Wednesday, February 27, 2013

Sem palavras...



"Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver.

23 anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse e... Foi assim."

(Traduzido por Rodrigo Robleño)

Tuesday, February 26, 2013

Workshop "Segredos da Dança Egípcia" -2 de Março, Lisboa


Se algum dia pararei de desafiar-me e colocar-me em sarilhos?! Parece-me - a esta hora do campeonato - que a minha alma cigana jamais se satisfará com pequenos tronos e reinados (e, acreditem, os tronos e os reinados são sempre pequeninos). Assim que a coisa estagnada - ainda que estagne no SUCESSO - a agitação recomeça a dançar dentro de mim e o Desconhecido, o que ainda não foi conquistado chama (grita!) por mim ao ponto de tirar-me o sono até que eu pouse o pé na estrada -uma vez mais.

No próximo Sábado - dia 2 de Março - lançarei mais um pé numa NOVA ESTRADA que marcará o futuro do meu trabalho e da própria Dança Oriental (se eu, de repente, não me lembrar de ser astronauta e colocar a dança oriental para trás das costas: TUDO é possível).

O WORKSHOP "SEGREDOS DA DANÇA EGÍPCIA" será lançado em Lisboa já no próximo Sábado (com um fim-de-semana dedicado ao mesmo tema em Londres - próximos dias 1,2 de Junho).

Ir ao fundo de mim mesma e escavar, retirar, organizar e COMUNICAR os segredos que acumulei dentro de mim nos últimos anos de vida e carreira no Egipto tem sido um trabalho assustador e fascinante. As RESPOSTAS* não se encontram fora de mim, por mais que eu as procure na tentativa de fugir de mim mesma. As RESPOSTAS* encontram-se dentro de mim e no canto dos pássaros que o Egipto despertou no meu peito. Resgatei o passado - o meu e o do Egipto - e trouxe para a superfície algumas das relíquias que o tempo, as areias e a ignorância haviam enterrado. No processo arqueológico de escavações minuciosas dentro da minha Alma assusta-me, mais do que tudo, a Beleza, a Riqueza, o Brilho das jóias que encontro. Ouvi dizer - a um sábio, com certeza - que a Felicidade, o Sucesso, o Amor e a Luz são mais aterrorizadores do que a escuridão e a tristeza. É como se não pudesse suportar tantos tesouros dentro de mim ainda que estes sejam ANJOS que me iluminam a mim e a quem comigo estudar Dança Oriental.

Mas é assim: a ACÇÃO tem um poder mágico. A partir do momento em que coloco a IDEIA em prática e os cursos começam a ser marcados, os alunos se juntam para aprender e a Vida permite o Encontro já não há volta a dar. Cobardia e Vida não comem sentados à mesma mesa.
Lá vos espero no próximo Sábado para SURPRESAS que me nos deixarão a todos (eu incluída) com a boca do coração escancarada face ao imenso Mar.
Bemvindos!*

Alquimia (novamente e sempre).

Coreografar é trazer o inconsciente ao Consciente* - foi o pensamento que escrevinhei no meu companheiro bloco de notas (para quem não sabe: eu ando SEMPRE com um livro, um bloco de notas e canetas na mala, vá onde for). É mesmo.
A luta entre mim e os meus medos e dúvidas férteis continua - creio que jamais cessará. Aprender a lidar com o "inimigo", fazer dele um aliado e extrapolar a sua existência alquimizando-o, transformando a pedra da calçada em ouro puro.
Continuo a achar que ser uma comerciante seria tão mais fácil do que ser artista mas, nestas coisas como em tantas outras, a Vida não dá tréguas. O que É tem muita força e o Talento é uma bolsinha de seda chinesa cheia de demónios, fardoa, possibilidades,  RESPONSABILIDADE. "A blessing and a curse, indeed."
 
- Tu és uma improvisadora nata. Então porque não gravas uma improvisação tua e depois a estudas e dela retiras os passos para uma coreografia? - Propôs o genial Mahmoud Reda numa das inúmeras vezes em que referia a dificuldade que tenho em coreografar.
 
É que as coisas fluem quando não tenho de congelá-las, apanhá-las com as mãos frias da Razão; o cenário muda quando tenho de extraír diamantes da pedra (eu) e daí criar uma casa de pedra cujas paredes, tecto, janelas e portas ali permanecerão imóveis - para todo o sempre. Assim sinto a coreografia e por isso a ela resisto, contra ele me ergo e por ela me apaixono.
Novo material - Om Kolthoum e Baladi Saahirah - na calha. Pedindo que os processos sejam mais fluidos, menos aflitivos e duvidosos (ou talvez não...). Quem compreende os meandros mágicos e desconcertantes da criação artística?!
 
 

Por acaso até queria (mas era mais férias...)

Queria, queria - mas era mais férias.
 Já lá vão três anos desde que fiz as minhas únicas férias em cerca de dez anos de vida super activa e uma carreira imparável. As últimas férias foram à Índia e o encantamento-enamoramente ali vivido compensou pela falta de descanso.
Eu agora queria era México de barriga para cima, virado para o sol (o México e eu: ambos virados de barriguita para o sol); mar azul turqueza, uns Mariachi a tocar para mim ao jantar, serão na selva, essa rara sensação de não ter de ir a lado algum e de ninguém à espera que faça, diga ou dance algo interessante...Ah: bliss.
Diz que é capaz de ser lá para Setembro: uma semaninha de Paraíso (tão esperada e merecida). Até lá é PEDALAR à grande e à francesa ("God, please give me strength!").
Miminho enviado por Elizabeta de Lacanne - aka Princesa:) - afirmando que esta imagem a lembra de mim (sendo que a mim também me lembra!:).

Sunday, February 24, 2013

Alquimia*

Painting by John William Waterhouse
"O SEGREDO do ALQUIMISTA"

Para não divulgar:

Toma a matéria prima que pode ser masculina ou feminina e leva-a à calcinação sem perder a qualidade.
Fixa o volátil do mercúrio de forma a que se torne paciente.
Usa o enxofre para dar força e direcção à tua empresa. Não esperes resultados pois a obra consome-se em si mesma.

Depois da primeira parte, procede à união em perfeita harmonia. Não temas a putrefacção, pois só dela se pode exalar o corpo subtil.
Sublima as emanações divergentes e aguarda sereno.

Quando não vires diferença entre o teu laboratório e o teu corpo não julgues que obtiveste ouro.
Persevera, pois todas as formas são ainda limitações.

Quando nascer o filho, não te darás conta, é o primeiro sinal de que já nasceu.
Cuida bem dele, sem lhe dar demasiada água...Crescerá.

Quando te sentires em todas as formas e não te identificares com nenhuma, sabe que em ti tomaram residência os corpos celestes e que o teu corpo se tornou universo."

Autor: desconhecido (texto encontrado num dos meus cadernos de notas do Conservatório Nacional de Teatro e Cinema - onde me formei como Actriz).

Joana Saahirah @ Eilat festival 2013 Gala of stars




Aqui me revejo com ternura numa interpretação em relação à qual a minha vontade trepidou, hesitou, questionou e - como sempre - tomou nos braços e amou.
Esta música foi composta para mim por Hossam Shaker durante noites a fio em que não dormimos, bebemos MUITO café e falámos pelos cotovelos de tudo o que significa a Dança, Eu na Dança e como uma música me poderia traduzir.

Título: "Joana à volta do mundo".
Intenção (minha): Fazer algo distinto das músicas de entrada em cena (a que os egípcios chamam "majancé") que reflectisse a minha visão da dança, do movimento e do palco. Queria mais do que acabou por ser feito - compreendendo as limitações do próprio compositor que teme correr riscos.

É usual, no Egipto, que cada bailarina pague a um compositor para criar a sua "música standard" de entrada em palco e será esse hino pessoal que abrirá os seus espectáculos diários. É também usual - soube-o através dos meus músicos e de Hossam Shaker - que as bailarinas inseridas no mercado egípcio (do qual eu fiz parte, incrivelmente, durante 8 anos cheios de Vida) encomendem CÓPIAS de outras músicas que tenham feito sucesso. Isto horrorizou-me: a mediocridade SEMPRE me horroriza. Copiar o trabalho alheio ou não arriscar ser CRIATIVO em prole de uma aceitação comercial imediata é o caminho dos comerciantes e dos empregados de escritório pequeninos: NÃO dos artistas.

-Quero o contrário, Hossam. Esquece as cópias, o que foi feito antes, o que fez ou não fez sucesso. Vamos ser honestos e deixar o sucesso nas mãos de Deus, pode ser?
Pretendo uma música que me reflicta, que tenha muita coisa lá dentro (jazz, contemporâneo, clássico, etc) sem deixar de ser profudamente egípcio.

(Quase) assim se fez.
A música foi levada à minha orquestra que acabou por dar-lhe a volta e reinventá-la, moldando-a ao palco, à sua natureza egípcia e ao tanto que conhecem de mim enquanto artista e pessoa. Até aqui só a interpretara com os meus homens (orquestra), tocada ao vivo. A partir do momento em que o desafio de interpretá-la em cd (numa gravação pejada de falhas e pontos fracos que passarão despercebidos à maioria mas não a mim) eu hesitei mas acabei por lançar-me neste precipício e ver no que dava. Se foi arriscado?! Claro que foi. "Suicída": creio que foi a palavra que usei quando a organizadora do Festival Eilat (a magnífica Orit) me pediu para dançar este tema. No entanto, eu confio nela, no seu instinto e confiança em mim. ORIT sabe o que faz e eu agradeço-te que me tenha atirado deste penhasco. O voo - mais um - que daí resultou só foi possível porque jamais deixo de assumir riscos e tentar CRESCER com eles.

Divirtam-se a ver o vídeo - tanto quanto eu me diverti a dançar nessa terra (também) mágica de Israel.



Saturday, February 23, 2013

Vídeos, "Segredos da Dança Egípcia", retiros e Amor (com um até já na algibeira)

 
Upps: chegou aquele momento em que tenho de enfrentar - mais uma vez e sempre - o monstro do medo de falhar de AVANÇAR. Quanto mais se sabe, mais se duvida, mais se vê caminho adiante, mais se espera de si mesmo. Mais. Mais. MAIS.
Como não é de cobardia que se compõem os meus ossos: ADIANTE.
 
*Workshop "SEGREDOS da DANÇA EGÍPCIA" (conceito pioneiro da Dança Oriental tal como a Grande Escola do Egipto me ensinou e uma estreia mundial de Algo* que tem pernas e asas para andar-voar) - JÁ NO PRÓXIMO SÁBADO, DIA 2 DE MARÇO EM LISBOA.
* Parte finalíssima da minha MARATONA literária (e mais não digo que a ACÇÃO tem de falar mais alto) e o retiro solitário que ela exige.
 
* Preparação de novas coreografias, espectáculos, castelos que quero - e VOU - erguer. Entendo que a Acção se serve quente no SILÊNCIO (muito mais do que no meio das palavras ruidosas).
 
* No meio de tudo e por entre os escombros que a Vida nos presenteia: uma renovada VONTADE (talvez ilusão, talvez verdade: quem o saberá definir?) de AMAR.
 
* Deixo-vos alguns vídeos meus (coreografias para ensino, uma apresentação na Rússia, outra em Israel e um carinho chegado da Irlanda - mais especificamente do castelo encantado de Charleville onde actuei e ensinei por duas vezes) e um doce em forma de Amor Escrito.
Sigam os LINKS:
 
***Eu no castelo de Charleville, Irlanda:
 
 
*** Coreografia para Ensino (Saiidi moderno):
 
 
 
***Actuação em Eilat, Israel:
 
***Coreografia para Ensino "Núbio":
 
 
 
***Coreografia para Ensino "Il Fan":
 
 


 
"Prepare-se para sua capacidade de amar,
para sua melhor beleza,
para fazer cada vez melhor o que voce sabe,
seja quindin,
amor,
coleção de selos,
estudos transcendentais,
harpa
,

pipoca,
pensamento de kant,
numismática,

sorriso,
sinuca ou cirurgia ocular."

Artur da Távola