Wednesday, December 14, 2011


Lições de DANÇA:


" Começou a segunda lição de dança da senhora Ba.
Acredito- disse a senhora Ba - que há danças para a alegria e há danças para a tristeza, e eu não percebo porque razão as pessoas só dançam na alegria.
Acredito que se deviam ensinar nas escolas danças para dançar nos momentos tristes.
E a senhora Ba disse ainda:
Uma coisa boa deve servir-nos, tanto para a alegria como para a tristeza, e a dança é uma coisa boa.
Pegaram na dança de um só lado como se pega num objecto - disse a senhora Ba.
(...) A dança é uma máquina que funciona para os dois lado. É uma folha branca.
(...)
Só aprendemos a dançar quando estamos alegres.
Na minha opinião - disse a senhora Ba, tentando animar-se - isto é um grande desperdício de material.
Aqui vai um bocadinho de tristeza, só um bocadinho.
(e a senhora Ba dança)
Muito obrigado - diz a senhora Ba - muitíssimo obrigado pela atenção.
-O meu corpo - continuou a senhora Ba - tem músculos destinados à tristeza e músculos destinados à alegria. Se eu só danço para um único lado, há músculos meus que se atrofiam, ficam magros e fracos, até que desaparecem, evaporam-se do meu organismo. E eu, por mim, não quero que nenhum músculo se evapore do meu corpo. Gosto deles todos. São como filhos. São máquinas produtoras de movimentos.
-Os meus músculos são uma mistura bem grande de produtos químicos e biológicos: como o magnésio, o cobalto, o ácido ribunocleico, o oxigénio por todo o lado (estou a brincar) e ainda outras coisas mais que andam por dentro do corpo e que, por não lhes conhecermos ainda a fórmula química exacta, lhes chamamos - a essas coisas estranhas, no seu conjunto - alma."
Crónica escrita por Gonçalo M. Tavares, publicada na revista "Pais e Filhos"


Até breve a todos (trilhando novos caminhos de Dança, Escrita e Vida!)
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A caminho...do Egipto (retorno a casa)...

Para não variar muito.

Aprendendo a apreciar o Inverno, pela primeira vez na vida, e seus "incómodos" com poesia (estar coberta de roupa, tal como chouriço, diante de uma lareira ou tomando um belo "cappuccino" numa cafeteria de onde se vê a chuva a caír lá fora).

Aprendendo a relativizar TUDO, mais que nunca. Não dar importância ao que NÃO TEM importância e saber que o MAL me rodeia na mesma proporção do BEM.

Aceitar que, conforme me vou expondo - profissionalmente falando - cada vez mais, é natural que se criem espelhos de admiradores e de "odiadores" ao meu redor. Pessoas que sonhem realizar ou ter realizado o que eu tenho conseguido fazer vitoriosamente poderão, inconscientemente, projectar em mim essa (e outras) frustrações.

Nada disso tem a ver comigo mas com elas e é preciso saber enviar AMOR e permitir que essas pessoas se curem, como e quando puderem, e sigam o seu caminho individual.

Feliz pelos momentos de qualidade - poucos mas BONS - com amigos seleccionados pelo coração e pelo curto espaço de tempo que possuo, sempre que passo por Portugal.

Abençoada pelo sucesso no meu trabalho, tanto em Espanha, como em Portugal. Se os grupos de alunos foram mais reduzidos nos eventos de cá (graças à crise económica, proximidade do Natal, susto que os meus workshops causam em muito boa gente que não quer saber que sabe muito menos do que quer fazer parecer), a qualidade da sua presença deu sentido a cada evento.

Aos alunos e organizadores dos eventos de Espanha e Portugal eu envio a minha gratidão e amor, não podendo deixar de mencionar que o meu trabalho só faz sentido com e por vocês.

Agradeço a vossa presença física e entrega de alma, a coragem de enfrentar dificuldades e a nobreza de querer sempre aprender mais.

Pelos espectáculos, workshops, viagens, pessoas lindas e menos lindas que conheci, pelo cansaço vindo do trabalho a sério e pelas inspirações que recebi, digo OBRIGADA.

Pelos livros especiais que me chegaram às mãos, pela comida deliciosa que provei em tantos sítios, pelas paisagens, sons, aromas e sensações VIVIDAS, digo OBRIGADA.

Pelo meu anjo da guarda, paciente e diligente companheiro de viagens, e pela presença óbvia de Deus na minha Vida, digo OBRIGADA.




Porque sim, sempre fui cigana e sempre achei que os homens ciganos são os mais, irresistivelmente, belos do mundo.
Eis um exemplo: Joaquín Cortés.
Não passa só pela carinha bonita (termo relativo) mas pelo carácter, pelas linhas de fogo, pela fogueira que se adivinha dentro de homens (e mulheres) assim, com sangue na guelra.
Adoro e digo Olé suspirando...Ai, ai...

El Carpeta - Entrevista y baile


Dança e entrevista do membro mais novo da família de los "Farruquitos": "El Carpeta".
"Para mí, el amor es un sueño.", El Caperta (10 anos de idade)
Lindo...

farruquito y familia




FABULOSO. FABULOSO. FABULOSO.
O Flamenco dentro de uma das mais famosas famílias "gitanas" de Espanha: Los Farruquitos!
A quantidade de talento, nervo, força, beleza, verdade, vísceras e sangue é impressionante.
Só tenho uma palavra para isto: FABULOSO!

Joaquín Cortés en el Festival de la Guitarra de Córdoba - 'Calé'



El DUENDE em Joaquín Cortés.
Que embirrem com ele em Espanha, não é de estranhar.
Eu cá gosto e MUITO. Não, não é Flamenco puro mas, ainda assim, É FLAMENCO.
A beleza de homem cigano une-se, estridentemente, ao talento de recriar para os grandes palcos uma arte que vive, tradicionalmente, nos terreiros, nas grutas e nas tascas da Andaluzia.
A expressividade, tudo o que nos faz sentir, o FOGO: todos eles sinais, para mim, do que É a Dança com "D" maiúscula.