Thursday, April 12, 2012

Citação de uma Alma gémea...
Nada a acrescentar.




Apetites (fantasias privadas)...




Que isto de dançar e viver no Egipto é fascinante (e extenuante!) mas cria em nós um outro conceito de exótico, longe das tamareiras e dos pôres-do-sol sobre as Pirâmides.





Dia de chuva.


Paris e Edith Piaf ecoando sobre o interior de um café de cor sépia a partir do qual se avista o rio Sena. A água e os lugares comuns do romantismo europeu passam por nós e nós, inconscientes, só queremos o ABRAÇO.





Esquecemo-nos que estamos em Paris, estando em Paris. Isso SABE bem.SABE...


Deixamos de lado a Catedral de Notre-Dame e a livraria "Shakespeare" de onde o cheiro de livros apetitosos se desprende.


Dançamos à chuva, uma dança endoidecida onde só entra a lucidez de ESTAR VIVO. Uma dança sem sentido, nem vocabulário, sem ordem nem rumo, descordenada como o caos da Paixão acesa.


Um homem de barrete vermelho às florzinhas toca acordeão e nós sorrimos-lhe, encharcados até aos ossos do coração.


E somos FELIZES.







Ponto infinito..................................................................











Notícias do Egipto.




Bem que podia ter começado este "post" com uma frase mais auspiciosa mas...vamos a isto!


Assusta, pessoal...um pouco. Vá lá, bastante. Tenho de admitir.




São os Salafistas e a Irmandande Muçulmana às turras, a ver a quem calha a maior fatia do bolo, são candidatos atados ao Velho Regime de Hosny Mubarak descabelando-se - e lambendo as botas ao Exército que é quem, REALMENTE, manda no estaminé - e é o povo que se cobre, cada vez mais, de lenços na cabeça, vergonhas, pudores, repressões, aparências sobre essências, ignorância e preconceitos.


A cabeça do monstro foi arrancada mas o corpo está vivo, mais do que nunca, e por todo o Egipto. É um pouco como um daqueles filmes de terror nos quais o mau da fita só desaparece por entre as paredes do Inferno eterno quando todos os seus membros, sombras e projecções forem eliminados. Mas, por mais que o herói da fita os aniquile, parecem nascer novos membros das cinzas do maldito. O Egipto corrompido é assim: foi a cabeça de Hosny Mubarak mas deixaram à solta os membros, familiares e amigos que isto de ser ditador durante 30 anos requere uma boa rede de "amiguinhos e favores prestados".




Onde está a Revolução egípcia?! Alguns dizem que foi até às Caraíbas e por lá ficou, banhando-se na água azul turqueza e bebendo "daiquiris" com chapéus de sol e rodelas de limão. Outros dizem que se tornou freira e vive, reclusa, no famoso mosteiro do Sinai (onde o meu pai teve uma Iluminação Divina e a minha mãe se queixou da falta de ventilação). Eu digo que está em casa, a comer "mahshy e molokheya" (especialidades culinárias egípcias), cochichando com as outras mulheres, ocupando-se de telenovelas turcas e outros dramas inúteis da vida a que se chama REAL (???). A revolução egípcia tornou-se "mohagaba" e agora só toca as mãos dos homens com luvas e um ar de nojo impressionante. Acha que as filhas têm de ser bonitinhas e caladinhas e que os filhos têm de fazer muito dinheiro para serem chamados de "pachás" e comprarem alguma(s) filhas de outras revoluções. Bonitinhas. Caladinhas.






Querem MESMO saber mais notícias do Egipto?!



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"I didn´t think so..."



Da Paciência e outros animais em extinção.



Falta-me. Muito, cada vez mais. Ela nunca abundou em mim, isso é verdade. Essa qualidade tão difícil de classificar: a paciência. Não nasceu comigo e pronto. Pronta estou eu a explodir ao mais mínimo sinal de estupidez, xica-espertice, idiotice sem ideias, ignorância, sujidade ou maldade. Saltam-me todas as tampas da boa vontade, assim como as rolhas da compaixão pela escuridão alheia. Salta-me tudo o que põe água na fervura e amplia-se o que deita fogo ao circo. Em mim, na minha absoluta busca pela Excelência. Pelo menos, a tentativa da Excelência. O mais possível, um passo, um gesto, uma intenção limpa de enganos e manipulações. Uma atitude de amor, de querer fazer BEM porque sim, porque sabe bem à Alma.


Falta-me a paciência cujas reservas já andavam pela hora da morte. Isto já são alguns anos a virar frangos egípcios/árabes e pode dizer-se, em abono da verdade, que este não é serviço para qualquer um/a. É preciso ter-se OVÁRIOS, daqueles que abarcam o mundo e o navegam sem medos e com ousadia de sobra. Os Ovários - os meus - estão no sítio mas a paciência vai faltando.


É o chorrilho de ordinarices de cariz sexual com que me presenteiam sempre que saio à rua, qualquer rua do Cairo.

É o preconceito em relação ao meu trabalho que insiste em confundir-me com uma "streap-teaser" do "cabaret da coxa grossa".

É a rapariga muçulmana que leva uma tareia descomunal da família como manobra "correctiva", simplesmente porque ela se diz ter apaixonado por um rapaz cristão (casamentos entre mulheres muçulmanos e homens cristãos são ILEGAIS no Egipto).

São os falsos amigos, as relações por conveniência, as palmadinhas nas costas e as facadas que lhes seguem.

São os homens do dinheiro continuando a comprar coisas, pessoas, Revoluções como a egípcia.

São as mentalidades a regredirem, em vez de evoluirem, e os candidatos políticos a deixarem crescer as barbas e a impregnarem a testa de fungos para aparentarem ser religiosos extremados.


É isto e aquilo. É a DESUMANIDADE em geral. Mais do que algo em particular. A ausência de palavra de honra, de verdade, de pureza, de LIBERDADE, de horizontes onde a Justiça e a Inteligência prevaleçam sobre os "amiguismos" e os contratos de cama.


Paciência, onde andas?

P.S. Se alguém a vir por aí, por favor, peçam-lhe que me contacte através do meu email:



Grata.

Dance With Me



Grata à Sara Esteves Cardoso por relembrar aquilo que nunca esqueço.
Cena retirada do filme "The Notebook", baseado no livro de Nicholas Sparks. A versão cinematográfica é mil vezes melhor, na minha opinião, ao livro (dá para notar que não sou uma admiradora de Nicholas Sparks, não dá?!) e representa uma certa forma de AMAR e VIVER que é muito minha e que, curiosamente, está em extinção.
TINHA de partilhar isto...com Billie Holiday cantando um pouco da divina "I´ll be seeing you" no final do "clip". Delicioso é pouco para classificar uma coisa destas. Coisas destas estão para além de classificações e adjectivos, por mais belos que estes sejam.
E suspiro. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh........................

Wednesday, April 11, 2012




"Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de.

Apesar de, se deve comer.

Apesar de, se deve amar.

Apesar de, se deve morrer. Inlcusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora da minha própria vida."

Clarice Lispector




in 'Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres'

Monday, April 9, 2012



O 3º Workshop de Dança Oriental do Cairo

está a chegar...






"It was just one of those things...one of those crazy flings..."Assim começa uma famosa canção de jazz que adoro.

E foi assim mesmo que começou este projecto de ENSINAR, ANIMAR, RE-EDUCAR as Mulheres do Cairo para a sua própria música, dança, cultura e AMOR-PRÓPRIO (todas inter-conectadas).



Não foi fácil convencer-me e a ideia partiu de amigos (homens, curiosamente). Estar, permanentemente, fora da agora tão badalada "zona de conforto" é interessante e ampliador mas cansativo. Já me bastam os desafios em que estou metida, actualmente, e aqueles dos quais venho, ainda sem fôlego... a pressão de dançar em público com audiências que esperam ver sempre o Melhor***, ensinar em Festivais mundiais onde as expectativas sobre mim são cada vez maiores, escrever o meu próprio Livro sem saber bem como (mas sabendo bem PORQUÊ) e por aí fora...porque havia eu de meter-me em mais esta aventura?!


Diria o nosso génio Fernando Pessoa num slogan publicitário que criou para a marca "Coca-cola": "Primeiro estranha-se, depois entranha-se." Foi assim.


O que aprendo com as mulheres de cá é tão precioso quanto o que lhes ensino. E se elas querem aprender, meus Deuses...se querem!

Aí estaremos, mais uma vez. Respirando fundo, renovando crenças que me ampliem a mim e a outras mulheres. Construindo amizades improváveis, quebrando alguns dos meus próprios tabus, CRESCENDO, afinal...




Abençoada. Feliz.