Sunday, December 20, 2009

























































Cairo, dia 20 de Dezembro, 2009









"Últimas aventuras antes de chegar a Portugal"


Vamos por partes...
Já estou em Portugal e, num ataque súbito de paranóico egocentrismo, acho que este frio terrível é um castigo divino por todos os pecados que já cometi e ainda cometerei.


Vim apenas por uma semana dedicada ao Natal, família e amigos chegados. Há quatro anos que passava esta época natalícia em plena actividade de espectáculos e rodeada por símbolos longínquos de tudo o que associamos ao Natal.









Por várias razões, senti a urgência de estar com os "meus" nesta altura e aqui estou ainda recuperando dos últimos tempos de trabalho e aventuras constantes.
Tentando resumir alguns acontecimentos interessantes (ou simplesmente trágico-cómicos) da minha estranha forma de vida, aqui vão alguns relatos do que tem passado por mim e dentro de mim...




1. Fui fotografada a agarrar um peito\mama de uma rapariga egípcia que fazia anos e que insistiu que eu lhe cantasse (e dançasse!???) os Parabéns no "Nile Maxim".







Ah, pois é, bebé... eu em pleno extâse e fora do meu elemento tentando agarrar-lhe o braço ou a mão para a pose da fotografia e acabei agarrando-lhe a maminha.






Várias fotografias oficiais do meu "lesbian statement" foram tiradas. Eu prefiro ignorar esse dramático facto.
Sem comentários.




2. A minha grande amiga Morocco (coreógrafa e professora sediada em Nova Iorque e uma das maiores autoridades mundiais em termos de Dança Árabe) veio assistir ao meu espectáculo no "Nile Maxim" e jantou comigo comentando, entre muitas outras coisas queridas que só os amigos podem dizer de tal forma, que eu me pareço com uma mistura de Jessica Rabbit e Xena, the Jungle Warrior ( a guerreira da selva).



Achei imensa graça e perspicácia nesta sinopse da minha personalidade "on stage". Assim me sinto, é essa a verdade.




Mais uma vez, é uma honra ter pessoas que eu admiro e respeito como seres humanos e artistas sempre ao meu lado como amigos e grandes apoiantes da minha carreira.


3. Disastre Off- Broadway.
Os meus novos "bailarinos" egípcios têm dado um novo significado à palavra PACIÊNCIA. É certo e sabido que eu não sou a pessoa mais paciente do mundo. Quando me deparo com "bailarinos" que assim se assumem mas que não possuem quaisquer conhecimentos ou técnica de Dança as percentagens mínimas de tolerância e paciência que Deus me deu evaporam-se.



Coreografo sequências simples de dança moderna e de folclore egípcio. Espero que eles as aprendam e executem rapidamente e sem grandes dúvidas.



Exaspero-me assistindo àquilo que eles chamam de DANÇA e ao que eu chamo "REAL MACACADA". Estes não se assumem como alunos mas como PROFISSIONAIS e daí vem a minha intolerância. Posso e tenho de ser paciente com alguém que não sabe e que quer aprender mas não com alguém a quem eu pago como profissional e que não distingue uma pirueta de um salto mortal na piscina municipal de Vila Franca de Xira.



Levo as mãos à cabeça em desespero. Não estou ali na condição de professora de dança e sei que não se molda nem ensina um corpo adulto à técnica, harmonia e conhecimento de causa que um bailarino com formação possui.



Eles copiam os passos como crianças desajeitadas imitando um cantor da moda. Eu respiro fundo, tentanto não explodir.



A questão aplica-se no feminino e no masculino. Num país onde a DANÇA ainda não é considerada uma ARTE, toda a gente pensa que pode dançar. Formação e educação para bailarinos é uma utopia vista pela maioria dos egípcios e árabes como um absurdo.



Vendo os meus mais novos "bailarinos" tentando executar o que eu lhes pedia sem a mínima consciência das suas insuficiências, tornou-se claro para mim, uma vez mais, que a DANÇA requere FORMAÇÃO, TALENTO e EXPERIÊNCIA artística e de vida.







O meu próximo desafio será conseguir transformar pés de chumbo monumentais em descendentes de Gene Kelly.
Sim, sou uma sonhadora nata. (Nunca o neguei).


4. Casamento egípcio no grande salão do hotel MENA HOUSE, Cairo.

Horas antes de voar para Portugal, tive a honra de actuar num casamento fabuloso composto de artistas e gente fantástica que me ofereceu mais uma experiência de palco e humana inesquecíveis.
A minha orquestra completa (20 elementos escolhidos a dedo por mim!), um palco enorme que quis ocupar com o meu Corpo e com a minha Alma e um salão monstruoso e belo iluminado por candelabros brilhantes ainda mais monstruosos e belos.
A recordação mais vívida que possuo desta noite é a seguinte:



Eu, de braços abertos como tentáculos divinos tentando abraçar todo o salão e seus ocupantes enquanto dançava a partir do coração sem me preocupar se seria suficientemente fantástica para estar ao nível da ocasião.

Divino.



O carinho dos noivos e convidados e a forma como me receberam e sentiram durante todo o espectáculo não podem ser descritos por palavras.



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