Wednesday, February 27, 2013

Sem palavras...



"Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver.

23 anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse e... Foi assim."

(Traduzido por Rodrigo Robleño)

Tuesday, February 26, 2013

Workshop "Segredos da Dança Egípcia" -2 de Março, Lisboa


Se algum dia pararei de desafiar-me e colocar-me em sarilhos?! Parece-me - a esta hora do campeonato - que a minha alma cigana jamais se satisfará com pequenos tronos e reinados (e, acreditem, os tronos e os reinados são sempre pequeninos). Assim que a coisa estagnada - ainda que estagne no SUCESSO - a agitação recomeça a dançar dentro de mim e o Desconhecido, o que ainda não foi conquistado chama (grita!) por mim ao ponto de tirar-me o sono até que eu pouse o pé na estrada -uma vez mais.

No próximo Sábado - dia 2 de Março - lançarei mais um pé numa NOVA ESTRADA que marcará o futuro do meu trabalho e da própria Dança Oriental (se eu, de repente, não me lembrar de ser astronauta e colocar a dança oriental para trás das costas: TUDO é possível).

O WORKSHOP "SEGREDOS DA DANÇA EGÍPCIA" será lançado em Lisboa já no próximo Sábado (com um fim-de-semana dedicado ao mesmo tema em Londres - próximos dias 1,2 de Junho).

Ir ao fundo de mim mesma e escavar, retirar, organizar e COMUNICAR os segredos que acumulei dentro de mim nos últimos anos de vida e carreira no Egipto tem sido um trabalho assustador e fascinante. As RESPOSTAS* não se encontram fora de mim, por mais que eu as procure na tentativa de fugir de mim mesma. As RESPOSTAS* encontram-se dentro de mim e no canto dos pássaros que o Egipto despertou no meu peito. Resgatei o passado - o meu e o do Egipto - e trouxe para a superfície algumas das relíquias que o tempo, as areias e a ignorância haviam enterrado. No processo arqueológico de escavações minuciosas dentro da minha Alma assusta-me, mais do que tudo, a Beleza, a Riqueza, o Brilho das jóias que encontro. Ouvi dizer - a um sábio, com certeza - que a Felicidade, o Sucesso, o Amor e a Luz são mais aterrorizadores do que a escuridão e a tristeza. É como se não pudesse suportar tantos tesouros dentro de mim ainda que estes sejam ANJOS que me iluminam a mim e a quem comigo estudar Dança Oriental.

Mas é assim: a ACÇÃO tem um poder mágico. A partir do momento em que coloco a IDEIA em prática e os cursos começam a ser marcados, os alunos se juntam para aprender e a Vida permite o Encontro já não há volta a dar. Cobardia e Vida não comem sentados à mesma mesa.
Lá vos espero no próximo Sábado para SURPRESAS que me nos deixarão a todos (eu incluída) com a boca do coração escancarada face ao imenso Mar.
Bemvindos!*

Alquimia (novamente e sempre).

Coreografar é trazer o inconsciente ao Consciente* - foi o pensamento que escrevinhei no meu companheiro bloco de notas (para quem não sabe: eu ando SEMPRE com um livro, um bloco de notas e canetas na mala, vá onde for). É mesmo.
A luta entre mim e os meus medos e dúvidas férteis continua - creio que jamais cessará. Aprender a lidar com o "inimigo", fazer dele um aliado e extrapolar a sua existência alquimizando-o, transformando a pedra da calçada em ouro puro.
Continuo a achar que ser uma comerciante seria tão mais fácil do que ser artista mas, nestas coisas como em tantas outras, a Vida não dá tréguas. O que É tem muita força e o Talento é uma bolsinha de seda chinesa cheia de demónios, fardoa, possibilidades,  RESPONSABILIDADE. "A blessing and a curse, indeed."
 
- Tu és uma improvisadora nata. Então porque não gravas uma improvisação tua e depois a estudas e dela retiras os passos para uma coreografia? - Propôs o genial Mahmoud Reda numa das inúmeras vezes em que referia a dificuldade que tenho em coreografar.
 
É que as coisas fluem quando não tenho de congelá-las, apanhá-las com as mãos frias da Razão; o cenário muda quando tenho de extraír diamantes da pedra (eu) e daí criar uma casa de pedra cujas paredes, tecto, janelas e portas ali permanecerão imóveis - para todo o sempre. Assim sinto a coreografia e por isso a ela resisto, contra ele me ergo e por ela me apaixono.
Novo material - Om Kolthoum e Baladi Saahirah - na calha. Pedindo que os processos sejam mais fluidos, menos aflitivos e duvidosos (ou talvez não...). Quem compreende os meandros mágicos e desconcertantes da criação artística?!
 
 

Por acaso até queria (mas era mais férias...)

Queria, queria - mas era mais férias.
 Já lá vão três anos desde que fiz as minhas únicas férias em cerca de dez anos de vida super activa e uma carreira imparável. As últimas férias foram à Índia e o encantamento-enamoramente ali vivido compensou pela falta de descanso.
Eu agora queria era México de barriga para cima, virado para o sol (o México e eu: ambos virados de barriguita para o sol); mar azul turqueza, uns Mariachi a tocar para mim ao jantar, serão na selva, essa rara sensação de não ter de ir a lado algum e de ninguém à espera que faça, diga ou dance algo interessante...Ah: bliss.
Diz que é capaz de ser lá para Setembro: uma semaninha de Paraíso (tão esperada e merecida). Até lá é PEDALAR à grande e à francesa ("God, please give me strength!").
Miminho enviado por Elizabeta de Lacanne - aka Princesa:) - afirmando que esta imagem a lembra de mim (sendo que a mim também me lembra!:).

Sunday, February 24, 2013

Alquimia*

Painting by John William Waterhouse
"O SEGREDO do ALQUIMISTA"

Para não divulgar:

Toma a matéria prima que pode ser masculina ou feminina e leva-a à calcinação sem perder a qualidade.
Fixa o volátil do mercúrio de forma a que se torne paciente.
Usa o enxofre para dar força e direcção à tua empresa. Não esperes resultados pois a obra consome-se em si mesma.

Depois da primeira parte, procede à união em perfeita harmonia. Não temas a putrefacção, pois só dela se pode exalar o corpo subtil.
Sublima as emanações divergentes e aguarda sereno.

Quando não vires diferença entre o teu laboratório e o teu corpo não julgues que obtiveste ouro.
Persevera, pois todas as formas são ainda limitações.

Quando nascer o filho, não te darás conta, é o primeiro sinal de que já nasceu.
Cuida bem dele, sem lhe dar demasiada água...Crescerá.

Quando te sentires em todas as formas e não te identificares com nenhuma, sabe que em ti tomaram residência os corpos celestes e que o teu corpo se tornou universo."

Autor: desconhecido (texto encontrado num dos meus cadernos de notas do Conservatório Nacional de Teatro e Cinema - onde me formei como Actriz).

Joana Saahirah @ Eilat festival 2013 Gala of stars




Aqui me revejo com ternura numa interpretação em relação à qual a minha vontade trepidou, hesitou, questionou e - como sempre - tomou nos braços e amou.
Esta música foi composta para mim por Hossam Shaker durante noites a fio em que não dormimos, bebemos MUITO café e falámos pelos cotovelos de tudo o que significa a Dança, Eu na Dança e como uma música me poderia traduzir.

Título: "Joana à volta do mundo".
Intenção (minha): Fazer algo distinto das músicas de entrada em cena (a que os egípcios chamam "majancé") que reflectisse a minha visão da dança, do movimento e do palco. Queria mais do que acabou por ser feito - compreendendo as limitações do próprio compositor que teme correr riscos.

É usual, no Egipto, que cada bailarina pague a um compositor para criar a sua "música standard" de entrada em palco e será esse hino pessoal que abrirá os seus espectáculos diários. É também usual - soube-o através dos meus músicos e de Hossam Shaker - que as bailarinas inseridas no mercado egípcio (do qual eu fiz parte, incrivelmente, durante 8 anos cheios de Vida) encomendem CÓPIAS de outras músicas que tenham feito sucesso. Isto horrorizou-me: a mediocridade SEMPRE me horroriza. Copiar o trabalho alheio ou não arriscar ser CRIATIVO em prole de uma aceitação comercial imediata é o caminho dos comerciantes e dos empregados de escritório pequeninos: NÃO dos artistas.

-Quero o contrário, Hossam. Esquece as cópias, o que foi feito antes, o que fez ou não fez sucesso. Vamos ser honestos e deixar o sucesso nas mãos de Deus, pode ser?
Pretendo uma música que me reflicta, que tenha muita coisa lá dentro (jazz, contemporâneo, clássico, etc) sem deixar de ser profudamente egípcio.

(Quase) assim se fez.
A música foi levada à minha orquestra que acabou por dar-lhe a volta e reinventá-la, moldando-a ao palco, à sua natureza egípcia e ao tanto que conhecem de mim enquanto artista e pessoa. Até aqui só a interpretara com os meus homens (orquestra), tocada ao vivo. A partir do momento em que o desafio de interpretá-la em cd (numa gravação pejada de falhas e pontos fracos que passarão despercebidos à maioria mas não a mim) eu hesitei mas acabei por lançar-me neste precipício e ver no que dava. Se foi arriscado?! Claro que foi. "Suicída": creio que foi a palavra que usei quando a organizadora do Festival Eilat (a magnífica Orit) me pediu para dançar este tema. No entanto, eu confio nela, no seu instinto e confiança em mim. ORIT sabe o que faz e eu agradeço-te que me tenha atirado deste penhasco. O voo - mais um - que daí resultou só foi possível porque jamais deixo de assumir riscos e tentar CRESCER com eles.

Divirtam-se a ver o vídeo - tanto quanto eu me diverti a dançar nessa terra (também) mágica de Israel.



Saturday, February 23, 2013

Vídeos, "Segredos da Dança Egípcia", retiros e Amor (com um até já na algibeira)

 
Upps: chegou aquele momento em que tenho de enfrentar - mais uma vez e sempre - o monstro do medo de falhar de AVANÇAR. Quanto mais se sabe, mais se duvida, mais se vê caminho adiante, mais se espera de si mesmo. Mais. Mais. MAIS.
Como não é de cobardia que se compõem os meus ossos: ADIANTE.
 
*Workshop "SEGREDOS da DANÇA EGÍPCIA" (conceito pioneiro da Dança Oriental tal como a Grande Escola do Egipto me ensinou e uma estreia mundial de Algo* que tem pernas e asas para andar-voar) - JÁ NO PRÓXIMO SÁBADO, DIA 2 DE MARÇO EM LISBOA.
* Parte finalíssima da minha MARATONA literária (e mais não digo que a ACÇÃO tem de falar mais alto) e o retiro solitário que ela exige.
 
* Preparação de novas coreografias, espectáculos, castelos que quero - e VOU - erguer. Entendo que a Acção se serve quente no SILÊNCIO (muito mais do que no meio das palavras ruidosas).
 
* No meio de tudo e por entre os escombros que a Vida nos presenteia: uma renovada VONTADE (talvez ilusão, talvez verdade: quem o saberá definir?) de AMAR.
 
* Deixo-vos alguns vídeos meus (coreografias para ensino, uma apresentação na Rússia, outra em Israel e um carinho chegado da Irlanda - mais especificamente do castelo encantado de Charleville onde actuei e ensinei por duas vezes) e um doce em forma de Amor Escrito.
Sigam os LINKS:
 
***Eu no castelo de Charleville, Irlanda:
 
 
*** Coreografia para Ensino (Saiidi moderno):
 
 
 
***Actuação em Eilat, Israel:
 
***Coreografia para Ensino "Núbio":
 
 
 
***Coreografia para Ensino "Il Fan":
 
 


 
"Prepare-se para sua capacidade de amar,
para sua melhor beleza,
para fazer cada vez melhor o que voce sabe,
seja quindin,
amor,
coleção de selos,
estudos transcendentais,
harpa
,

pipoca,
pensamento de kant,
numismática,

sorriso,
sinuca ou cirurgia ocular."

Artur da Távola

Intimidades.

 




Momentinho "teenager" (cócegas na glândula pituitária do coração)

Então é assim: curta e grossa:
O que eu faria a este menino não é para ser dito em público. É relato para bolinha vermelha, classificação "para maiores de 18 anos", interdito a menores de espírito e a pessoas facilmente impressionáveis. Oh, boy.
Só digo o seguinte: este rapaz roça-me as cócegas da glândula pituitária do meu coração cigano.
Ai, era, era...epá...
Só vos digo uma coisa: UI!


 

Sabes que és PORTUGUESA quando...

Nunca a nossa identidade cultural se revela tão óbvia como quando vivemos longe do país que nos viu nascer. Quanto mais longe estou - fisicamente - do meu país natal mais próxima me sinto dele.
Era Jean Paul Satre que defendia que a proximidade afasta as pessoas e que a distância as aproxima; creio que tal se aplica à relação entre pessoas e o chão que as fez saltar cá para fora.

Desde que fui viver para o Egipto - deixando para trás o meu país, família, amigos, carreira já lançada e tudo o que me era familiar e querido - que entendi a importância das minhas RAÍZES e do quanto elas me conferem o selo de ESPECIAL (caso eu não as renegue e as use a meu favor). A natureza dos Portugueses é ser do mundo, um olho pequenino mas mágico que vê por cima do horizonte do imenso Oceano Atlântico.
Conhecer outras culturas e experimentar outros modos de vida não me afastou - em nada - de Portugal; pelo contrário.


Sei que sou PORTUGUESA quando:

1. Rebenta em mim uma tempestade de lágrimas no instante em que escuto os primeiros acordes caídos de uma guitarra portuguesa num concerto da Mariza (fadista mundialmente reconhecida) na Ópera do Cairo. Toda a gente está encantada e tal, acenando cabeças diplomáticas e acariciando os seus casacos de pele e eu estou desfeita - num segundo - apenas por escutar o trinar das cordas da guitarra portuguesa.

2. Explico à minha orquestra as canções que quero dançar como quem canta fado na Mouraria (bairro típido de Lisboa - curiosamente apelidade "MOURARIA" que tem a ver com a ocupação árabe-moura em Portugal). Canto-lhes Om Kolthoum (exactamente como quero que a interpretem) em forma de fado e sei que em ENTENDEM porque vimos do mesmo Mar.

3. Reconheço o Fado da minha terra natal num "mawal" que se lamenta, goza de prazer, chora de nostalgia e celebra a vida em tons azuis. SEI - instantaneamente - que o "mawal" (introdução-improvisação inicial que abre uma canção) é irmão gémeo do Fado e do "Cante jondo" do Flamenco (outra flor antiga do meu jardim).

4. Faço poesia e humor por tudo e por nada; pela graça e pela desgraça.

5. Vejo o rio Nilo e me queixo que é demasiado pequeno porque só o Oceano me basta e eu tenho sede é que imensidão sem fim.

6. Me abrem as malas de viagem no aeroporto do Cairo e aí encontram:
Bacalhau; chouriços; mel da serra da Arrábida; queijos; pão caseiro; nozes e ervinhas do jardim da minha mãe.

7. Me critico a mim mesma mais do que me congratulo. A humildade e um sentido - até destrutivo - de auto-crítica estão tão enraízados nos portugueses como os navios e a sede do Desconhecido.

8. Sei que o meu poiso é o Mundo e em mim sinto pulsar os genes dos Navegadores portugueses que não sabiam onde iam, se chegariam, se morreriam pelo caminho ou se chegariam a bom porto mas que, ainda assim, TINHAM de IR.

9. Canto Fados na cozinha de uma amiga minha como forma de "pagar" o almoço que ela cozinha para mim.

10. Quando me sento a comer com os meus músicos e aceito ser criticada por tão incómoda "mistura de gentes e classes" - assim considerada pelas pessoas que me rodeiam. O Português que é PORTUGUÊS sabe, desde há uma eternidade e um dia, que somos todos feitos da mesma água, do mesmo chão e do mesmo céu.

Da pelintrice e outras inutilidades tristes.

Por mais que dê voltas à cabeça não consigo entender como há gent(inha) tão pobre de espírito (de talento e outras capacidades) que vê na destruição dos outros a sua única chance de singrar na vida (seja lá o que isso significar).

Têm medo ao seu próprio traseiro, defendem o seu "território" como cães selvagens e preferem investir o seu tempo e energia em destruir quem a ameaça o seu frágil ego - em vez de o investirem a estudar, trabalhar, melhorar no seu ofício e na conduta da sua pessoa.

Já perdi a conta às criaturas que me passam pela frente nestes vergonhosos preparos.É que mal-dizer, prejudicar, boicotar, tentar destruir quem julgam ter mais valor do que eles só lhes cai mal. A sério. É feio: baixo: poucochinho: raso ao nível do chinelo roto: parceiro de dança com as ratazanas: humilhante: tristonho. 

Deus: dai-me compaixão com a fraqueza alheia (bem como para com as minhas fraquezas). No dia em que eu me sentir ameaçada ou precisar de "aniquilar" a competição para brilhar é MESMO o dia de parar de dançar; será o fim; anunciado; o "THE END" sem possibilidade de qualquer continuação do filme.
Se isso alguma vez acontecer, internem-me num sanatório. Tenho dito e escrito.

Wednesday, February 20, 2013

Partida (rumo à Lua e a Neptuno)***

‘’ No lo olvides imaginar es ver, Ver es sentir y sentir es alcanzar la conciencia’’

Oscar Macias

Via: Susana Tomás



Aterrorizada: é como me sinto ao encetar a última maratona de edição final do meu LIVRO. Ninguém me dissera que escrever um livro seria tão difícil (pelo menos, para mim)! Depois de um período de muitas viagens de trabalho (que recomeçarão já em Março) e de um vai-vém abençoado que não me deixou assentar arraiais diante do meu Livro ainda à espera de uma última polidela lá tenho de ganhar coragem (e a palavra de ordem é mesmo CORAGEM) e tomar decisões definitivas, deixar-me tatuar pela palavra escrita e ter a ousadia de dar como terminado o trabalho que nasceu há 8 anos quando decidi que viveria e construiria uma carreira no Egipto.



Preciosos momentos* ZEN saboreados em família que vou manter nos próximos tempos aquáticos/neptunianos:

1. Ir ao cinema com o meu pai;

2. Brincar com a minha sobrinha e conseguir ser mais palhacita do que ela;
3. Correr ao pôr-do-sol;

4. Estar em silêncio com os nossos animais;

5. Ter a seguinte conversa com a minha mãe:

-Mãe: de quem herdei os meus olhos azuis?
-Eh, pá...não sei. O teu avô também tinha olhos azuis mas eram mais escuros do que os teus. O teu tom de azul é diferente.
-Sim, é...então onde achas que fui buscar a cor dos meus olhos?
-Foste buscar ao céu mas nunca num dia de nevoeiro. Foste buscar o azul dos teus olhos ao céu num dia de sol à beira mar numa praia do México.
-Ah...:)

Festa della Dona em Roma, Itália (9,10 de Março)

 
 
Mais um evento que RECOMENDO por várias razões (as pessoas envolvidas, o conteúdo e o espírito por trás de tudo) organizado pela linda e talentosa Perla Elias Nemer.
 
As Mulheres Unidas na Celebração do seu dia através da Dança, da Música, da Arte, da vontade amorosa de aprender e partilhar. É na UNIÃO entre todas as mulheres que reside a força de cada uma de nós.
 
Em Roma, dias 9 e 10 de Março. Obtenham todas as informações através do link:
 

Mergulhando~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Nota de rodapé para a mente da minha alma.

"Acredito na inspiração mas ela tem de encontrar-me a trabalhar." Pablo Picasso



"Aquilo que distingue realmente uma criança de tudo o resto que é vivo no Universo é a capacidade enorme de sua absorção no jogo. A capacidade enorme de imaginar que as coisas efectivamente estão surgindo como ao toque mágico de uma vara de fada e fazer que perante isso o tempo não exista. O milagre que uma criança faz quotidianamente no mundo é aquele milagre de conseguir que o tempo desapareça de sua vida na realidade.

 Aquela historieta que se conta do monge da Idade Média que esteve trezentos anos ouvindo um rouxinol cantar e teve por aí a ideia do que deve ser a eternidade, esse milagre de monge medieval é repetido realmente pela criança todos os dias quando brinca. Tempo para ela desaparece, e é o adulto que vem impor-lhe normas de tempo; o adulto existe no mundo da criança para interromper a cada momento a história do monge e do rouxinol"

– Agostinho da Silva, Baden Powell, Pedagogia e Personalidade [1961], in Textos Pedagógicos II, p.24.


Via: Susanita Tomás
 
~Mergulhando~

Tuesday, February 19, 2013

Workshop "Segredos da Dança Egípcia" (2 de Março, Lisboa)

Workshop “Segredos da Dança Egípcia”

Dia 2 de Março, Sábado, em Lisboa (escola Inimpetus).



O Workshop que me vinha aquecendo o coração CHEGA, finalmente, a LISBOA (estreia mundial).

Acredito– e tenho-o comprovado ao longo da minha carreira no Egipto e pelo mundo – que a Dança Oriental é uma Arte Antiga de carácter religioso/amoroso/artístico/alquímico. Tem sido incompreendida, perseguida e maldita (como várias outros Tesouros da Humanidade que nos têm sido escondidos e negados) mas a HORA do seu RENASCIMENTO chegou.

Ossegredos que desvelei ao viver e dançar profissionalmente na terra das Pirâmides foram reunidos e sintetizados neste Workshop que é uma Iniciação acima da iniciação comum de Dança Oriental.

Segredos, bases não reveladas, dicas provenientes dos subterrâneos e dos céus egípcios, pérolas que reuni – à custa de conquistas, suor, risos e lágrimas – na Grande Escola Iniciática do Egipto. Agora disponíveis: para VOCÊS.


*Horário:
Dia 2 de Março, Sábado:
Das 10.30h às 12.30h e das 14h às 16h (manhã e tarde)


***Programa:
Arqueologia da Dança-Alma-Criatividade-Egipto

Bases da “Técnica Invisível Joana Saahirah” (pilares do método de ensino que tenho desenvolvido ao longo destes anos); Segredos e dicas que nenhum professor passa– fruto da minha Jornada pessoal e profissional no Egipto e síntese do Mais Precioso que lá aprendi em oito anos de carreira com um sucesso que ninguém –excepto eu mesma – poderia ter previsto.

Passagem por curtas mas CENTRAIS combinações de estilos tão diferentes quanto Om Kolthoum, percussão, baladi, “shaabi” e folclore egípcio – cada estilo e combinação exemplificam alguns dos princípios, CHAVES, Segredos e CHÃO ALQUÍMICO da Dança Oriental.

O que define a Dança Oriental Egípcia (tesouro só acessível a quem estiver presente neste Workshop de CORPO e ALMA).

***Indicado para : Bailarinos/as (amadores ou profissionais) de Nível Intermédio-Avançado.


***Preço:
Um preço reduzido pelo workshop é oferecido com a intenção de permitir que o maior número possível de pessoas tenha acesso à Informação passada no Workshop e que essas mesmas pessoas a passem a outrém - criando assim uma corrente POSITIVA de transmissão de uma Nova Dança Oriental ou do Retorno à sua Raíz.

35 euros para inscrições até dia 15 de Fevereiro de 2013; 45 euros para inscrições de dia 16 de Fevereiro até ao dia do workshop.



***Forma de Inscrição:
Para inscrever-se no evento basta efectuar a transferência inter-bancária do valor relativo ao mesmo para o nosso
NIB: 0007 0075 0001 1250 0053 6 .
Depois de ter efectuado a transferência, pedimos o favor que nos avise da mesma através do email: dancemagica@gmail.com ou do telemóvel: 96 642 7997.
Só depois deste aviso poderá considerar-se inscrito/a. Além do aviso da data da transferência e nome em que foi feita, pedimos o favor que apresente o talão da mesma no dia do evento.


***Contactos para informações adicionais:dancemagica@gmail.com & Tm: 96 642 7997



***Local: Escola “Ininpetus” – Lisboa (Rua de Campolide, 27 A - Lisboa)
Telf: 213 157 815 / www.inimpetus.org



***Organização:

Joana Saahirah do Cairo



Um beijo para o Porto e mais um até já!

 
Aqui deixo - como não poderia deixar de ser - mais uma nota de carinho e gratidão à Ahmar e às lindas mulheres que comigo partilharam os workshops no Porto neste passado fim-de-semana bem como ao Miguel Miranda pela sua colaboração e empenho na Tertúlia Oriental e a todos os presentes e interessados no assunto.
 
Ensinar, dançar, falar sobre um GRANDE AMOR como este (a Dança Oriental) é uma alegria e um privilégio para mim. Pela oportunidade de fazê-lo eu me sinto, permanentemente, ABENÇOADA.
 
O rio corre para o mar, independentemente das pedras e pantânos encontrados pelo caminho. Ele corre e da água se faz ar e do ar se faz Amor: eis o caminho da Dança que me escolheu.



Eça de Queiroz e as "Ghawazi"

  
 
Aprender sempre me pareceu mais do que estar receptivo aos ensinamentos de um professor "oficial". Seja qual seja o assunto que estudamos, o truque está em ser CURIOSO (a ausência de curiosidade assusta-me: parece-me bizarra) e ter capacidade de RELACIONAR pessoas, informações, acontecimentos, pecinhas de puzzle às quais - normalmente - ninguém atribui qualquer correspondência. Aprender é trabalho de colagem, patchwork, coisa de criança Sherlock Holmes que segue pistas e se deleita em cair no caminho para a Arca do Tesouro.
 
Quando insisto em despertar as bailarinas/os que estudam comigo para a necessidade de abrirem as suas mentes, corpos, corações e almas a muito mais do que apenas um passo aqui e um movimento acolá sou - ainda - recebida com alguma estranheza mas tenho esperança que a situação mudará.
 
Saber de Dança Oriental egípcia sem saber de religião muçulmana parece-me pouco viável; saber de Dança Oriental egípcia sem saber de tradições, política, economia, História, condição da Mulher ao longo dos tempos e muitas outras ramificações que brotam dos fertéis vales do Nilo parece-me absurdo.

 Se dá trabalho estudar?! Claro que dá. Ter a ilusão (tão eficazmente vendida por muitos "professores") que aprender a dançar se resume a memorizar umas coreografias giras é apelativo, acessível, confortável. Mas APRENDER é MESMO sair das nossas áreas de conforto e é nesse precipício que eu me atiro e que atiro a quem estuda comigo por saber que é a partir dele que poderemos VOAR.
 
Assim sendo, aqui fica mais uma peça de puzzle que deverão saborear e ligar como vos aprouver: excertos do magnífico livro "Egipto - notas de viagem" de Eça de Queiroz (escrito no século XIX mas mais actual do que nunca).
Leio e releio Eça e recordo porque me orgulho tanto de ter nascido em Portugal (terra de grandes poetas, escritores, músicos, místicos, sonhadores, aventureiros, amantes, guerreiros e almas marítimas).
Aqui fica para saborearem, questionarem e comentarem:
 
*
" O Egipto é um país de passagem. Tudo ali passa, tudo ali descansa, tudo ali repousa. É o caminho da Índia. É o caminho da Pérsia. É o centro onde acodem todos os povos da África Oriental. É o escoadouro das populações ambulantes do Mediterrâneo e do Levante. Tudo para ali emigra, até os pássaros, porque tudo o que tem asas , quando nos nossos climas começa o Inverno, foge para o velho Egipto!"
 
*
 
(Comentário relativo a uma visita ao "hammam"):
 
"Então veio o café e o sherbet gelado, acenderam-se os chibucks, e, estendidos, prostrados, lado a lado, com o tubo do narguilêh na boca, os olhos no vago, um leve rumor de água nos ouvidos, o cérebro vazio de ideias e cheio de sonhos, abismámo-nos longo tempo naquele doce enlevo, no kief - no divino, mole, voluptuoso, inerte, pacífico kief!
A consciência leva tempo a renascer, perdida naquela sonolência."
 
*
 
(Comentário feito em relação às "Ghawazi" quando vistas no seu contexto mais amado: entre os seus, em festas "baladi", de egípcios para egípcios e não para os costumeiros clientes estrangeiros que não as entendiam e que nelas insistiam em procurar a eterna prostituta-deusa do sexo):
 
"Aí, as Ghawazis, cercadas pelo povo, aplaudidas, animadas pelo olhar excitado dos homens, sentindo-se compreendidas, achando-se no seu meio natural, adquirem a fé, o instinto genial da graça no movimento, da beleza na atitude. Sempre que as vi dançar em festas populares, senti-me dominado por aquele baile misterioso, quase lúgubre, de uma sensualidade tão grave que mais parece um culto do que um espectáculo."
 
*
 
(Ainda a propósito de ver as "Ghawazi" dançar):
 
"No entanto todo o baile é tão grave, tão largo, tão silencioso, tão misterioso, que lembra um rito sagrado. Aquelas danças vêm certamente de um velho culto lascivo da Assíria.  Celebram o mistério da voluptuosidade: não há ali a expressão violenta do desejo; não se foge, não se provoca, não se irrita, não se sucumbe. Não há acção naquelas danças: figuram apenas a mulher, o ser animal tomado de amor. É limitado e é profundo. A acção está toda concentrada no corpo. É o cântico da carne exaltada.
Nada de grotesco, de obscuro ou de baixo. A sensualidade, ali, é poética, é idealizada, e não há espectáculo mais belo nem mais estranho do que a visão daquelas dançarinas, resplandescendo fantasticamente ao clarão dos archotes, com os seus vestidos vermelhos reluzindo em reflexos acetinados, todas cobertas de sequins de ouro, movendo-se na celebração lasciva e sacerdotal das suas danças, entre a roda dos turbantes apinhados, alumiados de brancuras de luar."

 
Fifi Abdou - uma das míticas bailarinas do Egipto.

Regresso a Londres (workshops 1,2 de Junho!).

 
É maravilhoso ver como regresso sempre aos locais onde danço e ensino. Por mais anti-comercial que seja, por menos botas que lamba e por mais contra as marés de clones e superficialidade que eu insista em ser o MUNDO avança e, nesse avanço, acaba por começar a ENTENDER a visão que trago do Egipto. Fui lá buscar as raízes da música, dança e alma egípcias e com essas raízes construo os meus jardins.
 A minha Visão do assunto é minha, pessoal (mas altamente transmissível) e, ao mesmo tempo, UNIVERSAL. É, creio, essa universalidade e verdade que as pessoas reconhecem (cada vez mais) no meu trabalho. Conhecimento de causa, paixão e respeito absolutos pelo meu ofício e uma vontade imensa de ver mais e mais coisas boas sendo feitas numa área ainda considerada sub-artística.
 
O trabalho é de todos - mesmo o meu. Regressar a Londres com dois workshops pioneiros será mais uma pedra arrancada ao Caminho, mais uma etapa conquistada e um pó de perlimpimpim oferecido a quem dança e quer mais (saber mais, ser mais, ser mais FELIZ e TOTAL na dança).
Londres: aqui vou eu. Workshops nos dias 1 e 2 de Junho. Todas as informações se encontram disponíveis no Facebook, no meu
blogue em inglês ( www.joanabellydance.blogspot.com )
e no meu WEBSITE OFICIAL ( www.joanasaahirah.com )




Espelhos* (parte infinito).

 
‎"Quando mudas a forma como olhas para as coisas, as coisas para as quais olhas começam a mudar."
~Lao Tse
 
Via: Gabriela Soares

Friday, February 15, 2013

A Magia* acontece no PORTO este fim-de-semana!


 
É com uma enorme alegria que irei ao Porto este fim-de-semana (graças à perseverança, profissionalismo e empenho da Ahmar) para participar numa conferência
( Sábado às 18h na Casa Barbot) e para ministrar dois workshops: SAIIDI moderno e OM KOLTHOUM (abrindo a arca dos  tesouros da Estrela Eterna do Oriente).
 
Aqui fica a minha GRATIDÃO antecipada ao Porto, um "lá vos espero" entusiasmado e um RECADO para as participantes dos workshops.
Meninas: eis o que convêm ter em conta para cada um dos temas que vamos abordar:
 
***Saiidi moderno - tragam a vossa "assaya" (bastão) e muita curiosidade. Sugiro também que se informem, antes do workshop, sobre as origens deste estilo folclórico, o seu significado e gentes que o praticam. Aprender folclore egípcio é - em grande parte - aprender sobre as várias cores e sabores que o Egipto alberga enquanto país monumental e colorido que é.
Quem é a gente Saiidi? Façam-se essa pergunta.
Porque e para que danço Saiidi? Porque o aprendo? Com que finalidade?
 
***Om Kolthoum (abrindo a arca dos tesouros) -
Sugiro que se informem sobre a vida de Om Kolthoum e porque razão jamais foi destronada (lembrem que morreu - fisicamente - em 1975 mas que continua mais viva do que nunca).
Façam-se as seguintes perguntas e tentem encontrar uma - ou mais respostas - para as mesmas:
Porque a sua música é essencial para todas as bailarinas e porque é tão profundamente representativa da identidade egípcia?
O que torna a música de Om Kolthoum universalmente apelativa e especialmente deliciosa (e complicada, quiçá) de dançar?
O que é INTERPRETAR? O que é CONTAR uma história com o corpo, a mente, o coração e a alma?
Existe espaço para o silêncio e para a pausa na DANÇA ORIENTAL? E na VIDA?
 
***Preparem-se: vamos divertir-nos e DESAFIARMO-NOS para lá de bastante!
Até já, minhas queridas.:)
Amor,
J*.
 
Samia Gamal - foto vintage.

O início da Jornada (mais viagens lunares*)

O que fui descobrir!:)
Este meu período tão intensamente lunar tem trazido surpresas deliciosas e assim me re-conecta com o chão do qual nasci e do qual jamais me separei, verdadeiramente. É bom saber que consegui aprender, vencer, singrar num mundo oposto ao meu e caminhar sobre a lama sem -alguma vez - nela me ter sujado. Ter visto tanta maldade e escuridão mas - ainda assim - não me ter endurecido e escurecido a mim.
Dos baús lunares que me caem no colo cabem estas imagens (da autoria de Jaime Carita) tiradas numa das minhas primeiras actuações como "profissional" de Dança Oriental. Reconheço-me no que re-vejo enquanto sinto que apenas passaram dez anos mas que parecem cem devido à intensidade e quantidade de vida que por dentro da minha ponte já passou.
Celebrando o passado para melhor me sentar no trono que para mim construí e para que as asas se fortaleçam com o orgulho no chão já pisado. Neste baú lunar cabem também as primeiras entrevistas que dei em Portugal a vários canais de televisão num período de lançamento da minha carreira e dos primeiros passos da Dança Oriental em Portugal (muitas risadas , bençãos, sucessos, Amor e vitórias vêm por aí!:).




P.S. Descobri também uma cassete (sim, daquelas que se enrolavam com uma esferográfica - do tempo da Maria Caxuxa, portanto!) comprada à primeiríssima pessoa que me deu a conhecer a Dança Oriental e que assim mudou toda a minha vida: a Profª. Prisca Diedrich (o meu carinho, saudade e gratidão estão sempre com ela). Dentro da cassete vem um panfleto escrito pela Prisca que diz:
"Dança Oriental :
 
União
Corpo
Mente
Espírito
Através da experiência e expressão de si própria.
 
Método pedagógico
"Aprendizagem experimental" baseada na síntese entre o prazer do movimento e a assimilação prática de técnicas específicas.
 
"O QUE DANÇO
SOMA-SE, ASSIM, A
COMO DANÇO
E A
O QUE SINTO A DANÇAR."
É lindo ver como aquilo que a Prisca ensinava e que me fez apaixonar - e reencontrar-me - pela Dança Oriental continua mais vivo do que nunca em mim e em todas as áreas da minha carreira (espectáculo, ensino, coreografia, escrita). Abençoados todos os professores que, como a Prisca, nos abrem janelas fora e dentro de nós mesmos.