Thursday, January 24, 2013

Dedicado à Susanita (irmã Lua)*



  • "Para fluir comigo, a vida pedia que eu soltasse o medo e me entregasse. 
    Que dissesse sim. 
    Que acreditasse nela. 
    Eu não sabia como fazer, mais sentia, entre as contrações, que ela estava fazendo por mim, através de cada experiência que eu atraía para o meu caminho. 

    Naquele dia, grande, acordei com a sensação de que o tempo era outra coisa. De que a vida era outra coisa. E eu também."

    "Acorda, vai. Pega este café. Despede a preguiça. Desperta que é hora de seguir adiante. Pega aquele brilho, aquela disposição, a alegria temporária dos dias de folia e adicione fé, cor e coragem pra fazer valer e durar os novos e tantos dias de luta que virão."


    (Ana Jácomo)

Tuesday, January 22, 2013

Tesouros privados***

Eis alguns dos meus tesouros privados:
Um dos quadros pintados e oferecidos pela minha mais querida amiga: Margarida Pó.  Título do quadro: A Vontade.

Nª 1: Libreto to Musical "Billy Elliot" ao qual fui assistir no passado mês de Dezembro, em Londres;
Nº2: Fotografia do meu queridíssimo amigo e professor Mahmoud Reda. Mahmoud com cerca de 3 anos , montado num avião da 2ª guerra mundial e empunhando uma "assustadora" pistola;
Nª3: Livro "Pursued by a Bear" comprado na loja de "souvenirs" do Teatro "The Globe", conhecido pela sua associação a William Shakespeare - Bankside, Londres;
Nº4: Camponesa de barro oferecida pela minha irmã Yasmine Kamel;
Nº5:  Anjo dentro de uma tijelinha que trouxe de Yucatán, no México. Ao seu lado está (pouco visível) uma tabuleta de metal com a imagem da Nossa Senhora de Fátima e uma inscrição que diz "Deus é Amor" - presente da minha avó e amuleto de protecção e benção que levo para todo o lado onde vou actuar e ensinar;
Nº6: Álbum de imagens do verdadeiro Egipto compilado pela minha sister Yasmine Kamel.
Nº 7: Santa negra do Brasil oferecida pela minha mãe;
Nº8: Escultura de madeira trazida de Moçambique por um querido amigo meu (a FORÇA da intenção com que se oferece algo é Mágica).


Outro belo e carinhoso quadro pintado para mim  pela minha amiga Margarida Pó e um anjo oferecido por  Sandra Maryam aquando da minha partida para o Egipto (altura em que toda ESTA* Aventura começou).

Pormenor da fotografia de Mahmoud Reda, em bebé, montado num avião e segurando uma perigosa pistola ;).

Comida para a Alma*





Workshop e Conferência em Lisboa: 26 de Janeiro, este Sábado!


Ainda com a adrenalina amorosa aos pulos dentro de mim cá me faço às Estradas e volto a anunciar o 
WORKSHOP (Dança Oriental moderna e folclore egípcio: dança núbia) 
e a CONFERÊNCIA (com convidados muito especiais) para este próximo Sábado, em Lisboa.


~Todos os detalhes sobre o evento se encontram neste link:
http://joanamagica.blogspot.pt/2012/12/workshop-conferencia-em-lisboa-26-de.html?spref=fb




















Participem e jamais se esqueçam de SER FELIZES ("inside job" - always!).

Festival Eilat: o Caminho do Coração*


Ultimamente tenho andado amigada com um sem número de belíssimos clichés. Agora lanço-me a mais um: seguir o coração SEMPRE vale a pena - ainda que o preço que este mundo des-almado nos obrigue a pagar seja alto. 

A decisão de dizer SIM a um Mega Festival em Israel não foi fácil. Quem entender - minimamente - sobre as relações entre este país e o Egipto (país no qual tenho vivido e construído a minha carreira e a plataforma do meu percurso internacional) saberá o porquê dessa dificuldade.

Orit Maftsir - uma das brilhantes organizadoras do evento e uma artista de merecidíssimo renome internacional  - tivera um primeiro contacto comigo em Inglaterra (num festival onde actuei e ensinei a solo e assistindo o meu querido Mahmoud Reda). Embora nos tenhamos cruzado no meio da azáfama própria destes eventos recordo que Orit não me deixou indiferente. A sua energia, perseverança, alegria, talento, paixão pela dança e coração aberto eram demasido óbvias para mim - e demasiado preciosas para que os deixasse passar em branco.

Cerca de 4 anos se passaram desde esse primeiro encontro e ambas seguimos os percursos uma da outra com o respeito, admiração e inspiração devidas. 
Nunca falámos pessoalmente sobre esse primeiro encontro em Inglaterra nem nos voltámos a cruzar fisicamente uma com a outra mas parece-me óbvio que mantivemos (eu em relação a ela e ela em relação a mim) uma carinhosa atenção ao crescimento artístico e profissional uma da outra.

Foi com enorme alegria e algum pânico que recebi o convite para actuar e ensinar no Festival que Orit e Yael Moav organizam há quase 10 anos em Eilat, Israel. Alegria porque se trata de uma honra ser convidada pelo meu mérito (e não por conveniências e trocas de favores, como é comum acontecer) para um dos festivais mais grandiosos e conceituados do mundo; pânico porque senti receio de ir contra a fidelidade que a minha Alma sempre terá em relação ao Egipto.

Claro que os amigos e músicos me desaconselharam - vivamente - a rejeitar o convite de forma a evitar potenciais represálias, ataques, críticas e até problemas legais no meu regresso ao Egipto. Claro que dei voltas à minha consciência tentando apurar se levar a Cultura, Música e Dança egípcias a um país que a maioria dos egípcios (e do mundo inteiro) considera "inimigo" seria um passo sensato, honesto e justo. 
Consultei a minha mãe - a única pessoa a quem peço conselhos, embora nem sempre os siga - e ela remeteu-me para o lugar de sempre: a MINHA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA.

Depois de algumas noites sem sono e voltas ao miolo do Ser SENTI que ir a Israel e ter um contacto HUMANO (longe da imagem sempre negativa que a Imprensa e a Política dão os israelitas) com os seus habitantes era a coisa certa a fazer; SENTI que levar o Egipto com Amor a Israel era uma forma subtil mas eficiente de entregar uma bandeira branca de paz, cooperação, amor e fraternidade entre dois países cuja inimizade tem sido por demais alimentada; SENTI que dizer não seria alimentar o veneno entre dois países que podem e devem ser irmãos; SENTI que rejeitar o convite seria uma lástima para mim - pessoal e profissionalmente - e seria mais lenha para a fogueira do ódio e da ignorância; SENTI que TINHA de LEVAR o EGIPTO comigo a ISRAEL e entregar o seu corpo e a sua alma na forma de Dança, Música, Amor, Paixão, Cultura e ESSÊNCIA do Egipto eterno.
SENTI. Ponto.

E fui...



 O resultado não poderia ter sido melhor, mais feliz, abençoado ou iluminado. Em vez do "inimigo" de que sempre ouvira falar no Egipto deparei-me com um povo AMIGO, CALOROSO, AMOROSO, DE BRAÇOS ABERTOS E TOTALMENTE APAIXONADO PELO EGIPTO, SUA LÍNGUA, HISTÓRIA, CULTURA, MÚSICA E DANÇA.

Constatei como a Política, os Governos e a Imprensa não representam o POVO de um país e que a melhor forma de anular inimizades, conflitos e guerras é através da UNIÃO entre as pessoas e não da separação que a maioria dos políticos e das ditas "religiões" insistem em promover.

Re-lembrei que a função mais alta da DANÇA e da MÚSICA - essas formas de comunicação sagradas e universais - é a de UNIR-RELIGAR os seres humanos e que é nessa função que elas alcançam o justo título de RELIGIÃO. 

Se as ditas "religiões" separam, geram conflitos, guerras, mortes e ignorância e se a Música e a Dança promovem a PAZ, o AMOR e a UNIÃO eu declaro-me uma fiel seguidora destas verdadeiras religiões que têm - ironicamente - sido perseguidas e proíbidas como "desviantes do caminho de Deus". 

O amor que recebi das organizadoras do evento, dos participantes, músicos, público e de todos os israelitas com quem tive a felicidade de cruzar-me contradizem as piores imagens, conselhos e medos com que fui rodeada aquando da minha decisão de dar o meu SIM a este magnífico festival.

Agradeço - do fundo do coração - o respeito, apreço e calor com que o meu trabalho foi recebido por todos (com especial gratidão face à Orit - minha querida apoiante incontestável); os artistas belíssimos com quem privei e aprendi (Nourhan Sherif, Serkan Tutar, Azaad Kan, Layla da Sérvia, entre outros); os músicos e público que me banharam de inspiração e carinho; os alunos que estiveram presentes - em massa - nos meus workshops e até os seguranças dos aeroportos de Eilat e Tel-Aviv que não puderam esconder a sua curiosidade e excitação quando souberam que eu era bailarina e que tenho vivido e actuado no Cairo nestes últimos anos da minha vida.
Sabia que este Festival e o risco de dizer o meu SIM - de corpo e alma - valeriam a pena. Só não poderia ter previsto o quanto me surpreendi; o quanto me inspirei; o quanto recebi; o quanto aprendi; o quanto FUI FELIZ e o quanto me senti honrada por levar uma bandeira de PAZ a Israel sob a forma de passos da Dança Mágica: dança eterna: dança egípcia. Dança: eu*.
Agradecida: abençoada: inspirada: FELIZ.
P.S. Vale a pena agendarem a vossa participação no Festival de Eilat 2014 (celebração dos 10 anos do evento). Se esta edição foi grandiosa e fantástica, imaginem o que não será o ano vindouro! MARQUEM na AGENDA: Eilat Festival 2014.




Monday, January 14, 2013

Festival Eilat, Eventos no Mundo*, Escrita: atarantada e feliz.

A caminho de Eilat (Israel) com uma mala cheia de danças, músicas, Egiptos, amores e muitos frutos colhidos das minhas batalhas e aventuras.
Mais viagens pelo mundo sendo anunciandas - e há muito tempo prenunciadas - e um Amor crescente pela Dança Oriental (inabalado pelas dificuldades, pelos preconceitos e pobreza de espírito que continuo - infelizmente - a encontrar em muita gente).

  • Fica o LEMBRETE* do WORKSHOP E DA CONFERÊNCIA EM LISBOA NO DIA 26 DE JANEIRO. EU MESMA DAREI O WORKSHOP (ORIENTAL MODERNO E FOLCLORE EGÍPCIO-NÚBIO) E UMA CONFERÊNCIA COM CONVIDADOS MUITO ESPECIAIS (ver "posts" anteriores com o programa detalhado do evento).

  • Logo de seguida é o Porto que acolhe mais dois workshops e uma Conferência - dia 17 de Fevereiro (informações detalhadas num "post" anterior deste blogue).

  • Fiquem atentos ao meu WEBSITE: www.joanasaahirah.com e mandem sugestões de artigos que  gostariam de ver por lá.
 *

Coisas de "gaija" (também tenho direito a uma quota parte de essencial superficialidade):

P.S.: Tenho de ter este vestido!
O belo do chinelo de praia vai comigo para Eilat  na esperança de um sol e  de um mar  URGENTES. Em tempos de crise: em vez de Chanel Nº5 ficamo-nos pelo "Chinel Nº5 mas vai dar ao mesmo porque o que conta é a intenção.

QUERO - porque quero - uma rede e um chapéu assim.

Perfeitos para acompanhar o meu amado "Starbucks" na escala que farei em Istambul - a caminho para Israel. Admiro quem consegue fazer dieta: admiro (mas não me incluo nesse grupo de ilustres dietistas).

Levo a minha revista preferida debaixo do braço (edição de Fevereiro da Oprah magazine) e o livro "Vagina" da Naomi Wolf para devorar no avião. Espero que as hospedeiras da "Turkish Airlines" não se choquem com o título do livro.


Friday, January 11, 2013

Regresso a Málaga, Espanha (Festival Almárabe)

É mesmo assim: a nossa casa é onde está o nosso coração e o meu coração - aquariano e geminiano - está (em nome da verdade) em muitos lados.
Regressarei à terra Natal do meu pintor favorite - Pablo Picasso - neste mês de Março e nesse regresso levo muita vontade de comer a amorosas dentadas uma das minhas raízes: o sul de Espanha (local onde passei considerável parte da minha infância).

Workshops, espectáculo e conferência - e mais um par de dias extra para sentir, uma vez mais, o sabor cigano da Andaluzia e o aroma desse fogo antigo que continua a animar-me os passos que a Alma escolhe tomar.
Mais informações sobre o evento serão colocadas no meu website ( www.joanasaahirah.com )
muito brevemente.

Lá ando eu a bater com a cabeça nas paredes - para não variar. Sempre que coreografo uma nova peça é mais que sabido que tenho de descabelar-me e arrancar os próprios cabelos até encarrilar num caminho que me AGRADE. É relativamente fácil criar coreografias para ensinar a bailarinos e estudantes de dança que são amorosos, ávidos de aprendizagem e abertos à evolução. Mais complicado é criar - a cada nova coreografia e tema abordado - uma peça dançada que me entusiasme, me exceda as expectativas (sobre mim mesma) e me mate a sede por MAIS. MAIS. MAIS.

Nunca gostei de coreografia e continuo a achar que, em certa medida, ela contradiz o próprio espírito e natureza da dança egípcia mas não posso deixar de admitir:
Acabei por apaixonar-me pelo processo criativo (e, frequentemente, doloroso) de coreografar;
Admito que se aprende IMENSO enquanto se coreografa porque é como "ensinar"= aprende-se duas vezes;
Confesso que o trabalho coreográfico é uma das CHAVES* da evolução desta Dança e uma etapa valiosa para o seu reconhecimento como Arte.


Para Israel levo temas tão distintos quanto "tahtib" (saiidi a VALER ao som de uma música pop doida varrida); estilo egípcio moderno que introduz uma LINGUAGEM assumidamente Visionária e Futurista da Dança Oriental (a meu ver, é claro); dança núbia com laivos de uma infância bem regada a música africana e bailaricos de Kizomba seguidos de boas "catchupas" e a pedra de toque de todas as minhas dores de cabeça: BALADI SAAHIRAH (título sugerido pela magnífica bailarina e organizadora do Festival: Orit Maftzir). Coreografar aquela que é a dança da improvização por excelência deixa-me a boca com um travo agri-doce. Por um lado: o desafio de transformar água em vinho (venham de lá os "impossíveis": minha especialidade); por outro lado: ter de ir contra a natureza deste estilo e sentir que os movimentos são como enguias escorregadias que me fogem das mãos por mais que eu as tente segurar.
O "baladi" baseia-se naquilo que os egípcios denominam de "mazeg" ("mood" em inglês): disposição-humor-como nos sentimos de segundo a segundo. Por isso mesmo, o movimento que me sai naturalmente AGORA já não é o mesmo que farei quando voltar a dançar aquela música. Cada interpretação é única e produto da energia, sentimento, tempo, humidade e o mais que seja do MOMENTO. Congelar movimentos de baladi é como tentar congelar fogo ardente.
Como "desafio" é o meu sobrenome, não desisto. Hei-de domar esta fera e encontrar uma porta - ou janelita - de saída deste dilema. Até que encontre o sentido no que me parece não ter sentido, sofro e angustio-me. Era tão bom que tudo isto fosse mais simples e que me contentasse com a "normalidade" ou com a arrogância da mediocridade mas então deixaria de ser eu mesma e isso é bem pior do que lutar - "mano a mano" - com uma BOA peça de baladi.