconhecimento sinceros dão-me vontade de seguir LUTANDO pelo lado BOM da vida para que também eu cresça, não só como BAILARINA mas como SER HUMANO.

Beijo grande ao Baltazar, percussionista/músico que se juntou ao evento pela nossa interessante conversa no "backstage" do espectáculo e pelo tema que me dedicou.

E, "last but not the least", um beijo enorme ao público que lá esteve a dar-me vida e palminhas que sabem tão bem...

(P.S. Podia agradecer a Deus pela saúde e talento que me dá para poder exercer a minha ARTE mas essa é uma conversa privada, entre mim e MIM!)

Wednesday, April 27, 2011





Desejando o melhor à minha irmã...
Sabe, quem me conhece, que sou pouco amiga de convenções e instituíções. Especialmente, quando estas se agregam ou pretendem substituir a LIBERDADE os sentimentos verdadeiros de que os seres humanos ainda são capazes.
Por isso, não será de estranhar que um casamento oficial não me entusiasme. Entusiasma-me uma grande paixão ou sinais inequívocos de um amor puro mas os papéis, o protocolo, as leis e o "meu esposo" e "minha esposa" não me encantam.
Diria mais...fujo deles a sete pés.
No entanto, este casamento não é um casamento qualquer. Trata-se do casamento da minha irmã e a ela desejo tudo aquilo que não existe na maioria dos casamentos e das instituíções criadas pelos Homens para se controlarem e limitarem uns aos outros:
FELICIDADE e honestidade, sempre. Fertilidade em risos, filhos (já vem uma menina a caminho!Yupppieeeeeeeeeeee..............) e paixões partilhadas, amor sempre absoluto e alegrias que se multipliquem na sua vida a dois.
Que jamais se perca de si mesma por se ter casado mas que, por outro lado, se amplie graças ao AMOR que a une ao marido. Muito além de burocracias e títulos.
Que o casamento da minha irmã seja tudo o que a maioria dos casamentos não são: Sentimento e paixão puras com esse sentido privilegiado de se ter encontrado o companheiro de viagem imperfeito que a aceita e ama na sua semelhante imperfeição.
À minha mana, o desejo de TODA a FELICIDADE do mundo (e muitos mais momentos de celebração nos quais possamos ver a nossa mãe "soltar a franga" como se tivesse sido possuída pelo espírito da Shakira "live in concert"!).
Love is all you need.